O Fantasma da Ópera renasce em Nova York: versão imersiva “Masquerade” transforma clássico em fenômeno de ingressos esgotados

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O Fantasma da Ópera voltou a atrair multidões em Manhattan, agora dentro da experiência imersiva “Masquerade”, que conduz o público por seis andares de cenários enquanto recria o célebre musical de Andrew Lloyd Webber em estrutura inédita e de alta demanda.
- Do palco tradicional ao formato imersivo: como O Fantasma da Ópera ganhou nova vida
- Estrutura grandiosa sustenta O Fantasma da Ópera em seis andares de experiência
- Fãs de O Fantasma da Ópera impulsionam vendas relâmpago de ingressos
- Elenco veterano e direção focada em serviço aos admiradores
- Masquerade integra série de releituras de Andrew Lloyd Webber
- O que esperar das próximas sessões e como conseguir ingressos
Do palco tradicional ao formato imersivo: como O Fantasma da Ópera ganhou nova vida
Depois de encerrar sua histórica temporada de 13.981 apresentações na Broadway em 2023, o clássico de Lloyd Webber reapareceu em Nova York sob outra lógica de encenação. Em vez do palco frontal e da plateia convencional, “Masquerade” coloca cerca de 60 participantes por grupo dentro da narrativa. Guiados por mais de uma dúzia de atores vestidos com capas coloridas e máscaras imponentes, os visitantes revivem a sequência do baile de máscaras, tocam nos cenários e ouvem falas sussurradas a poucos centímetros de distância. A proposta, inspirada em montagens imersivas como “Sleep No More”, permite que cada espectador decida por onde circular, resultando em múltiplas versões da mesma noite.
A transformação respeita o enredo original do romance de Gaston Leroux — o gênio musical com deformidade facial que se apaixona pela jovem soprano Christine —, mas concede liberdade espacial aos presentes. O público acompanha a fuga de barco pelas catacumbas e, caso o clima ajude, sobe até o telhado do edifício para a cena culminante. A meta, segundo a diretora Diane Paulus, é oferecer o “serviço aos fãs” que acompanharam o espetáculo clássico por décadas.
Estrutura grandiosa sustenta O Fantasma da Ópera em seis andares de experiência
A antiga Lee’s Art Shop, na West 57th Street, foi completamente remodelada para abrigar a montagem. O investimento de US$ 25 milhões (cerca de R$ 133 milhões) equipara-se ao custo de capitalização de um musical de grande porte da Broadway. O local exibe um lustre com mais de 30 mil cristais — objeto central da narrativa —, corredores que reproduzem catacumbas e até um jardim de rosas, adicionado em setembro, para enriquecer o caminho dos espectadores.
O trajeto cobre mais de 30 cenas simultâneas distribuídas pelos seis pavimentos internos e pelo telhado. Para dar conta da logística, a produção mantém uma equipe de mais de cem profissionais, entre designers de som, iluminação, figurinistas, coreógrafo e um diretor de máscaras exclusivo. A montagem também negociou com vizinhos para encerrar as cenas externas até as 22h, solução que garantiu apoio do bairro.
Fãs de O Fantasma da Ópera impulsionam vendas relâmpago de ingressos
A estratégia de marketing privilegiou o engajamento de “phans”, como se autointitulam os admiradores do musical. Teasers em redes sociais e caças ao tesouro pela cidade anunciaram a chegada de “Masquerade”. O resultado foi imediato: os bilhetes para as seis primeiras semanas evaporaram em três horas.
A capacidade de público soma aproximadamente 360 pessoas por noite, diluídas em seis horários de entrada escalonados. O preço inicial gira em torno de US$ 195 (R$ 1.036) por ingresso, mas fãs como Michelle Antoinette Wakefield, de 34 anos, investiram valores superiores em busca da vivência exclusiva — no caso dela, US$ 966 para quatro lugares. Para ampliar o acesso, a equipe liberou bilhetes de espera com desconto e iniciou sorteios presenciais a US$ 66,60 cada, número que alude ao lote do célebre lustre no leilão que abre a história.
Repetir a visita tornou-se comum. Andrea Goldstein, reservista da Marinha que mora em Washington Heights, compareceu 14 vezes desde julho e já planeja a 15ª ida. Segundo ela, nunca se vê o mesmo espetáculo duas vezes, pois os espectadores escolhem caminhos diferentes e a produção acrescenta detalhes — como os portões de ferro forjado concebidos por Bob Dylan, instalados em outubro.
Elenco veterano e direção focada em serviço aos admiradores
Quarenta atores dão vida aos personagens. Diversos intérpretes passaram por montagens anteriores de O Fantasma da Ópera, caso de Hugh Panaro, 61 anos, que já vestiu a máscara mais de 2.500 vezes na Broadway. Para ele, a versão atual humaniza o protagonista como nunca.
A condução artística ficou a cargo de Diane Paulus, diretora conhecida por “Waitress” e “Jagged Little Pill”. Ela revisitou passagens do romance original, aprofundou a origem do Fantasma, incluiu uma sequência de Carnaval com engolidor de fogo e resgatou uma canção escrita por Lloyd Webber para o filme de 2004, mas cortada antes da estreia. O compositor, aos 77 anos, também preparou música inédita para complementar a amada partitura lançada em 1986.
Masquerade integra série de releituras de Andrew Lloyd Webber
A investida imersiva faz parte de uma sequência de remontagens não convencionais aprovadas pelo criador britânico. Entre elas estão a versão minimalista de “Sunset Boulevard” dirigida por Jamie Lloyd, vencedora do Tony de melhor revival de musical; um “Cats” inspirado em bailes drag previsto para a Broadway nesta primavera; o concerto sem distinção de gênero de “Jesus Christ Superstar” no Hollywood Bowl, comandado por Cynthia Erivo no papel de Jesus; e um “Evita” com estética de divas pop, também sob direção de Jamie Lloyd, recém-apresentado em Londres.
Segundo Lloyd Webber, a ideia de um “Fantasma” imersivo ronda sua mente desde 2019, quando ele assistiu a “Sleep No More” em Nova York e procurou um dos produtores do espetáculo, Randy Weiner. A possibilidade de encenar a cena do telhado em um terraço autêntico foi considerada “irresistível” pelo compositor, motivando o atual formato.
O que esperar das próximas sessões e como conseguir ingressos
“Masquerade” mantém temporada aberta e registra média de casa cheia há cerca de seis meses. A rotina de atualizações cenográficas sugere que novos elementos podem surgir, reforçando o estímulo a retornos sucessivos. Para interessados, a produção recomenda acompanhar os sorteios presenciais diários das entradas a US$ 66,60 e verificar a liberação de bilhetes de espera, que ocorrem próximo ao horário de cada sessão.
Os grupos iniciam o percurso em horários escalonados ao longo da noite, medida que distribui o fluxo interno e amplia o caráter personalizado da experiência. As cenas no telhado, parte crucial da narrativa, encerram-se até as 22h, cumprindo acordo de convivência com os vizinhos.
Enquanto a montagem se consolida como fenômeno de público e marketing, Lloyd Webber continua a explorar novas leituras de seu catálogo. Para os “phans”, a versão imersiva de O Fantasma da Ópera garante oportunidade de revisitar a história preferida por outro ângulo, preservando todos os acordes familiares ao mesmo tempo que oferece detalhes inéditos em cada visita.

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