Rastro luminoso no céu dos EUA é causado pela reentrada da cápsula Dragon da SpaceX

Rastro luminoso no céu dos EUA é causado pela reentrada da cápsula Dragon da SpaceX
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Um feixe azulado e esverdeado cortou a madrugada do dia 15 de janeiro sobre o Oeste dos Estados Unidos. O fenômeno, que muitos moradores compararam a um meteoro, foi provocado pela reentrada da cápsula Dragon da SpaceX, veículo que transportava os quatro integrantes da missão Crew-11 de volta à Terra após deixar a Estação Espacial Internacional (ISS).

Índice

O que exatamente foi observado durante a madrugada

Relatos provenientes de cidades californianas como Burbank, bem como registros de localidades vizinhas, apontam para um rastro luminoso de alta intensidade cruzando o firmamento por vários segundos. A tonalidade predominantemente azulada, com nuance esverdeada, chamou atenção de quem estava ao ar livre naquele momento. Embora comparado a um bólido ou meteorito, o objeto não se fragmentou nem seguiu em direção ao solo continental; tratava-se, de fato, da nave Crew Dragon Endeavour abrindo trajetória para o Oceano Pacífico.

As imagens divulgadas em redes sociais mostram a luminosidade atravessando o céu em aparente velocidade moderada. Essa impressão ocorre porque a observação é feita a grande distância e em ângulos oblíquos; na realidade, o veículo se deslocava a mais de 8 quilômetros por segundo, valor típico de objetos que deixam a órbita terrestre baixa.

Como a cápsula Dragon da SpaceX produz o rastro luminoso

Durante a reentrada, a cápsula Dragon da SpaceX enfrenta uma barreira de ar cada vez mais densa. O movimento supersônico comprime violentamente as moléculas de gás à frente do escudo térmico. Essa compressão adiabática eleva a temperatura do ar a ponto de ionizar os átomos, gerando plasma. O plasma emite luz em comprimentos de onda que variam conforme o tipo de gás excitado; por isso se observam matizes que alternam entre azul, verde e às vezes alaranjado.

A espaçonave possui um escudo ablativo projetado para suportar esse ambiente extremo, dissipando calor por sublimação controlada do material. Enquanto o exterior atinge temperaturas suficientes para vaporizar metais leves, o interior mantém condições seguras para os tripulantes. A fase de maior brilho visual coincide com altitudes onde a densidade atmosférica já é suficiente para produzir atrito visível, mas ainda baixa o bastante para prolongar a emissão luminosa por vários segundos.

Missão Crew-11: cronologia do retorno antecipado

A Crew-11 havia partido da ISS na noite de 14 de janeiro, aproximadamente às 19h20 pelo horário de Brasília, cerca de 1 hora e 30 minutos após o fechamento da escotilha. O desacoplamento marcou o início de um trajeto de várias órbitas em direção ao ponto de reentrada calculado. O retorno não estava programado originalmente para essa data; a decisão foi tomada depois que um dos quatro astronautas apresentou um quadro de saúde que não poderia ser adequadamente tratado no laboratório orbital.

Seguindo protocolos médicos de voo espacial, nem a NASA nem parceiros internacionais revelaram o nome do membro da tripulação afetado, limitando-se a informar que a pessoa permanece estável. Essa transparência parcial respeita políticas de privacidade, ao mesmo tempo em que confirma a eficácia de evacuação médica de longa distância, um elemento essencial para missões de duração estendida.

O quarteto era formado pela comandante Zena Cardman e pelo piloto Mike Fincke, ambos da NASA, pelo especialista de missão Kimiya Yui, representante da agência japonesa JAXA, e pelo cosmonauta Oleg Platonov, integrante da Roscosmos. Após a desatracação, a Crew Dragon executou queimas de motor para reduzir paulatinamente sua velocidade orbital, configurar a atitude correta de penetração atmosférica e alinhar o vetor de descida rumo ao Pacífico.

Procedimentos de reentrada, amerissagem e resgate

A fase crítica começou quando o software de bordo comandou o ângulo de ataque ideal para o escudo térmico frontal. O feixe luminoso visível do solo coincidiu com o período de blackout de comunicações, fenômeno em que a camada de plasma ionizado bloqueia sinais de rádio. Minutos depois, já em camadas mais densas e com velocidade reduzida, o sistema de paraquedas foi ativado em várias etapas: pequenos drogue chutes abriram caminho para os velames principais, responsáveis por desacelerar a cápsula a poucos metros por segundo.

O toque na superfície do Pacífico ocorreu por volta das 5h40, também no horário de Brasília, nas proximidades de San Diego, Califórnia. Em seguida, lanchas rápidas aproximaram-se para garantir a estabilização da cápsula. Uma embarcação de maior porte içou o veículo para convés, permitindo o desembarque dos tripulantes. Avaliações médicas iniciais confirmaram que todos estavam em boas condições, inclusive o astronauta que motivou o retorno abreviado.

Consequências operacionais para a ISS e próximos passos

A Estação Espacial Internacional permanece ocupada ininterruptamente desde novembro de 2000. O retorno antecipado da Crew-11 representa o primeiro caso em que uma questão de saúde exigiu a evacuação de uma tripulação completa antes do cronograma. Mesmo assim, a plataforma orbital continua operando com apoio de outras naves atracadas, mantendo experimentos e manutenção programada.

Em comunicado, a NASA salientou que a contingência médica não altera planos mais amplos, incluindo o cronograma de retornos à Lua dentro do programa Artemis. A agência reforçou ainda que os protocolos testados nesta ocasião servirão de referência para viagens de duração maior, nas quais a redundância em cuidados médicos se torna crucial.

Para a SpaceX, o evento comprova novamente a capacidade de reutilização da cápsula Dragon da SpaceX; a Endeavour já havia voado em missões anteriores e deverá passar por inspeções antes de ser eventualmente escalada para um novo lançamento. Quanto à ISS, o próximo marco logístico previsto é a chegada de outra tripulação de reposição, mantendo o rodízio que garante presença humana contínua em órbita.

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