Produção de motocicletas avança 1,7% e atinge melhor resultado para um 1º bimestre em 15 anos

A produção de motocicletas no Brasil encerrou o primeiro bimestre de 2026 com 348.732 unidades montadas, volume 1,7% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e o mais alto para os dois primeiros meses do ano em uma década e meia. O dado, divulgado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), confirma a manutenção de uma trajetória de crescimento, ainda que o mês de fevereiro tenha apresentado retração em relação ao mês anterior e ao mesmo mês do ano passado.

Índice

Panorama da produção de motocicletas no primeiro bimestre de 2026

No recorte bimestral, 348.732 motocicletas deixaram as linhas de montagem instaladas no país. Esse montante reflete um avanço de 1,7% frente às 342.000 unidades (referência de 2025) e consolida o melhor resultado para o intervalo janeiro-fevereiro desde 2011. A marca também reforça a consistência do planejamento industrial das fabricantes associadas, que mantiveram um ritmo de operação alinhado à demanda do mercado.

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Dentro do bimestre, janeiro concentrou 184.628 unidades, enquanto fevereiro respondeu por 164.104 unidades. O desempenho de fevereiro foi 11,1% inferior ao de janeiro e 7,1% menor que o observado no mesmo mês de 2025. A queda, porém, já era considerada pelas montadoras, pois o feriado de Carnaval reduziu o número de dias úteis e impactou o volume final do mês.

Segundo Marcos Bento, presidente da Abraciclo, o planejamento industrial contemplava a oscilação sazonal provocada pelo feriado prolongado, o que evitou gargalos de estoque e manteve o cronograma de entregas aos concessionários em linha com as necessidades do varejo.

Desempenho por cilindrada fortalece a produção de motocicletas

A segmentação por cilindrada mostra que as motos de baixa cilindrada continuam sendo a espinha dorsal do parque fabril. Entre janeiro e fevereiro, foram montadas 270.919 unidades nessa faixa, equivalentes a 77,7% de toda a produção nacional. Na sequência aparecem os modelos de média cilindrada, com 19,5% de participação, enquanto as motocicletas de alta cilindrada, embora representem apenas 2,8% do total, registraram o avanço percentual mais expressivo no período.

Foram 9.725 unidades de alta cilindrada produzidas no bimestre, quantidade que corresponde a um crescimento de 22% sobre o mesmo intervalo do ano anterior. Esse salto indica que há espaço para diversificação do portfólio das fabricantes, à medida que parte do público consumidor passa a buscar modelos voltados a viagens de maior distância e desempenho mais elevado.

O detalhamento por faixas de cilindrada ainda evidencia a relevância das motocicletas de até 160cc, tradicionalmente associadas a deslocamentos urbanos, entregas e mobilidade cotidiana. Essa popularidade sustenta volumes robustos de produção e amplia o efeito de escala nas linhas de montagem.

Categorias líderes: Street, Trail e Motoneta dominam a linha de montagem

Quando a análise se desloca para as categorias de produto, a Street mantém a dianteira com folga. Nos dois primeiros meses de 2026, 180.488 unidades desse segmento foram fabricadas, número que representa 51,8% de todo o volume nacional. As motos Street são caracterizadas por configuração versátil, motorizações compactas e custo de aquisição relativamente baixo, fatores que as tornam predominantes no uso urbano.

Na segunda posição, a categoria Trail respondeu por 19,4% da produção, confirmando a popularidade dos modelos que combinam aptidão para o asfalto e trechos leves de terra. Já a Motoneta, terceira mais fabricada, alcançou 13,3% de participação. O trio de categorias cobre mais de 84% do universo montado no país, reforçando o foco da indústria em atender essencialmente a mobilidade cotidiana dos brasileiros.

A distribuição por categorias também sustenta decisões de investimento em novos projetos de motorização e design, pois orienta as fábricas sobre quais tendências se mostram mais consolidadas junto ao consumidor final.

Vendas internas sustentam ritmo da produção de motocicletas

Os níveis de emplacamentos acompanham, com razoável sintonia, o desempenho fabril. Entre janeiro e fevereiro, 350.110 unidades foram registradas nos departamentos de trânsito, alta de 13,7% na comparação com igual período de 2025. O número de vendas superou, inclusive, o total produzido, o que aponta para utilização de estoques provenientes do final do ano anterior e para fluxo ágil do pátio da fábrica à concessionária.

Em fevereiro, 171.548 motocicletas foram vendidas, resultado 10% acima do observado no mesmo mês do ano precedente. Janeiro, por sua vez, teve retração de 3,9% na variação anual, mas permaneceu alinhado às previsões das fabricantes, servindo como base para calibrar o ritmo das linhas de montagem após o recesso de fim de ano.

Os dados de vendas corroboram a percepção de que a motocicleta segue como alternativa estratégica para o deslocamento diário, serviços de entrega e atividades profissionais que exigem rapidez. Esse comportamento de consumo reforça o ciclo de produção, pois a renovação de frota e a expansão de serviços baseados em duas rodas se mantêm ativas.

Exportações ampliam o alcance internacional da indústria brasileira

Além do mercado interno, as fabricantes associadas à Abraciclo exportaram 8.015 unidades no primeiro bimestre, número 43,1% acima do registrado em igual recorte de 2025. Somente em fevereiro, os embarques somaram 4.748 motocicletas, volume 70% superior ao de fevereiro do ano anterior e 45,3% maior que o de janeiro.

Os resultados evidenciam a retomada de mercados externos que vinham, em ciclos anteriores, reduzindo pedidos, e indicam oportunidades para ampliar a presença do produto nacional em países da América Latina. Apesar de responder por fatia pequena do total fabricado, a exportação funciona como importante válvula de escoamento de produção e contribui para diluir custos fixos das fábricas.

O avanço das remessas internacionais também reforça a imagem da indústria brasileira de motocicletas como fornecedora confiável, capaz de escalar volumes de forma rápida e de atender requisitos regulatórios de diferentes destinos.

Fatores conjunturais que influenciaram a produção de motocicletas em 2026

O desempenho dos dois primeiros meses do ano foi moldado pelo binômio oferta e demanda. Do lado da oferta, o cronograma fabril permaneceu ajustado às metas definidas no final de 2025, levando em conta a pausa de Carnaval e a incorporação de séries especiais ou mudanças de ano-modelo. Do lado da demanda, os dados de emplacamento sugerem continuidade da procura aquecida, sobretudo entre consumidores que priorizam custo operacional reduzido e agilidade no trânsito.

Outro elemento relevante foi a participação expressiva dos modelos de baixa cilindrada, que sustentam volumes elevados mesmo em períodos de menor número de dias úteis. Essa massa crítica garante absorção de custos de produção e protege as montadoras contra variações bruscas de mercado.

O aumento de 22% na produção de motos de alta cilindrada, embora parta de base menor, demonstra disposição das fabricantes em diversificar portfólio e capturar nichos de público com maior poder aquisitivo ou perfil de mototurismo. Esse movimento favorece margens de contribuição e pode abrir espaço para novas tecnologias embarcadas.

Com base nas informações disponibilizadas pela Abraciclo, a próxima divulgação completa de resultados deverá contemplar o fechamento do primeiro trimestre, consolidando os dados de março. Até lá, o setor segue monitorando o ritmo de vendas domésticas e o desempenho das exportações para calibrar eventuais ajustes no planejamento industrial.

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