Prêmio Marielle Franco: Assembleia do Rio homenageia Tambores de Olokun pela força da cultura afro-brasileira

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Prêmio Marielle Franco é a nova conquista do coletivo Tambores de Olokun, agraciado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) após aprovação de proposta da deputada estadual Dani Monteiro. O reconhecimento, oficializado em 5 de fevereiro, destaca a relevância de um grupo formado em 2012 que hoje reúne cerca de 300 batuqueiros e dançarinos dedicados à preservação das tradições afro-brasileiras e ao fortalecimento da cultura popular carioca.
- Origem e objetivos do Prêmio Marielle Franco
- Tambores de Olokun: trajetória que levou ao Prêmio Marielle Franco
- Impacto comunitário reconhecido pelo Prêmio Marielle Franco
- Papel da Assembleia do Rio e da deputada Dani Monteiro
- Cultura popular como estratégia de desenvolvimento urbano
- Perspectivas após a entrega do Prêmio Marielle Franco
Origem e objetivos do Prêmio Marielle Franco
Criado em dezembro de 2021 mediante projeto aprovado pela Alerj, o Prêmio Marielle Franco nasceu para valorizar iniciativas relacionadas a direitos humanos, cidadania e cultura. A proposta legislativa teve autoria inicial da deputada Zeidan em conjunto com o então deputado estadual Marcelo Freixo, atualmente presidente da Embratur. A premiação leva o nome de Marielle Franco, referência simbólica de luta por direitos sociais, e busca reconhecer práticas que impactam positivamente comunidades fluminenses.
Ao outorgar o prêmio, o parlamento fluminense estabelece um selo de qualidade institucional que confere visibilidade a projetos de base comunitária. Dessa forma, a honraria funciona como instrumento de legitimação pública a coletivos ou pessoas que transformam o cotidiano por meio da arte, da educação e da defesa de direitos.
Tambores de Olokun: trajetória que levou ao Prêmio Marielle Franco
Fundado em 2012, o grupo Tambores de Olokun consolidou-se como espaço de formação, memória e pertencimento. Inspirado no universo do Candomblé e nos maracatus de baque virado, o coletivo ocupa ruas, praças e templos históricos, conectando o Rio de Janeiro às raízes culturais afro-brasileiras. A denominação Olokun faz alusão a divindade associada às profundezas do mar, reforçando o elo espiritual que orienta cortejos, oficinas e encontros.
Com aproximadamente 300 integrantes, entre batuqueiros e dançarinos, o grupo realiza anualmente cortejos em homenagem a Iemanjá e Olokun. Uma de suas apresentações marcantes ocorre diante da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, ponto histórico no centro da capital. Tais eventos reafirmam a ocupação simbólica do espaço público por expressões que remontam ao maracatu, ritmo tradicional pernambucano que, na versão de baque virado, integra percussão, canto e dança.
Para além dos desfiles festivos, o coletivo promove oficinas que transmitem saberes percussivos e coreográficos, gerando oportunidades de aprendizagem gratuita. O modelo de trabalho colaborativo fortalece laços entre moradores de diferentes bairros, favorecendo o intercâmbio de conhecimentos que atravessam gerações.
Impacto comunitário reconhecido pelo Prêmio Marielle Franco
Segundo a justificativa legislativa, escolher o Tambores de Olokun para o Prêmio Marielle Franco significa valorizar a cultura como ferramenta de resistência, inclusão social e desenvolvimento econômico. A iniciativa da deputada Dani Monteiro, que preside a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania na Casa, enfatiza que carnaval de rua, cortejos e tambores representam expressões vivas de identidade e pertencimento.
A parlamentar aponta que manifestações populares geram trabalho, renda e dinamizam a economia criativa. Ao ocupar ruas e praças, a arte afasta violências, reforça vínculos comunitários e abre alternativas para a juventude. No entendimento da autora da homenagem, o tambor se converte em instrumento de formação, acolhimento e transformação social, construindo comunidades mais fortes e orgulhosas da própria história.
Papel da Assembleia do Rio e da deputada Dani Monteiro
O processo de concessão do prêmio passou por votação em plenário e obteve aprovação dos deputados estaduais. Além de propor a homenagem, Dani Monteiro cumpre função estratégica ao pautar a cultura popular dentro do legislativo. Na condição de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania, a deputada reforça a ideia de que investir em arte equivale a fomentar proteção social e futuro para a população fluminense.
Nesse contexto, o reconhecimento ao Tambores de Olokun possui caráter duplo: valoriza um coletivo específico e, simultaneamente, serve de exemplo para outras iniciativas que utilizam expressões culturais como meio de desenvolvimento. A Alerj, portanto, projeta-se como parceira de projetos que, assim como o maracatu carioca, preservam memórias de matriz africana e promovem integração social.
Cultura popular como estratégia de desenvolvimento urbano
As ações do Tambores de Olokun demonstram como cortejos e festas de rua funcionam como dispositivos urbanos de convivência. Ao compartilhar música, dança e espiritualidade em espaços abertos, o grupo estimula ocupação positiva de áreas públicas, promove turismo cultural e atrai economia local baseada em serviços, alimentação e artesanato. Esse ciclo produtivo evidencia a dimensão econômica da cultura popular, citada por Dani Monteiro como “diversão e potência”.
Além do aspecto financeiro, existe um legado imaterial: a construção de identidades coletivas que reforçam autoestima e senso de pertencimento. O reconhecimento oficial, por meio do prêmio estadual, amplia esse legado ao inserir o trabalho do coletivo em um registro histórico mais amplo, fortalecendo políticas de patrimônio cultural vivo.
Perspectivas após a entrega do Prêmio Marielle Franco
Com a aprovação legislativa, a próxima etapa será a cerimônia de entrega do Prêmio Marielle Franco ao Tambores de Olokun em data a ser definida pela Mesa Diretora da Alerj. A premiação deve reunir integrantes do coletivo, representantes do parlamento fluminense e autoridades culturais, consolidando o reconhecimento formal do Estado ao papel do grupo na manutenção das tradições afro-brasileiras.
Ao receber a honraria, o coletivo terá sua atuação ainda mais visibilizada, facilitando parcerias e garantindo respaldo institucional para futuras oficinas, cortejos e apresentações. Para os idealizadores do prêmio, essa visibilidade contribui para que novas gerações tenham acesso à música e à dança vinculadas ao maracatu, perpetuando práticas que atravessam séculos e continentes.
Com a decisão aprovada em plenário, o público interessado deverá acompanhar o anúncio da data oficial da cerimônia de entrega, quando o Tambores de Olokun receberá, publicamente, o merecido destaque concedido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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