Os irmãos Karamázov retorna ao Rio com Libras integrada e acessibilidade total

Os irmãos Karamázov, adaptação do clássico de Fiódor Dostoiévski, inicia nesta quinta-feira sua nova temporada carioca levando ao palco do Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, uma proposta de acessibilidade em que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outros recursos inclusivos fazem parte orgânica da encenação. Com sessões até o próximo domingo da semana seguinte, o espetáculo reafirma o compromisso de atender públicos diversos sem comprometer a integridade artística.
- Sinopse e proposta artística de Os irmãos Karamázov
- Integração de Libras em Os irmãos Karamázov revoluciona acessibilidade
- Recursos complementares garantem acesso pleno ao público
- Trajetória de produção: como Os irmãos Karamázov chegou ao palco
- Serviço: datas, horários e ingressos para Os irmãos Karamázov no Rio
- Expectativas para a temporada e perspectivas futuras
Sinopse e proposta artística de Os irmãos Karamázov
A montagem condensa o extenso romance russo em ação cênica que abrange os três dias que antecedem e sucedem o assassinato em torno do qual gira a trama familiar. Ambientada na Rússia pré-revolucionária, a peça acompanha os irmãos Dmitri, Ivan e Aliócha em conflito com o pai, Fiódor Karamázov, por herança e por uma paixão comum. A estrutura dramática privilegia ritmo ágil, mantendo-se em aproximadamente duas horas para preservar o caráter popular dos folhetins originais de Dostoiévski, publicados em capítulos semanais nos jornais do século XIX.
O elenco reúne 13 atores que alternam múltiplos papéis, destacando a tensão moral e filosófica característica do autor. A direção de Marina Vianna e de Caio Blat opta por cenografia enxuta, concentrando a atenção na interpretação e no gestual que, nesta versão, incorpora sinais de Libras como parte do vocabulário corporal da companhia.
Integração de Libras em Os irmãos Karamázov revoluciona acessibilidade
Ao contrário do modelo tradicional, em que um intérprete fica lateralizado, Os irmãos Karamázov coloca duas atrizes intérpretes — Malu Aquino e Juliete Viana — dentro da ação dramática. As profissionais assumem personagens, participam do desenrolar das cenas e, simultaneamente, traduzem o texto para Libras. Uma sequência completa é realizada exclusivamente na língua de sinais, envolvendo todo o elenco e reforçando a premissa de que acessibilidade não precisa ser elemento externo à narrativa.
O trabalho de preparação começou antes do primeiro ensaio. A equipe de acessibilidade, convidada logo no início do projeto, capacitou os demais atores a incorporar gestos de Libras em ações cotidianas do enredo, evitando a impressão de tradução dura ou meramente funcional. O resultado é um diálogo contínuo entre palavra falada e sinalização, sem hierarquizar formas de comunicação.
Recursos complementares garantem acesso pleno ao público
Além da presença de Libras em cena, a produção oferece outras ferramentas de inclusão. Pessoas com deficiência visual podem ingressar no palco antes da plateia para conhecer figurinos e objetos por meio do tato, favorecendo uma compreensão espacial do espetáculo. Um livro em tecido com informações em braile amplia a experiência tátil.
Para espectadores com sensibilidade auditiva, estão disponíveis protetores auriculares, permitindo que cada pessoa regule o nível de som conforme sua necessidade. Todos esses recursos integram a proposta original da co-realizadora e produtora Maria Duarte, que defende a acessibilidade como parte indissociável do processo criativo.
Trajetória de produção: como Os irmãos Karamázov chegou ao palco
A ideia de adaptar Os irmãos Karamázov acompanha Caio Blat há mais de duas décadas. Em parceria com o amigo Manuel Candeias, o ator leu toda a obra de Dostoiévski e identificou neste título o potencial mais teatral. A chegada de traduções diretas do russo para o português, no início dos anos 2000, favoreceu a empreitada, mas as condições para montagem emergiram apenas em 2025.
Nesse ano, o projeto foi selecionado pelo edital Sesc Pulsar RJ e estreou no Sesc Copacabana, seguindo para temporadas igualmente esgotadas em São Paulo e Belo Horizonte. Na capital mineira, a colaboração com o programa Acessa BH resultou em apresentação para 1,2 mil espectadores, demonstrando demanda reprimida de público com deficiência para produtos culturais plenamente acessíveis.
O encontro entre Caio Blat, Luiza Arantes, Maria Duarte e Marina Vianna retirou a adaptação da gaveta. Com o conceito de acessibilidade integrada definido desde o primeiro momento, a equipe incorporou profissionais especializados nas etapas de preparação do elenco, desenho de figurinos e planejamento de logística de público.
Serviço: datas, horários e ingressos para Os irmãos Karamázov no Rio
As apresentações de Os irmãos Karamázov ocorrem em curta temporada de duas semanas. Nas quintas e sextas-feiras, o início é às 19h; nos sábados e domingos, às 17h. O Teatro Carlos Gomes abre as portas uma hora antes de cada sessão, permitindo que o público com deficiência visual realize o reconhecimento tátil do espaço e dos figurinos.
Ingressos podem ser adquiridos on-line ou diretamente na bilheteria física. O guichê funciona às quartas-feiras das 14h às 19h, às quintas e sextas a partir das 16h e, aos finais de semana, a partir das 14h. Pessoas que necessitem de recursos específicos, como protetores auriculares ou acesso antecipado, são orientadas a informar a equipe do teatro no momento da compra ou na chegada ao local.
Expectativas para a temporada e perspectivas futuras
Desde a estreia em 2025, todas as sessões realizadas em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte registraram lotação completa. A produção trabalha com a previsão de repetir o feito nesta passagem pelo Teatro Carlos Gomes, sustentada pela resposta positiva de um público que abrange não apenas admiradores de Dostoiévski, mas também espectadores em busca de experiências culturais inclusivas.
Encerrada a temporada carioca, a equipe planeja manter o formato acessível como padrão para eventuais novas circulações. Enquanto isso, o público fluminense dispõe de duas semanas, de quinta a domingo, para conferir o espetáculo que alia clássico da literatura a práticas contemporâneas de acessibilidade.

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