Saldo da balança comercial brasileira atinge recorde em dezembro, mas recua no fechamento de 2025

Saldo da balança comercial brasileira atinge recorde em dezembro, mas recua no fechamento de 2025

No encerramento de 2025 o saldo da balança comercial do Brasil ficou positivo em US$ 68,293 bilhões, valor 7,9% menor que o obtido em 2024, mesmo registrando o melhor desempenho para um mês de dezembro desde o início da série histórica em 1989. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou que o país exportou US$ 348,676 bilhões e importou US$ 280,382 bilhões ao longo do ano, resultados recordes para ambas as operações.

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Saldo da balança comercial: panorama geral de 2025

O terceiro maior superávit anual em 37 anos ocorreu em um contexto de aumento simultâneo de vendas externas e compras do exterior. As exportações avançaram 3,5% frente a 2024, enquanto as importações cresceram 6,7%. O desempenho confirma a posição do período 2023-2025 como o triênio de maiores saldos já registrados, embora sinalize desaceleração após os picos de US$ 98,903 bilhões em 2023 e de US$ 74,177 bilhões em 2024.

Do ponto de vista conjuntural, o recuo em 2025 foi atribuído a dois fatores principais: a valorização das importações, impulsionada pela expansão da atividade econômica interna, e o barateamento de várias commodities, sobretudo o petróleo, que reduziu a receita de exportação mesmo com volumes embarcados mais altos.

Saldo da balança comercial e as metas oficiais superadas

As projeções oficiais do MDIC apontavam para um superávit de US$ 60,9 bilhões, com exportações estimadas em US$ 344,9 bilhões e importações previstas em US$ 284 bilhões. O resultado efetivo superou a meta em quase US$ 7,4 bilhões, devido principalmente às compras externas menores que as projetadas. As importações finalizaram o ano US$ 3,6 bilhões abaixo do teto estimado, contribuindo para elevar o excedente comercial, ainda que sem recuperar o patamar recorde dos dois anos anteriores.

Em entrevista coletiva, o titular da pasta, que também exerce a vice-presidência da República, destacou que o volume exportado pelo Brasil cresceu 5,7%, ritmo mais que o dobro da expansão do comércio global, calculada em 2,4%. A observação embasou a leitura oficial de resiliência e competitividade dos produtos brasileiros em 2025, mesmo diante do chamado “tarifaço” aplicado pelos Estados Unidos e de tensões geopolíticas.

Saldo da balança comercial em dezembro: maior valor da série histórica

A performance de dezembro foi decisiva para assegurar o terceiro maior superávit anual. O último mês do ano registrou excedente de US$ 9,633 bilhões, crescimento de 107,8% sobre dezembro de 2024 e novo recorde mensal desde 1989. No período, as exportações somaram US$ 31,038 bilhões, alta de 24,7% na comparação interanual, enquanto as importações alcançaram US$ 21,405 bilhões, avançando 5,7%.

Três dinâmicas explicam o salto no resultado mensal: recuperação da produção de petróleo, que havia enfrentado paradas programadas de plataformas em novembro; expansão expressiva dos embarques agropecuários, sobretudo soja; e incremento de volumes na indústria extrativa, a exemplo do minério de ferro. Em paralelo, as importações seguiram tendência de alta, mas em ritmo inferior ao observado nas exportações, o que manteve o saldo positivo.

Composição das exportações em 2025

A análise setorial indica que todos os grandes segmentos registraram crescimento em dezembro, refletindo, em certa medida, o comportamento do ano completo.

Agronegócio – As vendas externas do setor avançaram 43,5% no mês, resultado de aumento de 35,2% no volume e de 6,7% no preço médio. Três produtos lideraram o movimento: soja em grão, com expansão de 73,9%; café não torrado, com 52,9%; e milho não moído (exceto o doce), com 46%.

Indústria extrativa – O segmento apresentou variação positiva de 53% no valor exportado. O volume embarcado saltou 58,1%, enquanto o preço médio recuou 3,2%, situação típica de um mercado de commodities em queda de cotação. Entre os destaques estiveram os óleos brutos de petróleo, com incremento de 74%, reflexo da normalização das plataformas offshore, e o minério de ferro, cujo valor exportado cresceu 33,7%.

Indústria de transformação – As exportações desse grupo cresceram 11%, pautadas por ganho de 14,9% em volume, apesar de redução de 4,2% no preço médio. Dois itens se destacaram: carne bovina in natura, com aumento de 70,5%, e ouro não-monetário, com expansão de 88,7%, reforçando a diversificação da pauta industrial.

Destaques do crescimento das importações

Do lado das compras externas, a alta de 6,7% no acumulado anual foi interpretada pelo governo como reflexo direto da retomada da economia doméstica, que ampliou tanto o consumo quanto os investimentos.

Agronegócio importado – O valor gasto na aquisição de soja saltou 4.979,1%, enquanto trigo e centeio não moídos cresceram 24,6%. Esses números sinalizam necessidades pontuais de suprimento interno e a estratégia de equilibrar estoques ao longo do ano.

Indústria extrativa – Fertilizantes brutos (excluídos adubos formulados) lideraram com avanço de 222,4%, acompanhados pelo carvão não aglomerado, que subiu 26,3%. Ambos são insumos estratégicos para a produção agrícola e energética nacional.

Indústria de transformação – Destacaram-se os combustíveis processados, com elevação de 42,9%, e os medicamentos, inclusive veterinários, com 47,7%. O comportamento destes itens corrobora o aumento do consumo interno e a contínua demanda por bens intermediários e finais de maior valor agregado.

Setores e produtos que sustentaram o resultado

Os dados setoriais deixam claro que o avanço das exportações foi puxado majoritariamente pela combinação de maiores volumes e preços ainda elevados em algumas cadeias, especialmente na agropecuária. Entretanto, a queda nas cotações de petróleo e de determinados minérios conteve parte da receita cambial. Do lado das importações, a elevação mostra a simultaneidade de crescimento econômico e necessidade de insumos, em sintonia com a política de estimular investimentos produtivos.

Considerando os próximos passos, o balanço divulgado indica que o acompanhamento do comportamento de preços internacionais, particularmente das commodities energéticas e agrícolas, continuará determinante para o desempenho do comércio exterior brasileiro. Além disso, o impacto do “tarifaço” aplicado sobre os produtos nacionais nos Estados Unidos permanece no radar, podendo influenciar os embarques em 2026.

A próxima divulgação oficial de estatísticas do MDIC está programada para o início do próximo mês, quando serão apresentados os números preliminares de janeiro de 2026, primeiro indicador da balança comercial no novo ano.

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