Saúde pública no RJ registra aumento de atendimentos ligados ao calor extremo

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Atendimentos ligados ao calor cresceram de forma expressiva nas primeiras semanas de 2026 no estado do Rio de Janeiro, sobrecarregando tanto a rede estadual quanto a municipal de saúde e superando os registros do ano anterior, segundo dados oficiais divulgados pelos órgãos de vigilância epidemiológica.
- Atendimentos ligados ao calor nas unidades estaduais superam 2 mil registros
- Comparativo anual revela crescimento de 7,3% nos atendimentos ligados ao calor
- Rede municipal observa 3.119 casos e aumento de 26,84% em cinco dias
- Sintomas que levam aos atendimentos ligados ao calor
- Recomendações oficiais para prevenir novos atendimentos ligados ao calor
- Grupos vulneráveis exigem atenção redobrada
- Indicadores de gravidade que demandam busca imediata por socorro
Atendimentos ligados ao calor nas unidades estaduais superam 2 mil registros
A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) contabilizou, de 1º a 13 de janeiro de 2026, 2.072 pacientes em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pelo estado com sintomas atribuídos à exposição a altas temperaturas. O volume já ultrapassa, em menos de duas semanas, a marca de dois mil casos, sinalizando que a sequência de dias escaldantes colocou pressão imediata sobre a rede de urgência.
Os atendimentos estaduais distribuíram-se por todo o território fluminense, refletindo a abrangência das UPAs e o caráter regionalizado da onda de calor. Ainda que o levantamento não discrimine cada município, os números indicam que a procura não ficou restrita à região metropolitana, evidenciando a amplitude do fenômeno climático sobre a saúde coletiva.
Comparativo anual revela crescimento de 7,3% nos atendimentos ligados ao calor
Em 2025, no mesmo recorte temporal (1º a 13 de janeiro), a SES-RJ havia registrado 1.931 ocorrências. A diferença de 141 atendimentos representa variação positiva de 7,3% em 2026. O percentual mostra que, mesmo em um intervalo curto, o impacto das temperaturas elevadas ganhou intensidade e seguiu trajetória ascendente.
O dado anual comparado oferece um sinal de alerta aos gestores. Ele demonstra que estratégias preventivas adotadas no verão passado não foram suficientes para conter o avanço dos casos. Com base nessa métrica, o sistema de saúde estadual se vê compelido a reforçar equipes, ampliar comunicação de risco e direcionar recursos logísticos para períodos de pico térmico.
Rede municipal observa 3.119 casos e aumento de 26,84% em cinco dias
Na capital fluminense, o cenário é ainda mais pronunciado. O Centro de Inteligência Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) relatou 3.119 atendimentos possivelmente relacionados ao calor entre 9 e 13 de janeiro. Esse total, aferido em apenas cinco dias, configurou um acréscimo de 26,84% em relação à mediana histórica para o mesmo período em anos anteriores.
A elevada diferença percentual aponta que a cidade do Rio enfrentou uma curva de demanda abrupta, exigindo mobilização rápida de equipes de clínica médica, enfermagem e suporte de hidratação. A SMS associou o incremento ao pico de temperatura registrado na capital, somado à umidade relativa do ar que favorece sensação térmica superior aos índices oficiais.
A distribuição concentrada dos atendimentos na rede municipal sugere correlação direta com a densidade populacional e a predominância de áreas urbanizadas, onde o fenômeno de “ilhas de calor” geralmente intensifica os efeitos climáticos sobre a saúde.
Sintomas que levam aos atendimentos ligados ao calor
Para caracterizar um caso relacionado ao calor extremo, a SES-RJ adotou como critério clínico a manifestação simultânea de pelo menos três sintomas entre os listados a seguir:
• dor de cabeça
• tontura
• náuseas
• pele quente e seca
• pulso rápido
• temperatura corporal elevada
• distúrbios visuais
• confusão mental
• respiração rápida
• taquicardia
• desidratação
• insolação
• desequilíbrio hidroeletrolítico
O conjunto sintomático sinaliza sobrecarga térmica no organismo. A presença de temperatura corporal elevada e desequilíbrio hidroeletrolítico, por exemplo, indica que o corpo não conseguiu dispersar calor de forma eficiente, culminando em perda excessiva de água e sais minerais.
Fatores fisiológicos, como aumento do pulso e taquicardia, revelam que o sistema cardiovascular tenta compensar o déficit de resfriamento. Já a confusão mental e os distúrbios visuais sugerem que o sistema nervoso central também sofre com o estresse térmico.
Recomendações oficiais para prevenir novos atendimentos ligados ao calor
Diante do aumento dos casos, a SES-RJ divulgou um conjunto de orientações preventivas. A principal é evitar exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação térmica costuma atingir seu pico. Permanecer em ambientes ventilados ou com sistemas de resfriamento auxilia na redução da carga calórica interna.
Hidratação constante aparece como medida central. A ingestão de líquidos deve ocorrer mesmo sem sensação de sede, pois a transpiração intensa pode levar à desidratação antes do organismo sinalizar falta de água. Além disso, a pasta recomenda alimentação leve, privilegiando frutas e verduras ricas em água, ao passo que pratos gordurosos ou muito condimentados podem elevar o metabolismo e, consequentemente, a produção de calor endógeno.
A Secretaria sugere ainda a redução do consumo de cafeína e álcool. Ambas as substâncias potencializam a perda de líquidos ou interferem no mecanismo de termorregulação. No vestuário, orienta-se o uso de roupas claras, leves e de tecidos que favoreçam a ventilação, complementados por bonés ou chapéus, óculos de sol e filtro solar.
Grupos vulneráveis exigem atenção redobrada
As autoridades destacam a necessidade de priorizar segmentos considerados mais suscetíveis às complicações do calor. Entre eles estão idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças cardíacas ou diabetes, cidadãos em situação de rua e trabalhadores cujas atividades exigem permanência sob o sol.
Nesses públicos, a capacidade de regulação térmica ou de percepção dos sintomas tende a ser reduzida. Idosos, por exemplo, podem sentir menos sede mesmo em estados de desidratação; crianças possuem proporção corporal diferente, acumulando calor mais rapidamente. Já trabalhadores expostos precisam de pausas frequentes e acesso facilitado a água e sombra para evitar comprometimento da saúde.
Indicadores de gravidade que demandam busca imediata por socorro
A SES-RJ elenca critérios clínicos para identificar emergências que exigem atendimento rápido. Entre eles: alteração de nível de consciência, ocorrência de convulsões, temperatura corporal muito elevada, hipotensão persistente, sinais de desidratação grave, falta de ar, dor torácica e produção de urina inexistente ou extremamente baixa.
A orientação é dirigir-se sem demora à unidade de saúde mais próxima diante de qualquer um desses sinais. A intervenção precoce pode evitar complicações, como falência de órgãos, e reduzir o tempo de recuperação.
Com a manutenção das altas temperaturas nas próximas semanas de janeiro, a rede de saúde fluminense permanece em estado de alerta, monitorando novos atendimentos e reforçando campanhas de prevenção para minimizar os impactos diretos do calor extremo sobre a população.

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