Pedro Turra: cronologia completa do homicídio que chocou o Distrito Federal

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Pedro Turra, ex-piloto de 19 anos, tornou-se o centro de um dos processos criminais mais acompanhados no Distrito Federal depois da morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, consequência de agressões sofridas em 23 de janeiro. A seguir, um panorama minucioso da sequência de fatos, desde o início da desavença até a denúncia formal por homicídio doloso qualificado e o andamento judicial.
- O encontro inicial e a motivação da briga envolvendo Pedro Turra
- Da permanência no condomínio à agressão fatal
- A internação prolongada de Rodrigo Castanheira e seus desdobramentos
- Prisão, fiança, buscas e nova detenção de Pedro Turra
- Denúncia por homicídio doloso qualificado e pedido de indenização
- Próximos passos: tramitação judicial e cenário para Pedro Turra
O encontro inicial e a motivação da briga envolvendo Pedro Turra
Na noite de 22 de janeiro, o Ministério Público (MP) identificou que Pedro Turra treinava em uma academia quando tomou conhecimento de que um amigo enfrentava hostilidade em uma festa de aniversário realizada em Vicente Pires. Mensagens enviadas por volta das 23h40 à namorada revelam o objetivo de deslocar-se ao endereço para “fazer frente” à ameaça. Ao pressionar a companheira para acompanhá-lo, o investigado indicou disposição de confronto, reforçando nas investigações a hipótese de que a ida ao local ocorreu com intenção deliberada de iniciar uma briga. O MP também apurou duas possibilidades de motivação: permitir que o referido amigo conversasse com uma ex-namorada ou, alternativamente, tirar satisfações com Rodrigo Castanheira, jovem com quem já mantinha rixa.
Esse cenário preliminar demonstra que o conflito não nasceu de um episódio isolado; pelo contrário, havia clima de animosidade previamente estabelecido. Esse detalhe sustenta o enquadramento jurídico por motivo fútil, uma vez que a razão do desentendimento não extrapolava questões pessoais, segundo os autos.
Da permanência no condomínio à agressão fatal
Após chegar à festa na madrugada de 23 de janeiro, Pedro Turra, seu amigo e outros acompanhantes permaneceram em áreas comuns do condomínio onde o evento ocorria. A reunião foi interrompida por reclamações de barulho, e os presentes se dirigiram para a área externa, em frente ao prédio. Nesse ponto, Pedro encontrava-se dentro de um automóvel estacionado na via pública quando começou uma discussão com Rodrigo Castanheira. Embora o MP não tenha confirmado com precisão o gatilho inicial da troca de palavras, depoimentos colhidos indicam que Pedro cuspiu no rosto do adolescente, gesto que, conforme testemunhas, causou indignação imediata na vítima.
Mobilizado pela hostilidade, Pedro deixou o veículo e desferiu diversos socos no rosto e na cabeça de Rodrigo. A contundência dos golpes provocou traumatismo cranioencefálico grave. Rodrigo foi socorrido ainda no mesmo dia e admitido em um hospital com necessidade de coma induzido, quadro considerado gravíssimo pelos médicos. A agressão, registrada como física e direta, não contou com uso de objetos, segundo o inquérito, mas resultou em lesões de alta complexidade que evoluíram para a morte do adolescente 16 dias depois.
A internação prolongada de Rodrigo Castanheira e seus desdobramentos
Do momento da admissão hospitalar até o falecimento, em 7 de fevereiro, Rodrigo Castanheira permaneceu 16 dias sob cuidados intensivos. Inicialmente, o caso era investigado como lesão corporal gravíssima, pois a vítima ainda apresentava sinais vitais. Contudo, a gravidade do traumatismo e a necessidade de manutenção do coma induzido sinalizavam prognóstico reservado. Durante esse período, familiares e amigos acompanharam diariamente a evolução clínica, enquanto autoridades aguardavam desfecho médico para eventual reclassificação penal.
A morte cerebral não foi mencionada nos autos divulgados; contudo, o óbito foi oficialmente comunicado seis dias antes da atualização que completou a cronologia original dos fatos. A partir desse registro, o Ministério Público obteve subsídios para requalificar o delito de lesão corporal para homicídio doloso qualificado, considerando a intenção de matar presumida pela intensidade e direção das agressões.
Prisão, fiança, buscas e nova detenção de Pedro Turra
Logo após o ataque, Pedro Turra prestou depoimento, alegando que “não tinha intenção de machucar” Rodrigo. Em 24 de janeiro, passou por audiência de custódia e obteve liberdade provisória mediante fiança fixada em R$ 24.315. Seis dias depois, em 30 de janeiro, a Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão em sua residência, localizando um soco inglês e facas. A suspeita de tentativa de interferência nas investigações embasou nova ordem de prisão. Nessa segunda detenção, Pedro foi levado à Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP).
Em 2 de fevereiro, já com a investigação em estágio avançado, o jovem foi transferido para o Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. Por apresentar relatos de ameaças de outros internos e de policiais, passou a ocupar cela individual. A condição de ex-piloto e a notoriedade do caso teriam contribuído para esse protocolo de segurança, conforme indicações do sistema penitenciário incluídas no processo.
Denúncia por homicídio doloso qualificado e pedido de indenização
Com o óbito confirmado, o Ministério Público formalizou, em 11 de fevereiro, denúncia contra Pedro Turra por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. O órgão solicitou, adicionalmente, indenização de R$ 400 mil por danos morais à família da vítima. A promotoria fundamentou o pedido nas consequências irreparáveis do crime e na necessidade de reparação financeira proporcional à gravidade do resultado.
Na esfera processual, a defesa apresentou pedido de habeas corpus, negado pelo tribunal competente em 12 de fevereiro. A negativa manteve a prisão preventiva, sob justificativa de garantia da ordem pública e prevenção de influências externas na produção de provas. Até a última atualização, o réu permanece recolhido, dedicando-se, segundo advogados, à leitura da Bíblia e demonstrando abatimento emocional diante da repercussão do caso.
Próximos passos: tramitação judicial e cenário para Pedro Turra
O processo segue em curso com a acusação sustentada pelo MP e a defesa buscando medidas para revogação da prisão ou, subsidiariamente, responder em regime domiciliar. A fase atual concentra-se na instrução, que inclui oitiva de testemunhas presenciais da festa, análise de laudos periciais sobre a causa da morte e avaliação de eventuais imagens de câmeras próximas ao local do crime. Tais elementos servirão de base para construção da sentença de primeiro grau.
Ao mesmo tempo, examinadores do Instituto Médico Legal e peritos criminais devem correlacionar o traumatismo sofrido por Rodrigo Castanheira aos golpes aplicados, reforçando o nexo causal essencial para condenação. Caso a qualificadora por motivo fútil seja confirmada, as penas podem alcançar patamar superior ao previsto para homicídios simples, agravando a situação penal de Pedro. A expectativa é que audiências decisivas ocorram nos próximos meses, sem data definida nos autos tornados públicos.
Até essa etapa, o último marco relevante permanece sendo a manutenção da prisão preventiva de Pedro Turra no Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto o Judiciário analisa provas e define a agenda de instrução criminal.

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