Primeiro ciclone extratropical de 2026 ameaça o Sul com ventos de 100 km/h e chuva intensa

O primeiro ciclone extratropical de 2026 começa a ganhar estrutura entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul no fim de semana, prometendo rajadas de até 100 km/h, chuva volumosa em curtos períodos e risco de granizo em áreas do Sul do Brasil. A formação se inicia com uma área de baixa pressão sobre Paraguai e norte da Argentina e, conforme avança, deve influenciar o tempo também em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo.
- Entenda o ciclone extratropical e seu papel na dinâmica do tempo
- Como o ciclone extratropical se forma entre Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul
- Ventos de até 100 km/h: efeitos esperados no Rio Grande do Sul
- Chuva intensa e risco de granizo avançam para Santa Catarina e Paraná
- Frente fria do ciclone extratropical alcança Centro-Oeste e Sudeste
- Calendário de deslocamento: de 8 a 12 de janeiro
- Impactos urbanos e orientações de segurança
- Possibilidade de granizo e formação de nuvens de tempestade
- Regiões que devem monitorar rios e encostas
- Próximo ponto crítico: domingo, 11 de janeiro, quando o ciclone toca o extremo sul gaúcho
Entenda o ciclone extratropical e seu papel na dinâmica do tempo
Chamado de ciclone extratropical, o sistema é caracterizado por se originar fora das zonas tropicais, onde contrastes de temperatura são acentuados. Diferentemente dos ciclones tropicais, ele se alimenta da interação entre massas de ar quente e frio. No episódio atual, o ar quente e úmido que converge entre o Paraguai e o norte da Argentina cria um ambiente propício para a queda rápida da pressão atmosférica. Essa queda é o gatilho que organiza a circulação de ventos e forma nuvens carregadas, resultando em temporais, descargas elétricas e granizo.
Como o ciclone extratropical se forma entre Paraguai, Argentina e Rio Grande do Sul
A trajetória do sistema começa nos dias 8 e 9 de janeiro, quando a pressão atmosférica cai sobre o Paraguai e o norte da Argentina. Nesse cenário, o ar quente ascende e as primeiras áreas de chuva volumosa surgem, mas ainda sem a circulação bem definida de um ciclone. Na madrugada de sábado, 10 de janeiro, a baixa pressão se organiza de forma decisiva entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul. É nesse ponto que o fenômeno adquire a estrutura completa de ciclone extratropical e passa a influenciar diretamente o tempo no Sul, intensificando ventos e potencializando áreas de instabilidade ao redor do seu centro.
Ventos de até 100 km/h: efeitos esperados no Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul concentra os alertas mais severos. Nos setores Centro e Oeste do estado, os meteorologistas projetam acumulados próximos de 100 mm em apenas seis horas, além de rajadas variando entre 80 km/h e 100 km/h. Tamanha velocidade do vento pode derrubar árvores, danificar redes elétricas e provocar transtornos urbanos. A rápida precipitação, típica de um ciclone extratropical, eleva o risco de alagamentos, pois o volume de água excede a capacidade de drenagem municipal em curto intervalo.
Chuva intensa e risco de granizo avançam para Santa Catarina e Paraná
Embora o centro do sistema não atue diretamente sobre Santa Catarina e Paraná, a atmosfera instável associada ao ciclone e a frente fria subsequente cria condições para temporais. No sábado, 10 de janeiro, as pancadas começam pelo oeste dos dois estados e se espalham durante o dia. A combinação de calor, umidade e circulação de ventos favorece a formação de nuvens cumulonimbus, responsáveis por descargas elétricas frequentes, rajadas moderadas a fortes e potencial queda de granizo.
Frente fria do ciclone extratropical alcança Centro-Oeste e Sudeste
Na esteira do ciclone extratropical, uma frente fria avança e deve atingir Mato Grosso do Sul e o oeste de São Paulo a partir de domingo, 11 de janeiro. Nessas localidades, a chuva prevista para sexta e sábado decorre do típico calor de verão, mas no domingo o cenário muda: a instabilidade ligada à frente fria eleva o potencial de pancadas significativas. Embora as rajadas de 100 km/h fiquem restritas ao Sul, ventos moderados e precipitação acima da média são esperados, exigindo atenção de moradores e autoridades.
Calendário de deslocamento: de 8 a 12 de janeiro
• 8 e 9 de janeiro – Queda da pressão entre Paraguai e norte da Argentina, com convergência de ar quente e úmido.
• 10 de janeiro – Organização definitiva do sistema entre Uruguai e Rio Grande do Sul; início das rajadas fortes e temporais no estado gaúcho.
• 11 de janeiro – Deslocamento para leste, cruzando o extremo sul do Rio Grande do Sul, na altura de Santa Vitória do Palmar; instabilidade se espalha para Santa Catarina, Paraná e fronteira com Uruguai.
• 12 de janeiro – Afastamento rápido para o Atlântico; diminuição gradual dos efeitos, embora chuvas fracas e céu carregado ainda persistam em áreas isoladas do Sul.
Impactos urbanos e orientações de segurança
A chuva concentrada em poucas horas tende a sobrecarregar rios, bueiros e galerias pluviais, favorecendo alagamentos repentinos, especialmente em centros urbanos do Rio Grande do Sul. O volume de 100 mm em seis horas é suficiente para elevar o nível de córregos e provocar enxurradas. Já as rajadas superiores a 80 km/h podem comprometer postes, coberturas e vegetação. Diante desse quadro, a orientação das autoridades de Defesa Civil inclui: acompanhar boletins meteorológicos, evitar áreas alagadas, não se abrigar sob árvores durante tempestades e verificar a estabilidade de telhados e estruturas expostas ao vento.
Possibilidade de granizo e formação de nuvens de tempestade
Nuvens cumulonimbus, favorecidas pela soma de calor, umidade e circulação ciclônica, carregam grande quantidade de água e gelo em seu interior. À medida que correntes ascendentes sustentam partículas de gelo, o granizo se forma e pode atingir o solo em pontos isolados do Sul na noite de sábado. Além do potencial de danos a lavouras, telhados e veículos, a queda de granizo representa risco direto a transeuntes, reforçando a recomendação de procurar abrigo ao primeiro sinal de células de tempestade.
Regiões que devem monitorar rios e encostas
Municípios do Centro, Oeste e Sul do Rio Grande do Sul, bem como áreas serranas de Santa Catarina e Paraná, devem observar a elevação rápida de rios e a eventual instabilidade de encostas. O grande volume de água em curto período pode saturar o solo, aumentando a probabilidade de deslizamentos. Órgãos locais recomendam atenção a rachaduras em paredes, quedas de barreira e alterações repentinas no nível de riachos.
Próximo ponto crítico: domingo, 11 de janeiro, quando o ciclone toca o extremo sul gaúcho
Na manhã de domingo, 11 de janeiro, está prevista a passagem do centro do sistema sobre a região de Santa Vitória do Palmar. Esse momento concentra a expectativa de rajadas mais fortes mesmo em áreas sem chuva intensa, por causa do gradiente de pressão que se mantém elevado nas proximidades do centro ciclônico.
Após a segunda-feira, 12 de janeiro, o ciclone extratropical se desloca para o Atlântico e reduz gradualmente sua influência direta sobre o continente.

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