O Morro dos Ventos Uivantes: filme de Emerald Fennell com Margot Robbie e Jacob Elordi aposta em erotismo para renovar clássico

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No centro da nova adaptação cinematográfica de O Morro dos Ventos Uivantes, a diretora Emerald Fennell propõe um mergulho sensorial que pretende despertar reações físicas na plateia. Margot Robbie e Jacob Elordi assumem os papéis de Cathy e Heathcliff, conduzindo uma narrativa que converte o famoso romance gótico de Emily Brontë em um drama de alta voltagem erótica, desenhado para ser experimentado coletivamente nas salas de cinema.
- O Morro dos Ventos Uivantes: nova adaptação transforma romance gótico em eros cinematográfico
- Elenco de peso sustenta a intensidade de O Morro dos Ventos Uivantes
- Como Emerald Fennell reinterpretou O Morro dos Ventos Uivantes
- Polêmicas de casting e cortes narrativos em O Morro dos Ventos Uivantes
- Produção, estreia e expectativas de O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes: nova adaptação transforma romance gótico em eros cinematográfico
Publicado em 1847 sob o pseudônimo masculino Ellis Bell, o livro original de Brontë retrata a turbulenta relação de Cathy Earnshaw e Heathcliff, um órfão de origem misteriosa acolhido pela família dela em uma propriedade rural inglesa. A obra, marcada por nuances de crueldade, vingança e obsessão, tornou-se referência do romantismo sombrio vitoriano. Na versão de Fennell, o ponto de partida permanece, mas o foco desloca-se para a pulsão sexual entre os protagonistas, preenchendo lacunas que o texto literário deixava à imaginação do leitor.
Logo nas primeiras cenas, o espectador testemunha Cathy se masturbando sob uma tempestade, ação que desencadeia um jogo de desejo explícito porém não pornográfico. A diretora define o projeto como o “Titanic” de uma nova geração, almejando transportar para o século XXI o mesmo impacto emocional que o cinema de grande escala provocou em 1997. Nesse contexto, a sexualidade é tratada como força motriz do enredo, aproximando-se de questões contemporâneas sobre liberdade, limites e consentimento.
Elenco de peso sustenta a intensidade de O Morro dos Ventos Uivantes
A escolha de Margot Robbie e Jacob Elordi reforça a estratégia de transformar O Morro dos Ventos Uivantes em um evento pop. Robbie, vencedora do Oscar de melhor filme como produtora de “Eu, Tonya” e estrela de sucessos como “Barbie”, adiciona capital simbólico e visibilidade ao longa. Elordi, por sua vez, vive um momento de ascensão, concorrendo ao Oscar de melhor ator coadjuvante por “Frankenstein” enquanto mantém fãs das séries “Euphoria” e “The Kissing Booth”.
Nas entrevistas de divulgação, Robbie destaca que a sexualidade de Cathy não se restringe a atos explícitos, mas se manifesta em olhares, texturas e símbolos visuais, como uma cena em que a personagem afunda os dedos em uma gelatina translúcida que abriga a cabeça de um peixe. Elordi, ainda que discorde da leitura de que Heathcliff é sexualizado, reconhece que a direção privilegia o ponto de vista feminino, submetendo o corpo masculino ao desejo da protagonista em planos fechados que detalham cicatrizes nas costas ou respirações entrecortadas.
Como Emerald Fennell reinterpretou O Morro dos Ventos Uivantes
Emerald Fennell já havia mostrado interesse por personagens ambíguos em “Bela Vingança”, vencedor do Oscar de roteiro original, e em “Saltburn”, drama que viralizou nas redes sociais por cenas de teor provocativo. Em O Morro dos Ventos Uivantes, ela mantém a predileção por figuras que oscilam entre atração e repulsa. A diretora conduz o espectador a transitar do desconforto ao êxtase, explorando sentimentos de inveja, ciúme e autodestruição sem oferecer redenção fácil.
