Promessas e atrasos: situação dos hospitais no DF e a negação de Ibaneis Rocha

Promessas e atrasos: situação dos hospitais no DF e a negação de Ibaneis Rocha
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O debate sobre os hospitais no DF ganhou novo fôlego depois de o governador Ibaneis Rocha, reeleito em 2022, declarar que “em momento algum” teria prometido entregar cinco novas unidades durante o mandato em curso. Documentos oficiais e entrevistas anteriores, porém, indicam que ao menos três hospitais regionais foram anunciados para conclusão em até dois anos após a reeleição, com a inclusão de mais duas obras em falas posteriores e no plano de governo. Nenhuma das cinco estruturas foi inaugurada até o início de 2026.

Índice

Promessas públicas de novos hospitais no DF

Durante a campanha e logo após a vitória eleitoral de 2022, Ibaneis Rocha apresentou cronogramas que previam a construção de três hospitais regionais: Recanto das Emas, São Sebastião e Guará. Em entrevistas concedidas à televisão, essas entregas foram estipuladas para ocorrer em um prazo de dois anos. Meses depois, outras falas oficiais incluíram o compromisso de erguer um novo Hospital Regional no Gama. Paralelamente, o próprio plano de governo registrou a meta de concluir o Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat, que já contava, segundo o documento, com obras iniciadas.

Somadas, as cinco construções formam o núcleo das expectativas criadas para a expansão da rede pública de saúde no Distrito Federal. Embora o governador afirme atualmente que os projetos são “estruturantes” e podem ultrapassar mandatos, a população tem cobrado a execução dos prazos originalmente divulgados. Esses prazos não foram cumpridos, o que gerou questionamentos à Secretaria de Saúde do DF, responsável pelo acompanhamento das obras.

Em resposta, a pasta confirmou que as cinco unidades não ficarão prontas até o fim do atual mandato, estabelecendo um novo horizonte de três anos para entrega. Os projetos, segundo o governo, seguem com recursos assegurados, mas ainda dependem de etapas de documentação, licitação ou autorização de órgãos financiadores.

Status atual das obras dos cinco hospitais no DF

A situação de cada um dos hospitais no DF revela diferentes estágios de avanço, porém todos distantes da conclusão:

Hospital do Recanto das Emas: executou apenas 3,09% do contrato de R$ 133,7 milhões. A administração aguarda documentação técnica com o cronograma atualizado.

Hospital Ortopédico do Guará: registrou 2,19% de execução do contrato estimado em R$ 174 milhões e também espera documentação complementar para prosseguir.

Hospital de São Sebastião: não teve obras iniciadas. A ordem de serviço depende de autorização da Caixa Econômica Federal. O contrato está avaliado em R$ 165,9 milhões.

Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat: ainda na fase de licitação, com previsão de abertura de propostas em 11 de fevereiro de 2026. O valor estimado é de R$ 374,1 milhões.

Novo Hospital Regional do Gama: encontra-se na fase de elaboração de projetos pela Novacap, sem canteiro de obras instalado. O custo previsto é de R$ 360 milhões.

Apesar de distintos, os cinco empreendimentos compartilham entraves burocráticos, como pendências de cronogramas, autorizações financeiras e definição de empreiteiras responsáveis. Esses fatores impediram que qualquer edificação atingisse estágio significativo de construção física.

Investimentos previstos e número de leitos nos hospitais no DF

Somando-se todos os contratos, o montante destinado aos cinco hospitais no DF ultrapassa R$ 1,2 bilhão. Caso finalizados, eles acrescentariam 704 leitos à rede pública — número relevante frente à demanda crescente da capital federal. O Hospital Oncológico Jofran Frejat, por exemplo, traria leitos direcionados ao tratamento do câncer, ampliando a oferta de cuidados de alta complexidade. Já o Hospital Ortopédico do Guará, com perfil especializado, poderia desafogar unidades que hoje concentram casos traumatológicos.

A distribuição geográfica das futuras unidades tenta contemplar regiões administrativas com alta densidade populacional, como Recanto das Emas e Gama, além de bairros em rápida expansão, a exemplo de São Sebastião e Guará. Em conjunto, a estratégia desenhada pela Secretaria de Saúde buscaria reduzir deslocamentos de pacientes e garantir atendimento mais próximo às comunidades.

Na prática, porém, a ausência de obras avançadas mantém a rede dependente dos 15 hospitais públicos já em funcionamento, muitos deles operando com sobrecarga. Relatos recentes de superlotação e falta de estrutura no Hospital do Gama evidenciam a pressão diária sobre o sistema.

