Ressaca do mar obriga bombeiros a realizar 547 salvamentos em Copacabana e Leme na virada do ano

Ressaca do mar associada a ondas de até 2,5 metros obrigou o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro a executar, entre a manhã de 31 de dezembro e as 6 h de 1º de janeiro, 547 salvamentos nas praias de Copacabana e Leme, na zona sul da capital fluminense. O total representa um salto expressivo em relação à passagem anterior de ano, quando haviam sido contabilizados 29 resgates no mesmo trecho de orla.
- Dimensão do problema: ressaca do mar impulsiona recorde de salvamentos
- Comparação histórica: salto em relação à virada anterior
- Fatores de risco: ressaca do mar, calor e desobediência às bandeiras
- Estrutura de resposta: helicópteros, motos aquáticas e postos reforçados
- Busca contínua: jovem desaparecido na arrebentação
- Prevenção reforçada: ressaca do mar deve persistir até domingo
- Crianças perdidas: orientação de identificação e vigilância
- Operação Verão: ampliação de efetivo e cobertura de orla
- Próximos passos: monitoramento da ressaca do mar e manutenção do efetivo reforçado
Dimensão do problema: ressaca do mar impulsiona recorde de salvamentos
No intervalo de menos de 24 horas, quase seis centenas de banhistas precisaram de auxílio direto dos guarda-vidas. Ao longo do período analisado, a corporação registrou 840 atendimentos em todo o estado, número que inclui resgates no mar, ocorrências por mal-súbito em areia e apoio a crianças perdidas. A concentração de casos em Copacabana e Leme indicou o impacto específico da ressaca do mar nas praias mais procuradas para a celebração do Réveillon.
Comparação histórica: salto em relação à virada anterior
Os 547 salvamentos efetuados nas duas praias superaram em quase 19 vezes a marca observada na transição de 2024 para 2025. Em termos absolutos, o estado passou de algumas dezenas para centenas de ocorrências de afogamento em um único evento anual. Esse contraste evidencia como as condições marítimas adversas, combinadas ao calor intenso, potencializaram o risco para quem insistiu em entrar na água.
Fatores de risco: ressaca do mar, calor e desobediência às bandeiras
De acordo com a corporação, três elementos se juntaram para ampliar as emergências. Primeiro, a forte ressaca do mar trouxe ondulação elevada, correntes de retorno e valas formadas na arrebentação. Segundo, as altas temperaturas atraíram grande quantidade de frequentadores, muitos buscando alívio rápido no oceano. Terceiro, houve desrespeito às instruções visuais e sonoras: banhistas ignoraram as bandeiras vermelhas indicativas de perigo, entraram na água mesmo após apitos de advertência e, em alguns casos, tentaram cumprir a tradição de pular sete ondas, prática que os bombeiros haviam desaconselhado.
Estrutura de resposta: helicópteros, motos aquáticas e postos reforçados
Para enfrentar o pico de ocorrências, a corporação acionou uma ampla gama de recursos. Helicópteros pousaram na faixa de areia para içar vítimas que já se encontravam em áreas de difícil acesso, enquanto motos aquáticas percorreram a zona de arrebentação para recolher banhistas arrastados pelas correntes. Nas areias, guarda-vidas posicionados em postos fixos e móveis realizaram resgates diretos, muitas vezes a poucos metros de onde estavam instalados os palcos dos shows da virada. A operação contou ainda com 38 trailers deslocáveis, possibilitando cobertura em trechos tradicionalmente sem base permanente.
Busca contínua: jovem desaparecido na arrebentação
Durante a própria tarde de 31 de dezembro, um adolescente de 14 anos, morador de Campinas (SP), foi levado pela correnteza na mesma área de Copacabana. As equipes permanecem mobilizadas, utilizando mergulhadores, motos aquáticas para varredura, embarcação inflável dotada de sonar para mapeamento do fundo, drones de sobrevoo e helicópteros que fazem rastreamento costeiro diurno e noturno. O esforço ocorrerá, segundo a corporação, de forma ininterrupta até que o corpo seja localizado, aliviando a angústia da família.
Prevenção reforçada: ressaca do mar deve persistir até domingo
A previsão indica manutenção da ondulação forte ao longo dos próximos dias, com maré cheia e vento contribuindo para correntes de retorno. Até o domingo seguinte, recomenda-se atenção às cores das bandeiras: vermelho sinaliza proibição de banho; amarelo indica atenção redobrada; verde representa condição mais segura, mas não isenta de risco. Crianças e idosos tornam-se especialmente vulneráveis; ondas podem derrubá-los mesmo em área rasa, arrastando-os para pontos mais fundos.
Crianças perdidas: orientação de identificação e vigilância
Além dos afogamentos, um problema recorrente envolve a dispersão de menores. Entre 31 de dezembro e 1º de janeiro, 35 crianças foram localizadas após se separarem dos responsáveis. Em todo o ano anterior, o estado acumulou mais de 3,3 mil registros semelhantes. Para minimizar episódios, os bombeiros sugerem pulseiras de identificação com nome e telefone, vigilância constante a uma distância máxima de um metro e abstinência de distrações como uso prolongado de celular ou consumo excessivo de álcool.
Operação Verão: ampliação de efetivo e cobertura de orla
Desde 19 de dezembro, percebendo o aumento do fluxo de banhistas, o Corpo de Bombeiros mantém a Operação Verão. O plano adicionou mais de 5,4 mil vagas de guarda-vidas em regime extra — avanço sobre as 3,5 mil disponibilizadas na temporada anterior — e instalou postos novos em trechos antes desguarnecidos. Adicionalmente, drones equipados com alto-falantes emitem mensagens sonoras para alertar sobre a proibição de banho noturno, considerada especialmente perigosa pela reduzida visibilidade e pela dificuldade de localização de vítimas.
Próximos passos: monitoramento da ressaca do mar e manutenção do efetivo reforçado
Com a expectativa de que a ressaca do mar se prolongue até o domingo subsequente, o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro continuará mobilizando helicópteros, motos aquáticas, mergulhadores e unidades móveis ao longo de toda a orla, mantendo também as buscas pelo adolescente desaparecido em Copacabana.

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