Prefeito de Nova York condena ato de guerra: Trump contra Venezuela coloca cidade e comunidade em alerta

No primeiro fim de semana de seu mandato, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, classificou como “ato de guerra” a ofensiva conduzida por Trump contra Venezuela, ofensiva que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e na sua transferência para custódia federal em território norte-americano.
- Contexto do ato de guerra de Trump contra Venezuela
- Prefeito de Nova York reprova decisão de Trump contra Venezuela
- Desdobramentos judiciais após ação de Trump contra Venezuela
- Operação militar e traslado de Nicolás Maduro até a custódia federal
- Impacto do ato de guerra nos venezuelanos que vivem em Nova York
- Repercussão internacional e caminhos políticos em Caracas
- Próximos passos no processo legal e possíveis impactos
Contexto do ato de guerra de Trump contra Venezuela
A operação militar norte-americana foi executada no sábado, 3 de janeiro, e envolveu forças dos Estados Unidos que ingressaram em Caracas, capital venezuelana, capturaram Maduro e a primeira-dama, Cília Fortes, e os trouxeram aos Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pelo governo federal, o objetivo declarado é administrar o país vizinho “até a conclusão de uma transição de poder”. Para o prefeito de Nova York, qualquer ataque unilateral a uma nação soberana configura violação da legislação doméstica e das normas internacionais.
A gravidade do episódio se evidencia no fato de que a própria Suprema Corte da Venezuela transferiu interinamente o poder executivo à então vice-presidente Delcy Rodriguez, numa tentativa de garantir continuidade administrativa. Rodrígez, por sua vez, exigiu a libertação imediata de Maduro e repudiou a intervenção estrangeira.
Prefeito de Nova York reprova decisão de Trump contra Venezuela
Em coletiva realizada no sábado, Mamdani relatou ter conversado por telefone com o ex-presidente Donald Trump, responsável pela ação militar. O diálogo, descrito como “franco e direto”, girou em torno da insistência de Trump em promover mudança de regime em Caracas. O prefeito reiterou que atacar outra nação sem apoio de organismos multilaterais constitui ato de guerra e fere princípios legais vigentes nos Estados Unidos.
O gestor municipal destacou, ainda, um impacto local: Nova York abriga dezenas de milhares de venezuelanos que estudam, trabalham e residem nos cinco distritos. “Meu foco é a segurança deles e a segurança de cada nova-iorquino”, afirmou, prometendo monitorar os acontecimentos e emitir orientações conforme a situação evolua.
Desdobramentos judiciais após ação de Trump contra Venezuela
Com a chegada de Maduro aos Estados Unidos, os holofotes migraram para o Tribunal Distrital no Distrito Sul de Nova York, onde o líder venezuelano enfrentará acusações criminais. O Ministério Público já havia protocolado, em 2020, uma denúncia que qualifica Maduro como chefe do Cartel de los Soles. De acordo com a investigação da Administração de Repressão de Drogas (DEA), o grupo seria integrado por altos oficiais das Forças Armadas venezuelanas e teria utilizado o tráfico de cocaína como ferramenta para lucrar e, simultaneamente, prejudicar os Estados Unidos.
As acusações listadas incluem narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína e crimes envolvendo armas automáticas. Agora, com Maduro em solo norte-americano, o processo estagnado há anos avança para fase de audiência inicial. Ele deverá ser apresentado a um juiz federal em Manhattan nos próximos dias, sem data divulgada até o momento.
Operação militar e traslado de Nicolás Maduro até a custódia federal
Logo após a captura em Caracas, Maduro foi conduzido a bordo de um Boeing 757 da Força Aérea norte-americana. O voo pousou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, no norte do estado de Nova York, onde agentes do FBI e da DEA aguardavam sob temperatura de –2 °C. Sob forte vigilância, o detido passou por identificação em instalação federal vinculada à DEA.
Em seguida, foi encaminhado ao Centro de Detenção Metropolitano, no bairro do Brooklyn. Imagens divulgadas pela Presidência dos Estados Unidos mostram o momento em que ele caminha por um corredor sinalizado com tapete azul e a inscrição “DEA NYD”. Tais registros confirmam o envolvimento direto da agência antidrogas no procedimento de custódia.
Impacto do ato de guerra nos venezuelanos que vivem em Nova York
A comunidade venezuelana da cidade acompanha o desenrolar dos fatos com preocupação. Para muitos, a ação representa ameaça indireta à estabilidade de familiares que permanecem na Venezuela. O prefeito salientou que mudanças abruptas no país de origem podem repercutir no cotidiano dos imigrantes, incluindo questões de documentação, envio de remessas financeiras e eventual fluxo de novos refugiados.
O governo municipal, segundo Mamdani, avalia medidas para reforçar serviços sociais e canais de informação dedicados aos venezuelanos residentes. A meta declarada é prevenir a disseminação de rumores e garantir que cidadãos saibam a quem recorrer para assistência jurídica ou emergencial.
Repercussão internacional e caminhos políticos em Caracas
A ofensiva dividiu governos estrangeiros. Parte da comunidade internacional condenou a intervenção, alegando desrespeito à soberania da Venezuela, enquanto outra parcela celebrou a deposição de Maduro. No âmbito doméstico venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodriguez emergiu como autoridade interina e será a primeira mulher a ocupar o comando do Executivo nacional, embora sua posse ainda não tenha data confirmada.
Rodríguez exige devolução imediata de Maduro ao território venezuelano e qualifica a operação dos Estados Unidos como “militar”. Já em Caracas, manifestações populares tomaram ruas após a divulgação das imagens da captura, evidenciando um país dividido entre apoio e repúdio ao ex-chefe de Estado.
Próximos passos no processo legal e possíveis impactos
O ponto chave nos próximos dias será a audiência inicial de Nicolás Maduro no Tribunal Distrital de Manhattan. Nessa sessão, costumam ser lidos os indiciamentos formais, definidos prazos para apresentação de defesa e analisadas condições de custódia. Promotores federais sustentam que o ex-presidente liderou esquema de narcotráfico com alcance transnacional, argumento que será testado em juízo com base em provas compiladas pela DEA desde a abertura do processo, em 2020.
Enquanto isso, a administração municipal de Nova York seguirá emitindo comunicados oficiais a respeito da segurança pública e dos direitos da comunidade venezuelana. A expectativa é que orientações adicionais sejam publicadas logo após a audiência de Maduro, ainda sem data divulgada.

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