Paracetamol na gravidez não eleva risco de autismo, aponta a maior revisão já realizada

Paracetamol na gravidez não eleva risco de autismo, aponta a maior revisão já realizada
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O uso de paracetamol na gravidez não está associado a aumento de casos de autismo, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual entre crianças, segundo a mais extensa revisão científica já feita sobre o tema, publicada na revista The Lancet. A conclusão, sustentada pela análise de 43 estudos internacionais e de dados referentes a centenas de milhares de nascimentos, oferece uma avaliação considerada definitiva para uma dúvida que inquietava gestantes e profissionais de saúde em diversos países.

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Paracetamol na gravidez: mega-análise reavalia décadas de dados

A pesquisa foi conduzida por uma equipe da Universidade City St Georges, em Londres, que reuniu resultados de quatro décadas de literatura científica. Ao todo, 43 investigações de diferentes regiões do mundo foram examinadas. Essa estratégia, conhecida como meta-análise, integra achados de estudos independentes a fim de identificar padrões consistentes e reduzir incertezas estatísticas. O volume agregado de informações permitiu testar, de maneira robusta, a hipótese levantada por trabalhos isolados de que haveria uma ligação entre a exposição ao analgésico durante a gestação e problemas de neurodesenvolvimento.

Estudos anteriores, menos extensos, sugeriram riscos potenciais, mas apresentavam limitações como número reduzido de participantes, dependência de relatos de memória das mães ou ausência de controle rigoroso para fatores genéticos e ambientais. Ao cruzar milhares de registros clínicos com critérios unificados de qualidade, os autores da nova revisão conseguiram dissociar o efeito do medicamento de outras influências relevantes.

Comparação entre irmãos isola efeito do paracetamol na gravidez

O elemento metodológico central foi a comparação entre irmãos, reconhecido na literatura como padrão-ouro para investigar exposições durante a gestação. O princípio é direto: avaliar filhos da mesma mãe, sendo um exposto ao paracetamol e outro não. Como os irmãos compartilham perfil genético e ambiente doméstico semelhantes, qualquer disparidade observada pode ser atribuída, com maior segurança, ao fator isolado em análise — neste caso, o medicamento.

Ao aplicar esse desenho, os pesquisadores eliminaram fontes comuns de confusão. Por exemplo, mulheres que apresentam febre ou dores intensas podem ter predisposição a inflamações que, elas próprias, afetam o feto. Também se evita o viés de recordação, já que os dados coletados não dependem exclusivamente da memória materna a respeito dos medicamentos ingeridos anos antes. O resultado final indicou que a exposição ao paracetamol, quando comparada ao não uso em irmãos, não altera a probabilidade de diagnóstico de autismo, TDAH ou deficiência intelectual.

Desfechos analisados: autismo, TDAH e deficiência intelectual

A mega-análise concentrou-se em três condições de neurodesenvolvimento amplamente estudadas: transtorno do espectro autista, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e deficiência intelectual. As taxas de incidência em crianças expostas ao paracetamol foram sobrepostas às de crianças não expostas quando controladas as variáveis genéticas, ambientais e de saúde materna.

Segundo o relatório, a aparente correlação identificada em publicações antigas desapareceu após a aplicação dos filtros mais rigorosos. Contribuíram para o equívoco prévio fatores como:

  • Dependência de entrevistas retrospectivas, sujeitas a falhas de memória.
  • Ausência de ajuste para a febre em si, que é reconhecida como risco para complicações gestacionais.
  • Tamanho amostral reduzido, incapaz de distinguir coincidência de causalidade.

Com a inclusão de grandes bases de dados e a abordagem entre irmãos, o artigo concluiu que o remédio é neutro para o desenvolvimento neurológico infantil.

Implicações para protocolos obstétricos e escolha terapêutica

Os achados reforçam recomendações de entidades regulatórias, como a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e o Colégio Americano de Obstetras, que mantêm o paracetamol como primeira linha para o controle de dor e febre durante a gestação. O consenso médico baseia-se na relação risco-benefício: as consequências de não tratar uma febre — aborto, parto prematuro e malformações — são documentadas e significativamente superiores ao risco zero atribuído ao analgésico quando utilizado conforme posologia indicada.

A publicação também oferece respaldo para práticas clínicas em todo o mundo, pois revoga definitivamente suspeitas que levaram algumas gestantes a evitarem o medicamento sem orientação profissional. Obstetras podem, a partir de agora, apoiar-se na evidência mais sólida já obtida ao aconselhar pacientes sobre analgesia segura.

Desinformação recente e riscos de evitar o paracetamol na gravidez

A divulgação da pesquisa acontece em contexto de crescente disseminação de informações imprecisas sobre saúde. Em setembro de 2025, declarações não fundamentadas de representantes do governo dos Estados Unidos sugeriram ao público uma suposta relação causal entre o paracetamol e o autismo. O pronunciamento, sem respaldo científico, gerou preocupação imediata entre gestantes, muitas das quais optaram por renunciar ao medicamento ou substituí-lo por alternativas menos estudadas.

Especialistas alertam que a interrupção do tratamento de febre sem supervisão médica agrava os perigos gestacionais já reconhecidos. A meta-análise reforça que a decisão de administração deve permanecer baseada em evidências, e que o analgésico continua representando recurso seguro e eficaz para preservar tanto a saúde materna quanto fetal.

Evidências consolidadas sustentam uso seguro do paracetamol na gravidez

Ao reunir 43 estudos, introduzir o método de comparação entre irmãos e eliminar vieses de coleta de dados, a equipe britânica sintetizou o maior conjunto de evidências disponível até o momento. O trabalho não apenas invalida associações estatísticas desatualizadas, como também estabelece novo padrão para futuras avaliações de fármacos na gestação.

Com base nos dados agregados, a principal orientação para grávidas permanece a mesma: o paracetamol é seguro quando utilizado nas doses recomendadas por profissionais de saúde e continua sendo ferramenta essencial para o controle de sintomas que, sem tratamento adequado, representam riscos comprovados ao desenvolvimento da criança.

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