Romances de hóquei: como o subgênero literário virou fenômeno antes dos memes e das Olimpíadas

Romances de hóquei: como o subgênero literário virou fenômeno antes dos memes e das Olimpíadas
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Romances de hóquei ganharam manchetes durante o ciclo que antecede as próximas Olimpíadas de Inverno, mas o interesse por essas narrativas não é novidade: a popularidade já era expressiva nos mercados literários do Canadá e dos Estados Unidos, espalhando-se para o Brasil muito antes de qualquer meme ou viral de rede social.

Índice

Origens dos romances de hóquei no mercado norte-americano

O subgênero concentra-se principalmente em países onde o esporte é tradição, como Canadá e Estados Unidos. Nesse cenário, o hockey romance passou a reunir leitores fiéis graças à combinação de enredo esportivo, rivalidades em rinques e relações amorosas carregadas de tensão. A escritora canadense Elle Kennedy despontou como um dos nomes mais influentes ao publicar, há dez anos, a série “Amores Improváveis”, ambientada em um time universitário. A saga, lançada pelo selo Paralela da Companhia das Letras, abriu caminho para sequências como “Briar U”, “Campus Diaries” e a duologia “Ele e Nós”, todas interligadas no mesmo universo competitivo.

Os números refletem a força comercial: somadas, essas obras ultrapassam 600 mil exemplares vendidos. O êxito demonstrou que havia público além das fronteiras tradicionalmente geladas, preparando terreno para traduções em diferentes idiomas e para futuras adaptações audiovisuais.

A chegada dos romances de hóquei ao Brasil

No Brasil, país sem neve e com pouca tradição no esporte, o gênero começou a circular em 2014, quando a Paralela iniciou a publicação de Elle Kennedy. Desde então, o interesse do público leitor avançou, favorecendo a importação de novos títulos. Entre eles, destaca-se “Rivalidade Ardente”, de Rachel Reid. A obra, lançada primeiramente no Canadá, aborda o relacionamento entre dois atletas que, além de rivais em plena temporada, enfrentam o desafio extra de viver um romance homoafetivo em um ambiente ainda marcado pelo tabu. Antes mesmo de chegar às prateleiras brasileiras, a Globo Livros multiplicou por cinco a tiragem inicial, sinal de demanda firme e crescente.

A editora também apostou na série “Off the Ice”, da canadense Bal Khabra, confirmando que há espaço para mais autores dentro do nicho. Paralelamente, a Verus, do Grupo Record, apresentou “Sapatilhas de Gelo”, de Babi A. Sette, uma das raras vozes brasileiras a se aventurar na temática.

Como os romances de hóquei viralizaram nas redes sociais

O salto do subgênero para o topo das listas de mais lidos também passa pela internet. Plataformas como TikTok e Instagram impulsionam campanhas de leitores que produzem montagens de atletas reais para personificar protagonistas literários, prática conhecida como face claim. Esse recurso visual, ao aproximar ficção e realidade, reforça a conexão emocional e estimula novos públicos a conhecerem os livros.

No entanto, em 2023, a estratégia expôs dilemas. O jogador Alex Wennberg, do Seattle Kraken, foi associado repetidamente a personagens fictícios, gerando piadas de conotação sexual que se expandiram além dos limites da comunidade de fãs. A participação inicial e descontraída do atleta tornou-se incômodo após a esposa dele denunciar objetificação e ataques pessoais. O episódio revelou riscos de assédio quando a barreira entre ficção e vida real se dilui.

Personagens, arquétipos e construção de masculinidades

Um dos pontos que sustentam a audiência dos romances de hóquei é a figura do atleta como protagonista. O esporte, reconhecido pela fisicalidade e permissão oficial de brigas em rinques, oferece ao leitor um personagem ao mesmo tempo forte e vulnerável. A masculinidade convencional emerge em cenas de treino intenso e confrontos corporais, mas a narrativa também explora momentos íntimos de fragilidade, desejo e dúvida. Essa dualidade rende conflitos internos robustos, importante motor dramático para quem busca mais do que a descrição de jogadas.

A escritora Lynn Painter, dos Estados Unidos, optou por deslocar esse arquétipo para o ambiente do Ensino Médio em “Patinando no Amor”. Diferentemente de obras que priorizam o erotismo adulto, o livro foca a descoberta de sentimentos na juventude, provando que o filão permite variações etárias e tons narrativos.

Do papel às telas: adaptações em série e perspectivas comerciais

A travessia do texto escrito para formatos audiovisuais reforça o ciclo de retroalimentação entre literatura, streaming e redes sociais. “Rivalidade Ardente” já se transformou em série e ampliou a visibilidade internacional do livro. O conglomerado Prime Video segue a mesma direção ao desenvolver a adaptação de “Amores Improváveis”, enquanto a Paralela prepara uma edição especial da obra-original para coincidir com a estreia.

Para as editoras, o esporte oferece mais do que mero pano de fundo: o calendário competitivo cria marcos narrativos inquestionáveis, como finais de campeonato, treinos exaustivos e transferências de atletas. Esses momentos geram suspense orgânico e dão ao leitor objetivos claros, mantendo o ritmo de leitura elevado.

Cadeia produtiva: editoras, autores e leitores em sinergia

A dinâmica comercial envolve diversos selos. A Alt, pertencente à Globo Livros, administra a publicação de Rachel Reid e enxerga nas relações de rivalidade fundidas ao romance um atrativo adicional. Já a Intrínseca investe em Lynn Painter, observando o potencial de engajamento de vídeos curtos que unem cenas de partidas reais a trechos literários.

No lado autoral, Elle Kennedy mantém posto de maior vendedora da Paralela, enquanto Bal Khabra encontra espaço crescente no catálogo da Globo Livros. A brasileira Babi A. Sette, por sua vez, reforça a importância de pesquisa e fidelidade técnica para traduzir as regras de um esporte pouco praticado no país, adicionando autenticidade para o leitor local.

As leitoras — público majoritário segundo as equipes editoriais envolvidas — mostram preferência por histórias onde o romance se equilibra entre tensão sexual, cumplicidade e superação pessoal. Esse panorama impulsiona novas aquisições e reimpressões frequentes, como demonstra a tiragem quintuplicada de “Rivalidade Ardente”.

Próximos passos do fenômeno literário

Com a série “Amores Improváveis” programada para chegar ao catálogo da Prime Video e a edição especial do livro em fase de produção pela Paralela, a tendência é que a demanda por romances de hóquei se intensifique, confirmando a vitalidade do subgênero nos meses que antecedem os Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026.

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