Plataforma P-78 impulsiona produção da Petrobras no Campo de Búzios

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Com a entrada em operação da Plataforma P-78 no Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, a Petrobras inaugurou na quarta-feira, 31, um novo ciclo de expansão de petróleo e gás. O navio-plataforma, projetado para extrair até 180 mil barris de óleo e 7,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia, eleva a capacidade instalada do campo para aproximadamente 1,15 milhão de barris diários. Esse patamar reforça a posição de Búzios como o maior produtor do país e se alinha à meta corporativa de alcançar, ao longo de 2026, uma produção total de 2,5 milhões de barris por dia.
- Plataforma P-78: novos patamares de produção no pré-sal
- Impacto da Plataforma P-78 na estratégia de crescimento da Petrobras
- Integração da Plataforma P-78 ao gasoduto Rota 3
- Tecnologias de eficiência e redução de emissões na Plataforma P-78
- Contexto geológico e histórico do Campo de Búzios
- Projeções operacionais até o final de 2026
Plataforma P-78: novos patamares de produção no pré-sal
A Plataforma P-78 chega como a sétima unidade em operação em Búzios. Projetada no conceito de navio-plataforma, ela combina módulos de tratamento de óleo, gás e água em um casco adaptado para as condições do Atlântico Sul. A capacidade de 180 mil barris de petróleo por dia, somada às seis unidades já ativas, consolida o campo com uma das maiores instalações offshore em atividade contínua. Além do óleo, a planta entrega 7,2 milhões de metros cúbicos de gás natural a cada 24 horas, volume essencial para o equilíbrio do mix energético interno.
A elevação de capacidade para 1,15 milhão de barris diários representa um avanço expressivo em pouco mais de três meses após o campo ter superado, em outubro de 2025, a marca de 1 milhão de barris por dia. Esse crescimento sequencial reflete a estratégia da Petrobras de concentrar investimentos em áreas já delimitadas e de elevado potencial, reduzindo prazos entre descoberta, desenvolvimento e produção.
Impacto da Plataforma P-78 na estratégia de crescimento da Petrobras
O primeiro óleo extraído pela Plataforma P-78 materializa a principal meta operacional da companhia para 2026: expandir a produção total de petróleo e gás. Segundo projeções corporativas, grande parte dos 2,5 milhões de barris diários previstos para o ano virá justamente de Búzios. A concentração de grandes volumes em uma única área simplifica a logística de escoamento e permite ganhos de escala, fatores citados internamente como determinantes para a competitividade das operações.
Além do petróleo, a ampliação da oferta de gás natural traduz outra diretriz do plano de negócios: aumentar a participação do insumo no mercado brasileiro. A integração da P-78 a uma malha de transporte já existente viabiliza essa expansão sem a necessidade de projetos de grande porte adicionais na fase inicial de operação.
Integração da Plataforma P-78 ao gasoduto Rota 3
O gás associado produzido pela Plataforma P-78 será encaminhado ao continente por meio do gasoduto Rota 3, infraestrutura que parte do campo até Itaboraí, no Estado do Rio de Janeiro. A interligação pode injetar até 3 milhões de metros cúbicos por dia na malha nacional, ampliando a oferta para termelétricas, indústrias e consumidores residenciais. Essa capacidade adicional fortalece a segurança energética e contribui para a diversificação da matriz, reduzindo a dependência de combustíveis importados em períodos de maior demanda.
O gasoduto, anteriormente conhecido como Comperj, torna-se assim peça-chave para monetizar a produção de gás do pré-sal. A escolha por escoar parte significativa do insumo de Búzios pelo Rota 3 otimiza a utilização da infraestrutura já instalada e minimiza gargalos logísticos, estratégia que a Petrobras tem priorizado para alcançar eficiência de custos.
Tecnologias de eficiência e redução de emissões na Plataforma P-78
Projetada com foco na sustentabilidade, a Plataforma P-78 incorpora um sistema de recuperação de gases de queima, evitando que frações de hidrocarbonetos sejam liberadas na atmosfera durante o processo de produção. O equipamento captura e reinjeta esses gases no fluxo produtivo, reduzindo emissões e aumentando o aproveitamento de energia.
Outro recurso é o controle de variação de rotação em bombas e compressores. Ao ajustar a velocidade dos motores às condições de operação, a unidade reduz o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de dióxido de carbono. A integração energética entre correntes quentes e frias nos módulos de processamento também eleva a eficiência térmica, aproveitando calor residual em etapas subsequentes do tratamento de óleo e gás.
Essas soluções estão alinhadas a padrões internacionais de desempenho ambiental e reforçam o compromisso da companhia com a mitigação de impactos em atividades de águas ultraprofundas.
Contexto geológico e histórico do Campo de Búzios
Descoberto em 2010 pelo poço 2-ANP-1-RJS, o Campo de Búzios situa-se a cerca de 180 quilômetros da costa fluminense, em lâmina d’água superior a 2 mil metros. A região faz parte da Bacia de Santos, conhecida pela extensa camada de pré-sal que abriga reservas expressivas de petróleo leve. Desde a descoberta, a área tornou-se prioridade nos planos de desenvolvimento da Petrobras, culminando na instalação de sete unidades de produção em menos de 15 anos.
O crescimento da produção em Búzios reflete a evolução tecnológica em perfuração e completação de poços em ambientes de alta profundidade. A experiência acumulada permite acelerar projetos subsequentes, reduzindo custos e prazos de implantação. A marca histórica de 1 milhão de barris atingida em outubro de 2025 indicou a maturidade operacional do campo; a entrada da P-78 reforça essa curva ascendente.
Projeções operacionais até o final de 2026
Com a Plataforma P-78 em regime normal, a Petrobras mantém o cronograma de elevar o volume total produzido no país para 2,5 milhões de barris diários ao longo de 2026. Parte essencial desse incremento depende da maximização da capacidade instalada em Búzios, onde novas interligações de poços aos navios-plataformas já existentes deverão sustentar o ritmo de extração. Além disso, a empresa prevê a estabilização da oferta de gás natural em patamar mais alto, apoiada pelo escoamento constante de até 3 milhões de metros cúbicos diários através do Rota 3.
O desempenho operacional da P-78, monitorado desde o primeiro óleo produzido em 31 de janeiro, servirá como referência para as próximas unidades planejadas no pré-sal. Até dezembro de 2026, a companhia espera consolidar a produção ampliada de Búzios como pilar fundamental de sua carteira de ativos, acompanhando a evolução da demanda doméstica por combustíveis e gás natural.

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