Rita Lee na Sapucaí: como a Mocidade transformará a Rainha do Rock em padroeira da liberdade no Carnaval 2026

Rita Lee na Sapucaí: como a Mocidade transformará a Rainha do Rock em padroeira da liberdade no Carnaval 2026
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Rita Lee, ícone do rock brasileiro e reconhecida por uma carreira marcada pela irreverência, será celebrada como “padroeira da liberdade” no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, primeira escola a entrar na Marquês de Sapucaí na segunda noite do Grupo Especial do Rio de Janeiro, em 16 de fevereiro de 2026.

Índice

Rita Lee e a escolha como enredo libertário

A definição do enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade” foi anunciada em 22 de maio do ano passado, mesma data em que se comemora Santa Rita de Cássia, figura venerada como santa das causas impossíveis. A coincidência simbólica reforçou o caráter libertário da proposta idealizada pelo carnavalesco Renato Lage, profissional que contabiliza quatro títulos no Grupo Especial, três deles pela própria Mocidade.

Segundo a sinopse distribuída à comunidade, a artista paulista (1947-2023) chega ao “templo do samba” para misturar elementos aparentemente distantes — rock e samba — em uma única narrativa de celebração popular. O texto oficial descreve a cantora como “sopro libertário” que, com seu “roque enrow”, refrescou e modificou a cena musical brasileira por meio de humor, ousadia e contestação.

A trajetória de Rita Lee do rock ao samba

A relação de Rita Lee com o samba não é eventual. A cantora gravou, ao lado de João Gilberto, a faixa “Joujoux e Balangandãs”, de Lamartine Babo, e compôs “Brasil é com S”, também interpretada por João Gilberto. Em parceria com Roberto de Carvalho, seu companheiro de vida e palco, assinou o samba “Tum Tum”, lançado no álbum “Santa Rita de Sampa” (1997), cujo refrão sublinha a coexistência de contrários: “Existem sempre os dois lados da questão”.

Outras incursões pelo universo carnavalesco incluem a gravação de “Samba do Arnesto”, clássico de Adoniran Barbosa em conjunto com o grupo Demônios da Garoa, além da marchinha “Frou Frou”, igualmente composta com Roberto de Carvalho. A afinidade com Carmen Miranda, artista que ela costumava imitar em apresentações como “I Like You So Much”, corrobora a versatilidade que a tornou figura adequada para uma narrativa de avenida.

Samba-enredo celebra Rita Lee na Sapucaí

Treze parcerias de compositores apresentaram sambas à comunidade. Após etapas eliminatórias, o hino oficial foi escolhido em setembro. Assinam a obra Jeffinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax. A letra reforça a ideia de que “quem foge ao padrão vence a regra”, conceito alinhado ao histórico de provocação da homenageada.

O intérprete oficial do desfile será Igor Vianna, estreante na agremiação, mas herdeiro de tradição familiar: seu pai, Ney Vianna (1942-1989), defendeu a Mocidade nos carnavais das décadas de 1970 e 1980 e foi voz campeã em 1985, no enredo “Ziriguidum 2001”.

Mocidade Independente: histórico e posição no Carnaval 2026

Fundada em Padre Miguel, zona oeste do Rio, a Mocidade soma seis títulos no Grupo Especial: 1979, 1985, 1990, 1991, 1996 e 2017. Em 2026, a escola será a primeira a desfilar na segunda-feira, 16 de fevereiro, quando dividirá a Sapucaí com Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. A ordem coloca a Verde e Branca na responsabilidade de abrir a noite e estabelecer o ritmo das apresentações que se seguirão.

A proposta de reunir rock, samba e mensagens de liberdade situa a Mocidade em sintonia com um conjunto de escolas que, nos últimos anos, optou por exaltar personalidades transformadoras. Na mesma temporada, outros enredos destacam figuras como Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca) e Lula, o Operário do Brasil (Acadêmicos de Niterói), apontando para um carnaval voltado a narrativas de superação e mudança de paradigmas.

Comissão de frente e concepção artística

A comissão de frente, sob a responsabilidade do coreógrafo Marcelo Misailidis, combinará linguagem de balé clássico com elementos do rock teatralizado de Rita Lee. Para Misailidis, a Sapucaí configura “uma grande ópera a céu aberto”, capaz de integrar cenografia, música, indumentária e dança em escala monumental. Sua experiência prévia no Sambódromo e formação técnica credenciam a proposta de traduzir a atitude contestadora da cantora em movimento coreográfico.

O carnavalesco Renato Lage, por sua vez, articula alegorias que prometem dialogar com grandes cenários da carreira da artista, como o período ao lado dos Mutantes e as fases solo marcadas por figurinos extravagantes. Ainda segundo a sinopse, a escola deve recriar referências visuais associadas a álbuns e canções de sucesso, mantendo foco na noção de liberdade, palavra-chave do enredo.

Família de Rita Lee na avenida

Roberto de Carvalho, viúvo da cantora, confirmou presença no desfile e declarou intenção de levar toda a família ao cortejo. Em visita ao barracão durante a fase de concepção, relatou sentir um “astral” positivo no trabalho da comunidade de Padre Miguel. A participação direta do parceiro musical reforça o vínculo afetivo entre enredo e homenageada.

Calendário e expectativas pós-desfile

Após a apresentação da Mocidade em 16 de fevereiro de 2026, o calendário do Grupo Especial prosseguirá com Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca na mesma noite. O resultado oficial do Carnaval será divulgado na quarta-feira de Cinzas, quando se conhecerá a performance de “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade” frente à avaliação dos jurados.

Com o enredo que une rock, samba e a trajetória de uma artista reconhecida nacionalmente, a comunidade de Padre Miguel aposta na força simbólica de Rita Lee para buscar o sétimo título de sua história e estabelecer diálogo cultural entre diferentes públicos que orbitam a Sapucaí.

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