Nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes aposta em erotismo e anacronismo sob comando de Emerald Fennell

Nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes aposta em erotismo e anacronismo sob comando de Emerald Fennell
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O Morro dos Ventos Uivantes, versão cinematográfica que chega aos cinemas em 2026 com classificação indicativa de 16 anos, foi dirigida pela britânica Emerald Fennell e protagonizada por Margot Robbie e Jacob Elordi. Lançado nos Estados Unidos em meio a uma volumosa campanha de marketing, o longa assume uma abordagem livre do romance escrito por Emily Brontë na segunda metade do século 19, optando por erotismo ostensivo, imagens deliberadamente artificiais e anacronismos de figurino e trilha sonora.

Índice

O Morro dos Ventos Uivantes: enredo central preservado

A narrativa do filme mantém os pilares do romance original: Catherine Earnshaw (Cathy) e Heathcliff crescem juntos em uma propriedade decadente situada na região inglesa de Yorkshire. O pai de Cathy, o senhor Earnshaw, mesmo empobrecido, adota o garoto órfão – descrito como cigano no livro – e o introduz à família. Ainda que o gesto pareça bondoso, o patriarca age com violência contra Heathcliff, levando Cathy a proteger o amigo de infância.

Conforme os dois amadurecem, a amizade se transforma em um amor reprimido que explode em conflito quando Cathy decide se casar com um vizinho rico. Essa estrutura, centrada em paixão, rancor e desencanto, permanece no roteiro, servindo de fio condutor para a releitura proposta por Fennell. Entretanto, alterações significativas surgem, como a exclusão do irmão biológico de Cathy, presente na obra de Brontë, e a ausência de qualquer menção à origem cigana de Heathcliff.

Direção de Emerald Fennell e a opção pelo distanciamento em O Morro dos Ventos Uivantes

Emerald Fennell fez questão de colocar aspas no título — “O Morro dos Ventos Uivantes” — a fim de sinalizar a distância conceitual em relação ao texto vitoriano. A escolha reforça que o filme não se pretende uma adaptação fiel, mas sim uma interpretação livre, marcada por estética exuberante e erotismo frívolo. A diretora mobiliza paisagens filmadas de maneira propositalmente artificial, valorizando cores saturadas e enquadramentos estilizados. Essa decisão se manifesta logo na primeira parte do longa, quando a Yorkshire melancólica do livro é substituída por cenários que parecem pintura digital.

O resultado, segundo avaliações especializadas, transita entre um visual sedutor e uma atmosfera superficial. Processos de filmagem que privilegiam texturas floridas, iluminação contrastada e movimentos de câmera coreografados constroem uma mise-en-scène que enfatiza o artifício. Ao mesmo tempo, a narrativa tenta manter os temas essenciais de Brontë — amor trágico, hierarquia social e opressão de gênero — ainda que esses elementos fiquem, por vezes, ofuscados pela estética.

Elenco de estrelas e o risco do sistema de estrelato em O Morro dos Ventos Uivantes

O elenco segue o modelo de grandes produções que capitalizam a notoriedade de intérpretes conhecidos. Na infância dos protagonistas, Cathy é vivida por Charlotte Mellington e Heathcliff por Owen Cooper, ator reconhecido pela série “Adolescência”. Quando os personagens atingem a idade adulta, os holofotes se voltam para Margot Robbie, lembrada por seu desempenho como a boneca da Mattel em “Barbie”, e para Jacob Elordi.

A estratégia de associar o filme a astros de bilheteria traz, entretanto, um dilema recorrente: a possível contaminação por papéis anteriores. No caso de Robbie, a postura rígida, o sorriso controlado e vestidos de grande volume remetem imediatamente ao universo colorido de “Barbie”. Essa memória recente torna-se ruído para parte da audiência e da crítica, que identifica ecos da boneca em vez de enxergar apenas a nova Cathy. Tal fenômeno evidencia o duplo caráter do sistema de estrelato: agregar público e, simultaneamente, carregar expectativas que nem sempre dialogam com o novo projeto.

