Petrobras assina contrato bilionário para construção de 41 embarcações e impulsiona indústria naval brasileira

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Em cerimônia realizada na cidade de Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul, a Petrobras assinou um pacote de contratos avaliado em R$ 2,8 bilhões para a construção de 41 embarcações, movimento que reforça o plano de expansão logística da Transpetro e marca, de forma concreta, o retorno de grandes encomendas à indústria naval nacional. O anúncio, que levou ao estaleiro gaúcho autoridades como o presidente da República, o governador do Estado e ministros, estabelece prazos, metas de eficiência energética e promessa de geração de mais de 9 mil vagas de trabalho, diretas e indiretas, distribuídas por três regiões brasileiras.
- Petrobras assina contrato bilionário e detalha escopo das embarcações
- Divisão dos estaleiros: Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina
- Eficiência, sustentabilidade e ampliação da frota de gaseiros
- Programa Mar Aberto e o renascimento da indústria naval
- Geração de empregos e qualificação profissional nos estaleiros
- Próximas etapas e cronograma de entregas das 41 embarcações
Petrobras assina contrato bilionário e detalha escopo das embarcações
O acordo firmado contempla três categorias de embarcações: cinco navios gaseiros, 18 empurradores e 18 barcaças. Os gaseiros, avaliados em R$ 2,2 bilhões, serão projetados para armazenar e transportar gases liquefeitos — entre eles o GLP usado diariamente em milhões de residências brasileiras — e deverão ser entregues em série a partir de 33 meses, com intervalos semestrais entre cada unidade. Já os empurradores e barcaças, juntos orçados em R$ 620 milhões, servirão ao transporte interior de grandes volumes de carga em contêineres, complementando a logística fluvial da subsidiária de transporte da estatal.
Divisão dos estaleiros: Rio Grande do Sul, Amazonas e Santa Catarina
A execução física do contrato distribui-se por três polos navais. No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande, operado pela Ecovix, ficará responsável pelos cinco gaseiros. No Amazonas, o Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, situado em Manaus, construirá as 18 barcaças que navegarão pelos rios da região Norte. Em Santa Catarina, a tarefa de fabricar 18 empurradores caberá à Indústria Naval Catarinense, localizada em Navegantes. Esse arranjo geográfico busca otimizar prazos, aproveitar competências regionais já instaladas e descentralizar o impacto econômico para além do Sul e Sudeste.
No estaleiro gaúcho, a expectativa é de um reforço gradual de mão de obra até atingir aproximadamente 7 mil postos de trabalho, diretos e indiretos. Em Manaus, a construção das barcaças deve avançar sobre a estrutura consolidada da Bertolini, que atua tradicionalmente em navegação interior, enquanto em Navegantes o quadro funcional também será ampliado para atender à produção dos empurradores, embarcações propulsoras que conduzem comboios de barcaças em águas abrigadas.
Eficiência, sustentabilidade e ampliação da frota de gaseiros
Quando os cinco gaseiros entrarem em operação, a frota da Transpetro nesse segmento passará de seis para 14 unidades, praticamente triplicando a capacidade de transporte de GLP e derivados. De acordo com a Petrobras, os novos navios apresentarão ganhos de até 20 % em consumo de energia em comparação com embarcações de geração anterior. O projeto estrutural prevê, ainda, redução de 30 % nas emissões de gases de efeito estufa e possibilidade de operação em portos eletrificados, característica que elimina a necessidade de motores auxiliares a combustível fóssil enquanto o navio estiver atracado.
A maior eficiência contribuirá para diminuir a dependência do afretamento internacional de gaseiros, prática que onera o transporte interno de combustíveis e expõe a empresa a oscilações cambiais. A nacionalização da frota, combinada ao incremento da política de conteúdo local, também estimula cadeias produtivas industriais de aço naval, sistemas de propulsão e componentes eletrônicos, todos setores que se beneficiam do volume contínuo de encomendas.
As 41 embarcações contratadas fazem parte do Programa Mar Aberto, lançado pelo governo federal para revitalizar estaleiros nacionais e recuperar a capacidade de construção naval que atingiu, no passado, cerca de 80 mil empregos diretos. O programa prevê, até 2030, um total de R$ 32 bilhões em investimentos, contemplando 20 navios de cabotagem, 18 barcaças, 18 empurradores e o afretamento de 40 embarcações de apoio às atividades de exploração e produção. Instrumentos como política de conteúdo local, acesso aos recursos do Fundo da Marinha Mercante e mecanismos de depreciação acelerada sustentam a viabilidade econômica dessas encomendas.
Nos últimos anos, a mão de obra direta do setor naval no país saltou de 18 mil para 50 mil trabalhadores. Com o novo pacote de contratos, a expectativa oficial é aproximar o contingente a 80 mil profissionais entre 2026 e 2028, retomando patamares registrados na década passada, quando o país experimentou pico de atividade em navios de apoio offshore.
Geração de empregos e qualificação profissional nos estaleiros
Apenas no estaleiro de Rio Grande, a Petrobras projeta a necessidade de 7 mil novos profissionais ao longo das fases de projeto, corte de chapas, montagem de blocos e integração final dos gaseiros. Para responder a essa demanda, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) inaugurará, em março, uma escola dedicada à formação de soldadores, caldeireiros, eletricistas navais e pintores industriais. O programa “Autonomia e Renda”, mencionado pela estatal, disponibilizará 1,6 mil vagas em cursos de capacitação com bolsa-auxílio, garantindo, segundo a companhia, suprimento de mão de obra qualificada em tempo hábil.
No Amazonas e em Santa Catarina, iniciativas semelhantes devem ocorrer em parceria com federações das indústrias regionais, visando treinamento em montagem de cascos, sistemas de propulsão fluvial e normas de segurança aplicáveis à navegação interior. Além dos empregos diretos nos canteiros, cadeias secundárias — fornecedores de aço, válvulas, cabos, tintas e serviços de engenharia — tendem a ser estimuladas, multiplicando o efeito dos investimentos sobre a economia local.
Próximas etapas e cronograma de entregas das 41 embarcações
O contrato estabelece que o primeiro navio gaseiro deverá ser concluído em até 33 meses. Após essa entrega inicial, cada nova unidade será disponibilizada à Transpetro a cada semestre, até completar o lote de cinco. Para barcaças e empurradores, os cronogramas ainda não foram detalhados publicamente, mas a previsão oficial indica conclusão dentro da janela de 2027 a 2028, período no qual se espera que a força de trabalho chegue ao ápice nos estaleiros envolvidos.
Com a assinatura formalizada e as ordens de serviço emitidas, a próxima etapa compreende a adequação de linhas de produção, aquisição de insumos e contratação de pessoal. O setor aguarda, agora, o início efetivo dos cursos de capacitação anunciados para março e a subsequente mobilização das primeiras turmas no estaleiro de Rio Grande.

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