Resgates no mar do RJ ultrapassam mil ocorrências: dicas vitais para um banho de mar seguro

|
Getting your Trinity Audio player ready... |
No primeiro grande fim de semana de foliões em 2026, os resgates no mar do RJ ultrapassaram a marca de mil ocorrências, segundo levantamento do Corpo de Bombeiros Militar do Estado. Entre a sexta-feira, 13, e a manhã da terça-feira, 17, guarda-vidas distribuídos pelas praias fluminenses atuaram continuamente para retirar banhistas de situações de risco, cenário que levou a corporação a reforçar o efetivo em toda a orla.
- Resgates no mar do RJ: balanço do Corpo de Bombeiros desde o início do carnaval
- Resgates no mar do RJ: como o reforço de efetivo foi distribuído nas praias
- Resgates no mar do RJ: tecnologia com drones amplia alcance dos salva-vidas
- Resgates no mar do RJ: entenda o sistema de bandeiras e evite áreas de risco
- Resgates no mar do RJ: principais recomendações contra afogamentos
O dado de mais de mil pessoas salvas representa o primeiro retrato oficial do feriado prolongado, quando o volume de turistas e habitantes locais cresce de maneira expressiva nas zonas costeiras. A corporação informa que o número engloba todas as praias do estado, abrangendo tanto a capital quanto municípios da Região dos Lagos, Costa Verde e Baixada Litorânea. Ainda não foi divulgado o comparativo com o mesmo período do ano anterior, mas a corporação atribui o aumento das ocorrências à combinação de calor intenso, mar agitado e alta concentração de banhistas típicos do carnaval.
Além das ações de salvamento propriamente ditas, o balanço inclui atendimentos pré-hospitalares prestados na areia a vítimas de exaustão térmica, pequenos cortes provocados por pedras e ocorrências envolvendo consumo de álcool. Ao reunir todas essas frentes, o Corpo de Bombeiros reforça a complexidade logística de vigiar uma faixa litorânea que, no estado, supera 600 quilômetros de extensão.
Resgates no mar do RJ: como o reforço de efetivo foi distribuído nas praias
Para enfrentar a demanda sazonal, a corporação deslocou equipes extras formadas por bombeiros militares, guarda-vidas civis e alunos em estágio supervisionado. O efetivo foi posicionado em postos fixos, torres-guaritas e, especialmente, em postos móveis — estruturas retiradas de zonas de menor movimento e reinstaladas onde o fluxo de veranistas é mais intenso. Esses módulos, montados sobre plataformas que podem ser transportadas por viaturas, permitem uma resposta rápida a alterações repentinas no comportamento do mar ou à mudança da direção dos ventos que formam correntes de retorno.
No litoral da capital, a Praia de Copacabana e o trecho do Recreio dos Bandeirantes receberam atenção especial, pois concentram grande número de blocos carnavalescos à beira-mar. Já em Niterói, as praias de Itacoatiara e Camboinhas exigiram reforço devido ao perfil geográfico mais recortado, onde valas e costões expõem banhistas a ondas de impacto elevado. Mesmo com a redistribuição dos profissionais, a corporação manteve o mínimo operacional em trechos historicamente mais tranquilos para não desguarnecer áreas residenciais que também registram afogamentos fora da zona turística.
Resgates no mar do RJ: tecnologia com drones amplia alcance dos salva-vidas
Uma das principais apostas estratégicas deste verão, de acordo com a corporação, é a utilização de drones de alta resolução equipados com câmeras térmicas. Esses equipamentos sobrevoam setores pré-definidos do litoral e fornecem imagens em tempo real para centrais de monitoramento situadas em quiosques ou em viaturas de apoio. As câmeras térmicas destacam mudanças de temperatura da superfície da água, permitindo identificar com rapidez pessoas submersas ou com dificuldades de flutuação.