Situação das Unidades Básicas de Saúde

Além dos hospitais em atraso, o governo local incluiu em seu programa a construção de 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) durante o segundo mandato. Até o início de 2026, apenas três foram entregues: Santa Maria (Tipo 2), Chapadinha em Brazlândia (Tipo 1) e Ponte Alta (Tipo 1). Os valores das obras variam entre R$ 5,9 milhões e R$ 10,6 milhões.

Duas outras UBSs estão com canteiro ativo. A unidade do Incra 8, também em Brazlândia, tem 53,97% concluídos e previsão de finalização para março de 2026, ao custo estimado de R$ 12 milhões. Na Estrutural, a obra encontra-se em cerca de 27% e promete ser entregue em maio do mesmo ano, com valor próximo a R$ 11,3 milhões.

O cenário se torna mais complexo ao se avaliar as 19 UBSs que permanecem em fases preliminares de documentação ou licitação. Entre elas, projetos em Águas Claras, Vicente Pires, Planaltina, Sol Nascente e Itapoã ainda não ultrapassaram a etapa de análise técnica. Os orçamentos projetados para cada unidade variam entre R$ 6 milhões e R$ 19,9 milhões, e não há data consolidada para o início das obras físicas.

Essas unidades têm papel fundamental por oferecer atenção primária, porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Sem elas, a procura por prontos-socorros aumenta, agravando a lotação dos hospitais regionais já existentes.

Andamento das Unidades de Pronto Atendimento

Na esfera de média complexidade, sete Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) compõem a carteira de obras. Até o momento, nenhuma foi concluída no segundo mandato. As últimas inaugurações ocorreram entre 2021 e 2022.

Atualmente, seis UPAs estão em construção — Águas Claras, Água Quente, Sol Nascente, Guará, Estrutural e Taguatinga Sul — e uma (Arapoanga) aguarda assinatura contratual. O percentual de execução das obras já iniciadas varia de 7% a 26%, considerando a extensão total do projeto, com previsão de entrega distribuída entre o primeiro semestre e o final de 2026. Cada unidade tem custo médio estimado em R$ 17 milhões.

Relatório da Secretaria de Saúde aponta que as fundações e estruturas básicas avançam, mas etapas de alvenaria, instalações elétricas e hidráulicas ainda estão por executar. Em Taguatinga Sul, a obra sofreu paralisação por divergência no lote destinado, exigindo ajustes fundiários antes de prosseguir.

A ausência de novas UPAs concluídas mantém a pressão sobre as unidades já operacionais, onde usuários registram longas esperas. A superlotação relatada na UPA do Gama ilustra o impacto da demora na expansão da oferta de pronto atendimento.

Pressão orçamentária e projeções para a saúde

A execução lenta das obras ocorre em paralelo a restrições fiscais. No início de 2026, Ibaneis Rocha indicou que o governo precisará “apertar o cinto” nos gastos da Saúde, justificando que o orçamento previsto não cobriu todas as despesas do setor em 2025. O Distrito Federal recorreu à chamada Fonte 100 — recursos não vinculados a áreas específicas — para equilibrar pagamentos de contratos e suprimentos.

O aumento de preços de insumos hospitalares e o desequilíbrio financeiro do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGES) foram citados como fatores de pressão. A redução de repasses levou, por exemplo, ao fechamento temporário de leitos de UTI e enfermaria no Hospital da Criança em dezembro passado.

Mesmo diante do cenário de ajuste, o Executivo local reafirma que os recursos para as construções estão garantidos. Contudo, a dependência de licitações ainda não finalizadas, atualizações de projetos e liberações de financiamentos federais pode adiar novamente os cronogramas.

Sem margens de manobra orçamentária, qualquer imprevisto tende a impactar diretamente o ritmo das obras. Assim, a convergência entre responsabilidade fiscal e necessidade de expansão da rede de saúde permanece como desafio central para a gestão distrital.

Próximos marcos e cronograma oficial

A agenda oficial aponta algumas datas-chave. A licitação do Hospital Oncológico de Brasília Jofran Frejat está marcada para 11 de fevereiro de 2026, etapa que definirá a empresa responsável pela construção da unidade estimada em R$ 374,1 milhões. Entre as UPAs, a previsão mais próxima de conclusão é para o segundo trimestre de 2026, quando as obras de Águas Claras, Água Quente e Guará devem ser entregues, caso não ocorram novos atrasos.

No âmbito das UBSs, a unidade do Incra 8 em Brazlândia tem entrega programada para março de 2026, enquanto a da Estrutural pode ser finalizada em maio do mesmo ano. Já os cinco grandes hospitais no DF dispõem de prazo ampliado em três anos, segundo o governo. Até lá, a população permanece na expectativa de que as promessas anunciadas desde 2022 avancem do papel para a realidade dos canteiros de obras.

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