No conjunto, o carisma inicial dos intérpretes infantis se converte, na segunda metade do enredo, em performances marcadas por ostentação gestual, reforçando a ideia de um espetáculo de superfície lustrosa que dialoga mais com a iconografia pop do que com a rusticidade do romance vitoriano.

Anacronismo de figurino e trilha sonora em O Morro dos Ventos Uivantes

Outro traço decisivo da produção é o anacronismo deliberado. Embora a história se situe no século 19, figurinos contemporâneos, exuberantes e de corte moderno ocupam a tela. Tecidos brilhantes, cortes assimétricos e paletas cromáticas vibrantes convivem com a austeridade das colinas de Yorkshire. A trilha sonora segue a mesma linha: canções pop atuais pontuam cenas de tensão ou romance, criando contraste explícito entre época narrada e som ambiente.

Anacronismos não são inéditos no cinema. A comparação com “Romeu + Julieta” de Baz Luhrmann ou “Maria Antonieta” de Sofia Coppola, mencionada por críticos, sugere que a estratégia pode revitalizar clássicos literários. Contudo, no caso deste O Morro dos Ventos Uivantes, parte da recepção especializada identifica falta de coesão entre a intenção de revisitar temas sociais do livro e a ênfase em fetiches visuais. A inspiração na ironia do cineasta Yorgos Lanthimos, também citada, explica o tom cínico que percorre determinadas sequências.

Recepção: influência das redes sociais e crítica especializada

A campanha de lançamento movimentou influenciadores digitais que celebraram o filme antes mesmo da estreia comercial. Essa repercussão positiva nas plataformas de vídeo curto, comentários e reações instantâneas contribuiu para gerar expectativa alta. Após as primeiras exibições, a divisão de opiniões tornou-se evidente. Enquanto criadores de conteúdo elogiaram a ousadia formal, vozes da crítica especializada reagiram com reservas, apontando superficialidade e desvios temáticos em relação à obra de Emily Brontë.

Entre os pontos de discórdia, aparecem a eliminação do irmão de Cathy — elemento dramático relevante no livro — e a atenuação da dimensão social que Brontë investigou, especialmente a condição restrita das mulheres na era vitoriana. A violência de Earnshaw contra Heathcliff, assim como a crítica à degradação moral em ambientes adversos, está presente, mas se dilui diante de cenas de erotismo e fetiches visuais que ocupam tempo de tela considerável.

Essa contradição entre forma exuberante e conteúdo menos aprofundado faz parte das avaliações severas que classificam a experiência como “versão artificial”. Contudo, a mesma artificialidade é vista por defensores do filme como linguagem legítima para dialogar com o público contemporâneo acostumado a dinâmicas narrativas rápidas e referências pop.

Classificação indicativa, produção e campanha de marketing

Com produção ambientada nos Estados Unidos e estreia programada para 2026, O Morro dos Ventos Uivantes recebeu classificação indicativa de 16 anos. A condição sinaliza conteúdo com conotações sexuais, violência moderada e temática madura, alinhada à proposta de erotismo acentuado e dramaticidade intensa. A estratégia de publicidade utilizou pôsteres estilizados, teasers visuais de alta saturação e ênfase na química entre Robbie e Elordi para atrair diferentes faixas de público.

O título grafado entre aspas foi replicado em materiais promocionais, reforçando o gesto de distanciamento conceitual em relação ao romance de Emily Brontë. Tal detalhe se converteu em parte da narrativa de venda: a obra não pretende substituir o livro, mas propor um olhar que mistura melancolia, desejo e estética pop.

Na ausência de informações sobre bilheteria ou premiações futuras, o próximo ponto de interesse para o público será acompanhar a continuidade das exibições em circuito comercial e eventuais debates críticos que possam emergir após seu lançamento completo em 2026.

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