Segundo o porta-voz da corporação, major Fábio Contreiras, os drones também servem para detectar formações de valas — depressões no fundo que podem gerar correntes de retorno — e para avaliar a dispersão dos banhistas ao longo da faixa de arrebentação. Essas informações, compartilhadas entre as equipes, aumentam a precisão na escolha dos pontos onde os postos móveis devem ser instalados. Com apenas alguns minutos de reposicionamento, um grupo de guarda-vidas consegue cobrir um setor antes descoberto, elevando a probabilidade de intervenção nos primeiros instantes de um afogamento.
Além do monitoramento aéreo, pranchas de resgate, nadadeiras especiais e boias torpedo permanecem como ferramentas padrão. A combinação de tecnologia e equipamentos clássicos, segundo a corporação, proporcionou redução no tempo médio de deslocamento até as vítimas, fator crítico para evitar que incidentes evoluam para casos de parada cardiorrespiratória.
Resgates no mar do RJ: entenda o sistema de bandeiras e evite áreas de risco
Grande parte dos afogamentos registrados durante o período de carnaval ocorreu em trechos sinalizados com bandeira vermelha, de acordo com o relatório preliminar. Essa cor indica perigo alto devido à presença de correntes ou profundidade irregular logo após a linha de arrebentação. O major Contreiras reforça que o banhista deve priorizar áreas com bandeira verde, onde o mar está considerado propício para banho sob supervisão de guarda-vidas.
Os guarda-vidas explicam que a atenção deve ser redobrada nos momentos de maré vazante, quando a velocidade da água que retorna ao oceano aumenta e forma o que é popularmente chamado de “correção”. Se o banhista for surpreendido por esse fluxo, recomenda-se nadar lateralmente, paralelo à costa, até retomar uma zona de ondas que impulsione de volta à parte rasa. Caso a pessoa não saiba nadar ou esteja exausta, a orientação é levantar um dos braços acima da cabeça e balançá-lo, gesto padronizado que sinaliza necessidade de socorro imediato.
Outro foco de atenção são os costões rochosos. A corporação registra ocorrências não apenas de quem mergulha a partir das pedras, mas também de pessoas que param por segundos para fotografar a paisagem. Uma onda mais forte pode desestabilizar o turista, projetá-lo contra superfícies cortantes e arrastá-lo para áreas profundas, onde o acesso dos salva-vidas fica dificultado.
Resgates no mar do RJ: principais recomendações contra afogamentos
Entre os fatores de risco destacados pelo Corpo de Bombeiros, dois se sobressaem: consumo de bebidas alcoólicas e mergulhos noturnos. O álcool reduz reflexos motores, altera a percepção da temperatura da água e compromete a capacidade de julgamento, elementos que elevam a probabilidade de afogamentos mesmo em trechos de mar aparentemente calmos. À noite, a visibilidade limitada impede que banhistas identifiquem correntes ou obstáculos submersos, cenário que dificulta também o trabalho de busca.
Para minimizar incidentes, o major Contreiras recomenda medidas simples:
• Mantenha-se sempre a menos de cinquenta metros de um posto de guarda-vidas.
• Observe a cor da bandeira antes de entrar na água; em caso de dúvida, consulte o agente mais próximo.
• Evite mergulhar após refeições pesadas ou ingestão de álcool.
• Não ultrapasse a linha onde os pés ainda tocam o solo, sobretudo em praias com declive acentuado.
• Redobre a atenção com crianças, mantendo-as sob vigilância constante e utilizando coletes apropriados.
Essas orientações, reforça o oficial, valem para moradores e turistas, independentemente do nível de experiência em natação. O próprio Corpo de Bombeiros alerta que a maior parte dos afogamentos envolve pessoas que subestimam a força do mar ou acreditam conhecer o ponto exato das correntes.
Em toda a operação especial, a corporação mantém estatísticas em tempo real para ajustar a escala de serviço. A expectativa é que o volume de ocorrências se mantenha elevado até o fim do carnaval, quando a migração de foliões para blocos terrestres reduz a pressão sobre as praias. O próximo boletim completo de resgates no mar do RJ será divulgado assim que as equipes encerrarem o plantão do feriado prolongado.

Conteúdo Relacionado