NASA registra sinais de colapso do iceberg A-23A, o maior iceberg do mundo

NASA registra sinais de colapso do iceberg A-23A, o maior iceberg do mundo

O iceberg A-23A, frequentemente citado como o maior iceberg do mundo, exibe nas mais recentes imagens de satélite sinais claros de fragilidade estrutural que, segundo cientistas, antecedem um colapso completo previsto para os próximos dias ou semanas.

Índice

O que mostra a nova imagem da NASA

A fotografia divulgada pela agência espacial norte-americana apresenta uma extensa lâmina de água acumulada na superfície do bloco de gelo. De acordo com os especialistas que acompanham o monitoramento, essa acumulação indica que a plataforma está cedendo sob o próprio peso. Em um dos extremos, uma área mais clara contrasta com o corpo principal, sugerindo a formação de fendas resultantes da pressão exercida pela água retida. O fenômeno, descrito como um “vazamento”, reforça a avaliação de que o colapso é iminente.

Além da mancha líquida no topo, a imagem de 2 de agosto de 2025 revela bordas irregulares e fragmentos recém-destacados. Essas pistas visuais corroboram medições orbitais que apontam para perdas substanciais de massa no decorrer do ano de 2025.

A trajetória do iceberg A-23A: quatro décadas de deriva

O A-23A separou-se da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártida, em 1986. À época, estimava-se uma área de aproximadamente 4.000 quilômetros quadrados. Pouco depois do desprendimento, o bloco ficou preso no Mar de Weddell, onde permaneceu encalhado por mais de três décadas. Esse estado de estagnação prolongada preservou a maior parte de sua massa original, já que o contato reduzido com correntes oceânicas quentes retardou o processo de derretimento.

Em 2020, sensores de satélite detectaram que o iceberg havia voltado a se mover. O deslocamento, no entanto, foi temporariamente interrompido quando a massa de gelo entrou em um grande redemoinho oceânico denominado coluna de Taylor. Meses depois, libertou-se desse sistema de correntes, avançou em direção ao norte e quase colidiu com a ilha Geórgia do Sul, no Atlântico Sul. Esse episódio levantou temores sobre impactos na fauna local, mas o bloco desviou antes de encalhar novamente. A partir daí, alcançou águas abertas, condição que acelerou seu enfraquecimento.

Fatores que aceleram o colapso do iceberg A-23A

Desde que deixou o Mar de Weddell, o A-23A passou a experimentar influência direta de temperaturas do ar e da água superiores às registradas em latitudes mais ao sul. A maior exposição à luz solar durante o verão austral intensifica o derretimento superficial, criando poças que infiltram-se por fissuras e ampliam fraturas internas. O ciclo de congelamento e descongelamento, somado à ação mecânica das ondas, contribui para desestabilizar camadas de gelo sobrepostas.

As correntes marítimas também desempenham papel decisivo. Quando o iceberg atravessa zonas de água relativamente quente, o derretimento basal — processo que ocorre na face submersa — aumenta. Esse desgaste por baixo reduz a sustentação da estrutura, fazendo com que placas superiores se soltem e flutuem de maneira independente.

Dimensão atual e comparações territoriais

Mesmo após sucessivas perdas, o maior iceberg do mundo ainda se estende por cerca de 1.182 quilômetros quadrados, área comparável às manchas urbanas de São Paulo ou do município do Rio de Janeiro. Embora impressionante, o valor representa menos de um terço da superfície original. A fotografia de agosto de 2025 confirma que fragmentos substanciais continuam a destacar-se, reduzindo a dimensão a um ritmo acelerado.

Em termos de volume, não há dados precisos divulgados desde o início do ano, mas os especialistas sublinham que a espessura média está em declínio. O conjunto dessas medidas reforça a perspectiva de que o A-23A não resistirá até o fim da estação mais quente do hemisfério sul.

Consequências esperadas e simbolismo científico

O provável desaparecimento do A-23A encerra um acompanhamento iniciado há quase quarenta anos por equipes de pesquisa na Antártida. Para os cientistas, trata-se de um desfecho natural, observado em inúmeros outros blocos que seguiram trajeto semelhante rumo ao chamado “cemitério de icebergs”. Essa área do oceano é caracterizada pela combinação de águas relativamente quentes, alto índice de radiação solar e fortes correntes, um ambiente pouco favorável à sobrevivência de massas de gelo de grande porte.

Sob a ótica da pesquisa climática, a trajetória completa do iceberg oferece um raro estudo de caso sobre como grandes desprendimentos interagem com o ambiente marinho ao longo de décadas. Dados de satélite coletados desde 1986 ajudam a validar modelos que simulam velocidade de derretimento, rotas prováveis e impactos potenciais em ecossistemas costeiros.

Próximos passos do monitoramento após o desaparecimento do iceberg A-23A

Com a dissolução do gigante à vista, a NASA e outras instituições de observação terrestre mantêm sensores apontados para a região. A atenção volta-se, agora, para outros grandes icebergs que permanecem à deriva em torno do continente antártico. Como o A-23A, esses blocos permanecem sob vigilância por satélites ópticos e de radar, capazes de rastrear alterações diárias na superfície e no volume de gelo.

O acompanhamento contínuo fornece aos pesquisadores subsídios valiosos para entender a dinâmica das plataformas antárticas e antecipar cenários de desprendimentos futuros. Até o final do verão austral, novas imagens devem confirmar a completa fragmentação do A-23A ou registrar seus derradeiros blocos sobreviventes, marcando o encerramento oficial de um dos maiores capítulos já documentados na história dos icebergs.

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