Para concentrar a narrativa no casal central, Fennell removeu personagens como Hindley, irmão de Cathy e antagonista direto de Heathcliff na obra original. A governanta Nelly, narradora do romance de Brontë, ganha contornos mais maquiavélicos, agindo como catalisadora das desavenças que separam os amantes. Segundo a cineasta, as modificações não pretendem ser fiéis ao enredo, mas sim ao choque visceral que ela mesma experimentou ao ler o livro na adolescência.
Visualmente, a produção faz uso de vestidos pomposos, ambientações rococó e paisagens verdejantes que contrastam com interiores claustrofóbicos. Cada elemento de cenário procura amplificar a tensão sexual: mesas, paredes e até alimentos tornam-se extensões do desejo contido ou reprimido dos personagens.
Polêmicas de casting e cortes narrativos em O Morro dos Ventos Uivantes
A decisão de escalar Elordi, ator branco, para viver Heathcliff gerou debate entre leitores que enxergam o protagonista como um “cigano de pele escura”, descrição presente no texto de 1847 e essencial para justificar o status de eterno forasteiro do personagem. Fennell rebateu afirmando que nunca buscou literalidade, mas sim uma interpretação subjetiva das sensações evocados pela obra.
Outra queixa recorrente parte de fãs inconformados com a remoção de subtramas e a ênfase em cenas de conotação sexual, ausentes no material de origem. A diretora lembra, contudo, que versões anteriores também tomaram liberdades. Entre elas, destaca-se a produção de 1992, estrelada por Juliette Binoche e Ralph Fiennes, que seguiu linha mais romântica sem aprofundar as camadas de violência psicológica do casal.
Fennell prefere enxergar essas discordâncias como prova de vitalidade do clássico. Para ela, o romantismo trágico continua provocando debate porque não oferece heróis incontestáveis; Cathy e Heathcliff permanecem cruéis, ciumentos e vingativos mesmo quando o roteiro intensifica a atração física.
Produção, estreia e expectativas de O Morro dos Ventos Uivantes
A produtora LuckyChap, comandada por Margot Robbie, assumiu a realização do longa. A empresa recusou proposta financeira superior da Netflix e optou por parceria com a Warner Bros. O objetivo declarado foi garantir um lançamento robusto nos cinemas, evitando que a obra se perdesse no catálogo de uma plataforma de streaming. Para Robbie, certas obras pedem a experiência coletiva da sala escura, e O Morro dos Ventos Uivantes encaixa-se nesse perfil por conter sequências de forte impacto sensorial.
A estratégia comercial de Fennell também mira reacender o hábito de ir ao cinema após um período de retração de bilheteria global. Na visão da diretora, o público continua desejando vivências que extrapolem o mero entretenimento passivo. Se um filme consegue conduzir a plateia do choro ao tesão, sustenta ela, cumpre a promessa ancestral de catarse que define a arte cinematográfica.
Classificado para maiores de 16 anos, o longa-metragem tem origem nos Estados Unidos e previsão de estreia nacional em 2026. O elenco conta ainda com Alison Oliver, ampliando o núcleo dramático ao redor do casal principal. O foco, porém, permanece na dupla Robbie-Elordi, cuja química física impulsiona o marketing e antecipa discussões sobre representações de desejo feminino na grande tela.
Seguindo a tradição de Fennell de cercar-se de referências estéticas ricas, as filmagens ocorreram em mansões de arquitetura do início do século XX e em vales que simulam as charnecas inglesas descritas por Brontë. A fotografia alterna tons quentes, que remetem à paixão, e paletas acinzentadas, evocando a dureza do terreno e dos sentimentos corrosivos dos protagonistas.
A diretora encerrou o cronograma de divulgação ressaltando que o título do filme aparece entre aspas nos materiais promocionais, sublinhando tratar-se de uma versão pessoal. O gesto serve como aviso aos puristas e como convite a espectadores dispostos a revisitar um clássico sob perspectiva de desejo, culpa e transgressão.
O próximo marco ligado a O Morro dos Ventos Uivantes será a chegada oficial aos cinemas, prevista para 2026, quando o público poderá confrontar a polêmica releitura de Emerald Fennell e avaliar se o romance erótico cumpre a meta de reacender o fervor das plateias.

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