Oposição protocola pedido de impeachment de Ibaneis Rocha após citação em investigação sobre BRB e Banco Master
impeachment de Ibaneis Rocha é o novo foco político do Distrito Federal. Três partidos de oposição protocolaram na Câmara Legislativa um pedido para afastar o governador, citando supostos crimes de responsabilidade relacionados às operações financeiras investigadas entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
- Pedido de impeachment de Ibaneis Rocha: quem assina e por quê
- Principais acusações ligadas ao impeachment de Ibaneis Rocha
- Defesa de Ibaneis Rocha diante do pedido de impeachment
- Operações BRB–Banco Master: valores, investigações e impactos
- Trajetória da tentativa de venda e a posição dos órgãos reguladores
- Governança e possíveis ilícitos na gestão dos recursos públicos
- Próximos passos no processo de impeachment de Ibaneis Rocha
Pedido de impeachment de Ibaneis Rocha: quem assina e por quê
As legendas PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL formalizaram o requerimento de perda de mandato. O documento sustenta que o chefe do Executivo local teria agido de forma temerária em decisões que envolveram o banco público controlado pelo governo distrital. Segundo os autores, operações conduzidas entre 2024 e 2025 expuseram o erário a riscos bilionários e feriram princípios da administração, configurando crimes de responsabilidade previstos na legislação.
O estopim do pedido foi a menção ao governador feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em depoimento à Polícia Federal. Ao relatar negociações para vender sua instituição ao BRB, Vorcaro declarou ter conversado com Ibaneis sobre o tema. A citação reforçou a crítica oposicionista de possível ingerência do Palácio do Buriti em decisões internas do BRB.
Principais acusações ligadas ao impeachment de Ibaneis Rocha
O requerimento elenca quatro pontos centrais. O primeiro cita a compra, pelo BRB, de títulos considerados de baixa qualidade e de origem questionável, supostamente ofertados pelo Banco Master. O segundo aponta a criação de dívidas fora do orçamento oficial do banco público, prática que, de acordo com os partidos, viola normas de responsabilidade fiscal.
Como terceiro elemento, a oposição enumera negociações classificadas como carentes de transparência. Nesse tópico, alega-se que conversas informais teriam substituído processos formais de análise de riscos. Por fim, o documento questiona a eventual influência direta do governador em deliberações da diretoria do BRB, uma ingerência proibida pelo estatuto da instituição.
Defesa de Ibaneis Rocha diante do pedido de impeachment
Em entrevista concedida após a protocolização do requerimento, Ibaneis Rocha refutou ter tratado de negócios bancários com Daniel Vorcaro. O governador reconheceu que esteve em quatro ocasiões com o banqueiro, incluindo um almoço organizado por amigo em comum, mas afirmou ter “entrado mudo e saído calado” sobre assuntos corporativos. Ele atribuiu todas as negociações ao então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, demitido depois de operações conjuntas da Polícia Federal e do Ministério Público em novembro.
Ao enfatizar que nunca participou das tratativas, Ibaneis declarou ter cometido “apenas o erro de confiar demais” no ex-dirigente do banco público. Ressaltou, ainda, que a aquisição de carteiras de crédito sempre passou pelos canais técnicos da instituição, sem intervenção do governo.
Operações BRB–Banco Master: valores, investigações e impactos
Os fatos financeiros que sustentam o pedido de impeachment de Ibaneis Rocha envolvem cifras elevadas. Investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal apontam que o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao Banco Master entre 2024 e 2025. Desse montante, aproximadamente R$ 12,2 bilhões teriam sido usados para comprar carteiras de crédito que, segundo a PF, sequer existiam plenamente nos registros da instituição privada. A suspeita é de gestão fraudulenta destinada a impedir a quebra do Master, que atravessava crise de liquidez.
Os órgãos de controle estimam um rombo de R$ 4 bilhões no balanço do BRB em razão dessas operações. Jornais de circulação nacional publicaram que o Banco Central determinou provisão de R$ 2,6 bilhões para cobrir perdas potenciais; até o momento, o BC não confirmou oficialmente o valor. Em paralelo, ex-executivos das duas instituições foram convocados a depor entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, e auditoria independente contratada pela nova gestão do BRB ainda avalia a extensão dos danos.
Trajetória da tentativa de venda e a posição dos órgãos reguladores
Os levantamentos indicam que, ao longo de 2025, o BRB buscou adquirir participação relevante no Banco Master. Como acionista controlador do banco público, o governo do Distrito Federal apoiou a iniciativa, mas a proposta foi barrada pelo Banco Central. A autoridade monetária sustou o negócio por identificar sinais de risco elevado para a saúde financeira do BRB e para o sistema bancário.
Mesmo sem a concretização da compra, as transações anteriores de créditos de alto risco permaneceram sob análise. Em novembro, uma operação deflagrada conjuntamente pelo Ministério Público e pela Polícia Federal afastou Paulo Henrique Costa da presidência do BRB. Dias depois, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Governança e possíveis ilícitos na gestão dos recursos públicos
Documentos reunidos pelos investigadores sugerem falhas graves de governança. Entre elas, estão procedimentos de avaliação de risco abreviados, ausência de comprovação de lastro nas carteiras adquiridas e decisões estratégicas tomadas por pequena parcela da liderança, sem registro em atas completas. A hipótese sob apuração é de que tais falhas permitiram a circulação de valores expressivos com pouca ou nenhuma garantia de retorno.
Além das esferas criminal e administrativa, a Câmara Legislativa do DF pode agora examinar se essas falhas configuram responsabilidade política do governador. Para que o processo avance, o pedido necessita de admissibilidade por parte da Mesa Diretora e, depois, de maioria simples em plenário para instaurar comissão especial.
Próximos passos no processo de impeachment de Ibaneis Rocha
Conforme o regimento interno da Casa, caso o requerimento seja aceito, será formada comissão composta proporcionalmente por parlamentares de todos os partidos. O grupo terá prazo determinado para ouvir depoimentos, solicitar documentos e apresentar relatório recomendando arquivamento ou cassação. Se o relatório for pela cassação, caberá ao plenário decidir por dois terços dos votos.
Enquanto isso, o inquérito da Polícia Federal continua coletando informações sobre as transferências bilionárias e a suposta venda frustrada do Banco Master. Também seguem em curso a auditoria independente do BRB e as análises de provisão exigidas pelo Banco Central. A divulgação dos laudos técnicos e dos relatórios da comissão legislativa será o próximo marco esperado pelos envolvidos.

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