Prisão de trio ligado ao PCC esclarece assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes

|
Getting your Trinity Audio player ready... |
O assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, ocorrido em 15 de setembro no litoral paulista, ganhou novos contornos após a prisão de três suspeitos apontados como responsáveis diretos pela execução. Policiais civis cumpriram mandados em Santos e Jundiaí e detiveram indivíduos que já haviam sido presos pela própria vítima em 2005, todos com histórico de assaltos a banco e ligação com a facção Primeiro Comando da Capital (PCC). As autoridades estimam alta probabilidade de que a motivação do crime esteja relacionada à atuação do ex-delegado contra o crime organizado.
- Linha do tempo do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
- Quem são os suspeitos presos pela Polícia Civil
- Vínculo com o PCC e histórico de confrontos com Ruy Ferraz Fontes
- Hipóteses, motivação e porcentagem de certeza segundo a SSP
- Detalhes da operação que levou às prisões
- Próximos passos da investigação sobre o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
Linha do tempo do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
A sequência de eventos que culminou na morte de Ruy Ferraz Fontes começou na tarde de 15 de setembro, em Praia Grande, onde ele ocupava o cargo de secretário municipal de Administração. Após sair de carro da sede da prefeitura, o ex-delegado passou a ser seguido por outro veículo ocupado por homens armados. Câmeras de vigilância registraram a perseguição em alta velocidade pelas ruas da cidade. Na tentativa de escapar, Fontes colidiu com um ônibus, momento em que foi alcançado e executado a tiros de fuzil. A ação durou poucos minutos, mas evidenciou planejamento rigoroso e armamento pesado.
Três meses depois, a investigação chegou aos nomes de Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, Márcio Serapião de Oliveira e Manuel Alberto Ribeiro Teixeira. Segundo a polícia, o trio iniciou o planejamento do homicídio em março de 2025 e intensificou o monitoramento da vítima a partir de junho do mesmo ano. A morte, executada em setembro, foi a etapa final de um roteiro que incluiu vigilância constante e definição prévia de rotas de fuga.
Quem são os suspeitos presos pela Polícia Civil
Os detidos apresentam histórico criminal semelhante. Fernando Alberto, conhecido como Azul ou Careca, Márcio Serapião, apelidado de Velhote, e Manuel Alberto, o Manezinho, acumularam passagens por roubo a instituições financeiras, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Documentos policiais revelam que em 2005, durante operação liderada por Fontes, os três foram capturados e enviados ao sistema prisional. O reencontro entre vítima e algozes, agora em circunstâncias trágicas, evidencia o ressentimento atribuído pelas autoridades como possível causa direta do crime.
De acordo com a investigação, Fernando Alberto exerce posição de liderança do PCC na Baixada Santista. Ele teria coordenado a logística do atentado, alocado recursos financeiros e distribuído funções entre comparsas. Márcio Serapião e Manuel Alberto aparecem como responsáveis por tarefas operacionais, incluindo a vigilância diária da rotina do ex-delegado e o aluguel de imóveis para esconderijo de veículos e armas.
Vínculo com o PCC e histórico de confrontos com Ruy Ferraz Fontes
O assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes guarda relação direta com a carreira de combate ao crime que ele construiu em mais de quatro décadas na Polícia Civil paulista. No início dos anos 2000, o delegado conduziu investigações que resultaram na prisão de lideranças do PCC, prejudicando estruturas de financiamento da facção. Entre os detidos naquela época estavam justamente os três homens que, duas décadas depois, tornaram-se suspeitos de arquitetar a vingança.
Os investigadores afirmam que o antigo conflito criou um sentimento de revanche dentro da organização criminosa. O posicionamento de Fontes em cargo estratégico na prefeitura de Praia Grande teria reforçado a intenção de retaliação, pois o ex-delegado aplicava a mesma rigidez administrativa em contratos municipais, o que afetaria interesses econômicos de grupos ilegais.
Hipóteses, motivação e porcentagem de certeza segundo a SSP
Autoridades da Secretaria de Segurança Pública estimam 90% de certeza de que a motivação central do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes reside em represálias por sua atuação contra o crime organizado e pela detenção de 2005. Apesar da convicção, outras linhas de apuração permanecem abertas, como possíveis desavenças criadas durante seu período na administração municipal. Até o momento, nenhuma evidência conclusiva demonstra influência de mandante superior ao trio identificado, mas a investigação ainda analisa essa possibilidade.
Peritos trabalham na análise de celulares, computadores e cadernos recolhidos na operação que resultou nas prisões. Esses materiais devem esclarecer se houve financiamento externo, uso de contas para lavagem de capitais ou participação de integrantes de escalão mais alto do PCC. O Ministério Público acompanha o caso, mas, segundo declarações oficiais, ainda não se debruçou sobre nomes de eventuais mandantes.
Detalhes da operação que levou às prisões
A ação deflagrada nesta terça-feira envolveu equipes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e unidades especializadas em crimes contra a vida. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente em dois municípios. Em Santos, foi detido Fernando Alberto, apontado como líder local da facção. Em Jundiaí, ficaram sob custódia Márcio Serapião e Manuel Alberto. Durante as buscas, agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos, cadernos de anotações e veículos que teriam sido utilizados na fase de reconhecimento de rotas em Praia Grande.
Somadas duas operações executadas desde o início do inquérito, 13 pessoas foram presas. Destas, cinco já respondem em liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica, e duas continuam foragidas. A polícia alerta que a captura dos fugitivos é etapa essencial para completar o quebra-cabeça de responsabilidades.
Próximos passos da investigação sobre o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
Os próximos dias serão dedicados ao exame pericial do material apreendido. Técnicos de informática buscam recuperar mensagens, geolocalizações e registros de chamadas que confirmem a cronologia de encontros entre os suspeitos desde março de 2025. A expectativa é identificar, ou descartar, a existência de um mentor fora do núcleo já detido. A polícia informou que qualquer indicação de participação de terceiros será formalizada em novos pedidos de prisão preventiva.
Enquanto isso, diligências seguem para localizar as duas pessoas que permanecem foragidas. A eventual captura pode fornecer informações adicionais sobre financiadores ou pontos logísticos utilizados antes e depois da execução de 15 de setembro. O inquérito, portanto, permanece aberto e deve avançar com base na perícia digital e nos depoimentos colhidos a partir das prisões mais recentes.

Conteúdo Relacionado