Selo de Valor Cultural: cinco restaurantes clássicos de São Paulo entram para a lista de patrimônios gastronômicos da cidade

Selo de Valor Cultural passou a estampar a entrada de cinco restaurantes paulistanos — Café Floresta, Bar & Lanches Estadão, La Casserole, Leiteria Ita e O Gato que Ri — após deliberação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) realizada na última semana.

Índice

O que é o Selo de Valor Cultural e como ele funciona

Instituído pelo Conpresp, o Selo de Valor Cultural reconhece estabelecimentos que, além de funcionarem como pontos de consumo, representam um capítulo relevante da memória social, arquitetônica ou afetiva da capital. A chancela é acompanhada de uma placa explicativa afixada na fachada e de inclusão em um cadastro oficial que já soma 92 endereços de perfis variados, como restaurantes, bares, galerias de arte, livrarias, óticas e papelarias.

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O processo de avaliação ocorre a cada cinco anos. Nesse intervalo, conselheiros verificam se os valores que justificaram a concessão foram preservados. Características como continuidade da atividade, manutenção de elementos originais de decoração, permanência da família fundadora na gestão ou contribuição para a identidade de um bairro contam pontos na análise.

Critérios que levaram os novos homenageados ao Selo de Valor Cultural

Os cinco endereços contemplados compartilham uma trajetória de resistência diante das transformações urbanas do Centro e se vinculam a hábitos consolidados do cotidiano paulistano. Localizados majoritariamente na região da República e do Arouche, eles mantêm cardápios, horários de funcionamento ou modos de serviço que criaram laços afetivos com gerações de frequentadores.

Ao reconhecê-los, o Conpresp reforçou a noção de que a gastronomia também exerce papel de patrimônio imaterial, da mesma forma que acontece com edifícios ou obras de arte. A seguir, veja como cada casa construiu essa relevância.

Café Floresta: tradição aromática que agora carrega o Selo de Valor Cultural

Fundada nos anos 1970, a cafeteria permanece no térreo do edifício Copan, ícone de Oscar Niemeyer na avenida Ipiranga. O balcão, as luminárias e a disposição das poltronas conservam o desenho original, permitindo que o visitante experimente parte da atmosfera da época em que o prédio se tornou símbolo de modernidade. No cardápio, o café coado é o carro-chefe, mas há opções de chás e sucos para quem busca variações.

A continuidade da operação sete dias por semana — das primeiras horas da manhã até a noite — faz do ponto um suporte à vida pulsante do edifício misto. Para moradores, trabalhadores e turistas que circulam pelo Copan, a xícara fumegante do Café Floresta funciona como ritual de encontro, motivo considerado determinante pelo Conpresp para a concessão do selo.

Bar & Lanches Estadão: 24 horas de história e um sanduíche que virou patrimônio imaterial

Desde 1968, o endereço do Viaduto Nove de Julho mantém portas abertas ininterruptamente, fechando apenas nos dias 31 de dezembro e 1º de janeiro. A prática solidificou a fama de “porto seguro” gastronômico para quem sai de festas, trabalha em turnos alternativos ou simplesmente deseja comer a qualquer hora. Nas paredes, o cardápio pintado à mão revela o centro das atenções: o sanduíche de pernil cortado em finas fatias, acompanhado de molho de pimentão, tomate e cebola servidos no pão francês.

Por ter o lanche nomeado patrimônio imaterial da cidade — decisão anterior e independente do selo — o bar entrou na pauta do Conpresp como candidato natural. A manutenção da receita e do sistema de produção, somada ao horário de funcionamento contínuo, pesou na decisão final.

La Casserole: elegância francesa preservada no Largo do Arouche

Inaugurado em 1954 pelo casal francês Roger e Fortunée Henry, o restaurante permanece no mesmo imóvel e atualmente é comandado pela filha Marie Henry e pelo neto Leo Henry. Desde o início, o prato símbolo é o gigot aux soissons, perna de cordeiro acompanhada de feijão-branco, que atravessou sete décadas sem sair do menu.

A sala interna mescla lustres de época, painéis de madeira e um carrinho onde o steak tartare é finalizado à vista do cliente. Esses elementos foram listados no dossiê de candidatura encaminhado ao Conpresp como evidência de conservação da identidade original. A proximidade com o Mercado das Flores do Arouche, que abastece os arranjos que decoram o salão, também foi citada como demonstração de integração com o entorno.

Leiteria Ita: memória do PF no Centro de São Paulo

A história da Leiteria Ita remonta a 1950, ano em que abriu as portas na rua do Boticário. Conhecida pela cozinha caseira e pelo prato feito servido no almoço — sempre acompanhado do tradicional pudim de leite — a casa reproduz o ambiente de leiterias típicas do período pós-Segunda Guerra, quando estabelecimentos especializados em lácteos se diversificaram para refeições completas.

Mesas compartilhadas, atendimento direto no balcão e horário restrito entre 11h30 e 16h30 mantêm vivo um formato de serviço em extinção. Esses fatores, aliados ao fato de ocupar o mesmo endereço há mais de sete décadas, garantiram a inclusão na nova leva do Selo de Valor Cultural.

O Gato que Ri: a lasanha verde que sobreviveu a sete décadas

No Largo do Arouche desde 1951, a cantina fundada pela imigrante italiana Dona Amélia recebeu nome inspirado na expressão de alegria de um gato imaginário estampado em um azulejo trazido da Europa. O local firmou-se pela fartura das porções e pelo preparo artesanal das massas, com destaque para a lasanha verde. O salão funciona de segunda a domingo, dividindo os serviços de almoço e jantar em dois turnos nos dias de semana e mantendo jornada corrida aos finais de semana.

Para o Conpresp, a contribuição da cantina para a fixação de um polo de gastronomia italiana na região foi ponto decisivo. A permanência do imóvel original e a administração familiar ao longo das gerações reforçaram o caráter patrimonial reconhecido pelo selo.

Importância do reconhecimento: impacto para os restaurantes e para a cidade

Ao entrarem na listagem oficial, os cinco estabelecimentos passam a integrar circuito de turismo cultural divulgado por órgãos municipais. Embora o Selo de Valor Cultural não represente tombamento nem imponha restrições severas, a exposição fortalece a imagem pública e pode incentivar iniciativas de preservação física, como restauração de mobiliário ou fachadas históricas.

Em termos de economia local, o reconhecimento tende a atrair novos frequentadores interessados em vivenciar experiências autênticas do passado gastronômico paulistano. Para a administração pública, a medida contribui para a revitalização do Centro ao estimular fluxo constante de visitantes, reforçando a segurança e o comércio de rua.

Próxima etapa: reavaliação do Selo de Valor Cultural em cinco anos

O Conpresp voltará a analisar Café Floresta, Bar & Lanches Estadão, La Casserole, Leiteria Ita e O Gato que Ri dentro de um ciclo de cinco anos. Até lá, os proprietários deverão manter intactos os atributos que justificaram a premiação, garantindo a continuidade da memória gastronômica na capital paulista.

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