Países da América Latina reagem ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela

Países da América Latina reagem ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela

Ataque dos Estados Unidos à Venezuela gerou respostas imediatas e divergentes em toda a América Latina. Enquanto Chile, Colômbia e México repudiaram a ação militar e defenderam a soberania venezuelana, Argentina celebrou a captura de Nicolás Maduro e Bolívia classificou o governo de Caracas como um narcoestado. Essas manifestações revelam alinhamentos políticos distintos e reabrem o debate sobre intervenções estrangeiras na região.

Índice

Contexto do ataque dos Estados Unidos à Venezuela

O fim de semana foi marcado por operações militares norte-americanas em território venezuelano. A investida culminou no sequestro do presidente Nicolás Maduro, episódio que Washington compara à captura de Manuel Noriega no Panamá, em 1989. Assim como então, a justificativa oficial cita acusações de narcotráfico. Especialistas, contudo, questionam a existência do chamado cartel De Los Soles, supostamente liderado por Maduro, pois nenhuma prova concreta foi tornada pública.

Críticos enxergam na ofensiva uma estratégia de contenção geopolítica. Segundo esse ponto de vista, o objetivo seria afastar Caracas de parceiros como China e Rússia, além de reforçar a influência norte-americana sobre as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, hoje controladas pela Venezuela.

Colômbia reitera paz regional e rejeita o ataque dos Estados Unidos à Venezuela

O presidente colombiano Gustavo Petro enfatizou que seu país preserva uma postura voltada à paz regional. Em pronunciamento pelas redes sociais, ele reafirmou compromissos expressos na Carta das Nações Unidas: respeito à soberania alheia, integridade territorial, proibição do uso da força e resolução pacífica de controvérsias.

Além do posicionamento diplomático, Petro anunciou medidas preventivas. Entre elas, ações de proteção à população civil nas áreas de fronteira, planos de estabilidade para a linha divisória colombo-venezuelana e coordenação com autoridades locais e agências especializadas para responder a potenciais fluxos migratórios ou demandas humanitárias. O chefe de Estado encerrou a nota desejando que “Bolívar proteja o povo venezuelano e os povos da América Latina”, reforçando o apelo a soluções dialogadas.

Chile defende multilateralismo e critica o ataque dos Estados Unidos à Venezuela

O presidente chileno Gabriel Boric descreveu a situação venezuelana como “crise” e destacou que somente o diálogo, aliado ao multilateralismo, poderá oferecer uma saída legítima. Segundo o governo de Santiago, a violência e a interferência estrangeira violam princípios básicos do direito internacional, entre eles a não intervenção e a salvaguarda da integridade territorial dos Estados.

Ao reiterar o repúdio ao emprego da força, Boric lembrou que o Chile mantém compromisso histórico com a solução pacífica de conflitos. Essa linha diplomática, afirma, ganha relevância diante do risco de escalada militar e de efeitos humanitários que possam atingir a população venezuelana e, indiretamente, os países vizinhos.

México evoca a Carta da ONU para condenar o ataque dos Estados Unidos à Venezuela

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum citou o Artigo 2, parágrafo 4 da Carta das Nações Unidas para embasar sua condenação. O dispositivo determina que nenhum Estado deve usar a força contra a integridade territorial ou independência política de outro.

O pronunciamento reforça a tradição mexicana de defesa do princípio de não intervenção, consagrado na política externa do país desde a Doutrina Estrada. Com isso, o México se alinha a Chile e Colômbia na reprovação da operação norte-americana, ao mesmo tempo em que reafirma confiança nos mecanismos diplomáticos multilaterais.

Argentina celebra a captura e apoia o ataque dos Estados Unidos à Venezuela

Em contraponto aos governos que pediram contenção, o presidente argentino Javier Milei elogiou a remoção de Nicolás Maduro do poder. O comunicado oficial qualificou o líder venezuelano como “inimigo da liberdade” e comparou a situação atual à de Cuba na década de 1960.

Milei relembrou que Cuba sofre embargo norte-americano há mais de seis décadas, medida condenada pela maioria dos países por ferir o direito internacional. Ainda assim, o presidente argentino classificou a captura de Maduro como passo decisivo para restabelecer liberdades no continente, demonstrando alinhamento com a estratégia de Washington.

Bolívia fala em narcoestado e apoia transição pós-ataque dos Estados Unidos à Venezuela

Por meio do Ministério de Relações Internacionais, o governo boliviano manifestou apoio “firme e imediato” ao povo venezuelano. O texto fala em “recuperação de sua democracia” e considera imprescindível iniciar uma transição que desmonte um suposto “narcoestado”, elimine mecanismos de repressão e corrupção e restabeleça a legitimidade institucional conforme a vontade popular.

Assim, La Paz se mostra favorável a mudanças profundas no sistema político venezuelano, embora não tenha celebrado expressamente a ação militar. A nota sinaliza preferência por reformas internas que levem a eleições consideradas legítimas pelos atores regionais.

Antecedentes: intervenções anteriores dos EUA na América Latina

A última invasão direta de Washington a um país latino-americano havia ocorrido em 1989, no Panamá. Na ocasião, Manuel Noriega foi capturado sob acusação de narcotráfico, e a operação resultou em centenas de vítimas civis. O paralelo com o episódio venezuelano reforça temores de que o padrão se repita.

Durante o governo anterior em Washington, chegou-se a oferecer recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Esse patamar de incentivo evidencia a prioridade conferida pelos Estados Unidos ao caso venezuelano, mesmo antes da ofensiva atual.

Possíveis impactos regionais do ataque dos Estados Unidos à Venezuela

A reação heterogênea dos países latino-americanos expõe linhas de fratura ideológica. Na prática, a divergência pode influenciar votações em organismos multilaterais e comprometer esforços de integração. Além disso, existe a preocupação de deslocamentos populacionais em direção a fronteiras consideradas seguras, especialmente Colômbia e Brasil, embora este último ainda não tenha divulgado nota oficial.

Economicamente, o controle das maiores reservas mundiais de petróleo permanece ponto sensível. Se a produção venezuelana ficar sob administração externa, fluxos de energia e receitas fiscais poderão ser redirecionados, alterando a correlação de forças entre exportadores da região.

Próximos passos após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela

No terreno, medidas de proteção civil anunciadas pela Colômbia entram em vigor nas áreas fronteiriças, enquanto Chile e México buscam articular respostas em fóruns internacionais. Paralelamente, a oferta de recompensa de US$ 50 milhões, estipulada anteriormente por Washington, permanece como referência para possíveis desdobramentos judiciais envolvendo Nicolás Maduro.

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