Prévia do PIB indica alta de 2,5% em 2025: setores, juros e inflação em foco

Prévia do PIB indica alta de 2,5% em 2025: setores, juros e inflação em foco
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A prévia do PIB divulgada pelo Banco Central aponta que a atividade econômica brasileira avançou 2,5% em 2025, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O resultado combina a expansão de agropecuária, indústria e serviços e serve de termômetro para as próximas decisões de política monetária.

Índice

Prévia do PIB: o que o IBC-Br revela sobre o desempenho de 2025

O IBC-Br é calculado mensalmente pela autoridade monetária para acompanhar o ritmo da economia entre as divulgações oficiais do Produto Interno Bruto. Em 2025, o indicador acumulou alta de 2,5% frente ao ano anterior, capturando a evolução do valor adicionado nos principais setores produtivos e o recolhimento de impostos. Embora seja utilizado como baliza interna pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o índice não substitui o PIB oficial, que é medido e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A coleta do IBC-Br integra informações da produção industrial, do volume de serviços, das vendas no comércio, do desempenho agropecuário e da arrecadação sobre bens e serviços. A metodologia, distinta da usada pelo IBGE, gera uma visão rápida da conjuntura, permitindo ajustes tempestivos de juros sempre que a atividade se distancia do potencial estimado.

Setores que sustentaram a prévia do PIB: agropecuária, indústria e serviços

O recorte setorial mostra que a agropecuária exerceu o maior impacto positivo em 2025, com salto de 13,1%. A performance reflete ganhos de produtividade, safra favorável e condições climáticas que favoreceram colheitas recordes em diversas regiões produtoras. A relevância do campo aparece tanto pela participação direta no cálculo do índice quanto pelo efeito indireto sobre cadeias de insumos, transporte e exportações.

Na indústria, o crescimento de 1,5% confirma a retomada gradual após oscilações registradas em 2024. Processos de modernização fabril e recomposição de estoques contribuíram para o avanço, embora o setor ainda enfrente custos de capital elevados em razão da taxa básica de juros. Já o segmento de serviços — responsável por mais de 70% do PIB — cresceu 2,1%, impulsionado pelo comércio varejista, atividades de informação, transporte e serviços prestados às famílias.

Quando a agropecuária é excluída, o IBC-Br registra elevação acumulada de 1,8%, sinalizando que, apesar do protagonismo do agronegócio, há expansão disseminada, embora em ritmo inferior à atividade rural.

Movimento mensal da prévia do PIB e sinalizações de desaceleração

Apesar da alta anual, dezembro de 2025 apresentou recuo de 0,2% em relação a novembro, já descontados efeitos sazonais. Essa variação negativa contrasta com a elevação de 3,1% frente a dezembro de 2024, indicando perda de fôlego no fechamento do ano. No trimestre encerrado em dezembro, houve incremento de 0,4% ante o trimestre concluído em setembro, manutenção de trajetória positiva, porém moderada.

A oscilação mensal reforça a necessidade de acompanhar leituras futuras para verificar se o recuo é pontual ou representa o início de um ciclo de arrefecimento. Para o Copom, movimentos dessa natureza podem sinalizar espaço para flexibilizar a política monetária sem comprometer o controle Inflacionário.

Selic em 15%: como a taxa básica se conecta à prévia do PIB

A Selic, atualmente em 15% ao ano, permanece no patamar mais alto desde julho de 2006. O Banco Central elevou a taxa gradualmente desde setembro de 2024, quando o ciclo de aperto foi retomado após um período em 10,5% anuais. Desde junho de 2025, o juro básico está congelado, somando cinco reuniões consecutivas sem alteração.

O nível restritivo da Selic tem dupla finalidade: ancorar as expectativas de inflação dentro da meta de 3% (com intervalo de 1,5 ponto percentual) e moderar a demanda interna para evitar pressões de preços. Entretanto, juros elevados encarecem o crédito para empresas e consumidores, contendo parte do ímpeto de investimento e consumo que alimentaria o crescimento captado pela prévia do PIB.

Na ata da última reunião, o Copom sinalizou que poderá iniciar reduções a partir de março, sem, contudo, antecipar a magnitude do corte. A autoridade monetária argumenta que, embora a economia opere acima de seu potencial sem provocar inflação excessiva, fatores como a resiliência do mercado de trabalho ainda exigem cautela.

Inflação, meta e decisões do Copom à luz da prévia do PIB

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,44% em 2025, resultado influenciado pelo avanço das tarifas de energia elétrica e da gasolina em janeiro. Mesmo acima do ponto central da meta, a taxa permanece dentro da banda de tolerância, permitindo que o Banco Central considere um ciclo de afrouxamento.

Ao manter a Selic em 15% por cinco reuniões, o Copom buscou consolidar a convergência do IPCA. Com a inflação dentro dos limites, o desempenho moderado da atividade captado pela prévia do PIB reforça a percepção de que juros em patamar contracionista poderão, em breve, ser reduzidos. Ainda assim, o próprio colegiado esclareceu que os juros permanecerão restritivos, sinalizando um processo de queda gradual.

A dinâmica observada comprova a interação entre política monetária e crescimento: de um lado, o Banco Central usa a Selic para segurar preços; de outro, a economia responde, moderando a expansão, mas sem entrar em recessão, como demonstra o crescimento de 2,5% estimado pelo IBC-Br.

Do IBC-Br ao PIB oficial: próximos passos e divulgação consolidada

Enquanto o IBC-Br oferece retrato preliminar, o Produto Interno Bruto do IBGE, calculado por ótica de produção, renda e despesa, trará medida definitiva para 2025. O órgão de estatística marcou 3 de março para publicar o resultado anual. Dados do terceiro trimestre já indicaram avanço de 0,1%, classificado como estabilidade pelo instituto, com impulso vindo de indústria e agropecuária.

Em 2024, o PIB cresceu 3,4%, consolidando quatro anos consecutivos de expansão e representando a maior taxa desde 2021, quando atingiu 4,8%. O histórico recente demonstra trajetória de crescimento sustentado, ainda que em velocidades distintas, influenciada por choques externos, variações de preços de commodities e ajustes na política de juros.

Até a divulgação oficial, o Banco Central continuará monitorando o desenrolar mensal do IBC-Br, que permanecerá como insumo central para as deliberações do Copom. O próximo anúncio de juros, previsto para março, deve considerar o balanço entre a necessidade de sustentar a desinflação e a intenção de preservar a atividade num patamar que não gere pressões adicionais.

Assim, a última informação a observar é a reunião do Copom marcada para março, quando poderá começar o ciclo de cortes na Selic em resposta aos sinais de moderação captados pela prévia do PIB de 2025.

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