NASA detalha plano para construir usina nuclear na Lua até 2030 e garantir energia às bases do programa Artemis

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usina nuclear na Lua é a expressão que sintetiza o novo compromisso público da NASA: ao lado do Departamento de Energia dos Estados Unidos, a agência espacial reafirmou que instalará um reator de fissão no solo lunar até o fim da década, fornecendo eletricidade constante às futuras bases tripuladas do programa Artemis.
- Compromisso oficial reforça construção de usina nuclear na Lua
- Objetivos do programa Artemis e a necessidade de energia contínua
- Cooperação histórica entre NASA e Departamento de Energia
- Por que uma usina nuclear na Lua supera soluções solares
- Cronograma até 2030 e etapas de implantação da usina nuclear na Lua
- Conexão com missões futuras e reflexos na exploração de Marte
Compromisso oficial reforça construção de usina nuclear na Lua
O ponto central do anúncio é um memorando assinado em 13 de fevereiro entre a NASA e o Departamento de Energia. O documento formaliza a divisão de responsabilidades técnicas e orçamentárias para que o reator esteja pronto para lançamento até 2030. O ato sucede a ordem executiva emitida em dezembro pelo então presidente Donald Trump, que determinou a criação de uma base lunar dentro do mesmo prazo e explicitou a necessidade de um sistema nuclear capaz de sustentar operações contínuas no satélite natural.
No encontro em Washington, o administrador da NASA, Jared Isaacman, e o secretário de Energia, Chris Wright, destacaram a convergência entre as políticas espaciais e energéticas do país. Segundo ambos, a eletricidade gerada por fissão será a espinha dorsal de atividades prolongadas na superfície selenita, abrindo caminho para missões humanas mais distantes, inclusive a Marte.
Objetivos do programa Artemis e a necessidade de energia contínua
Lançado oficialmente em 2017, o programa Artemis tem metas graduais: retomar voos tripulados ao entorno lunar, estabelecer um posto avançado em órbita (Gateway) e instalar módulos de habitação estáveis no terreno. Para que essas etapas se concretizem, a infraestrutura energética precisa funcionar durante as longas noites de quatorze dias que caracterizam o ciclo lunar. Painéis solares encontram limitações nesse ambiente, razão pela qual a NASA optou por um reator de fissão, capaz de suprir potência ininterrupta por anos.
A primeira missão tripulada, Artemis 2, que levará astronautas a uma órbita de retorno livre ao redor da Lua, segue confirmada pela agência, apesar de um recente encurtamento de rotação de equipe na Estação Espacial Internacional motivado por condição médica. A continuidade do cronograma reforça a necessidade de que a solução nuclear esteja tecnicamente amadurecida antes da instalação de bases permanentes durante as próximas fases do programa.
Cooperação histórica entre NASA e Departamento de Energia
A parceria que ganhou novo capítulo agora não nasceu do zero. Há mais de meio século, as duas instituições compartilham pesquisas em energia nuclear aplicada ao espaço. Entre os resultados está a série de geradores termoelétricos de radioisótopos, responsáveis por alimentar naves de longa duração como a sonda Cassini, que investigou Saturno, e os veículos robóticos Curiosity e Perseverance, ainda em operação na superfície de Marte. Esses projetos demonstraram que núcleos atômicos decaindo podem garantir eletricidade confiável em lugares onde painéis solares se tornam ineficientes.
O passo atual, entretanto, amplia a ambição: em vez de módulos compactos que aproveitam calor de radioisótopos, o plano prevê um reator de fissão completo colocado sobre o solo lunar. A escala maior impõe desafios adicionais de engenharia térmica, blindagem contra radiação e logística de transporte, questões que agora entram oficialmente na lista de tarefas conjuntas.
Por que uma usina nuclear na Lua supera soluções solares
A escolha por fissão reflete as características ambientais do satélite. Enquanto regiões polares recebem luz quase constante, áreas equatoriais vivenciam escuridão prolongada e variações extremas de temperatura. Nessas condições, painéis exigiriam baterias de grande porte, aumentando massa e complexidade. Um reator, ao contrário, mantém potência estável sem depender de radiação solar e com necessidade mínima de reabastecimento por anos.
Especialistas apontam ainda outros benefícios: a eletricidade contínua permite operar equipamentos de extração de recursos locais, como água congelada que pode ser convertida em oxigênio e propelente, além de sustentar sistemas de suporte à vida, comunicação e pesquisa em regime 24/7. A autonomia energética também reduz a quantidade de cargas enviadas da Terra, elemento estratégico para a viabilidade econômica de presença prolongada fora do planeta.
Cronograma até 2030 e etapas de implantação da usina nuclear na Lua
O calendário projetado a partir do memorando contempla fases bem definidas. Nos próximos anos, equipes técnicas devem finalizar o projeto conceitual do reator, inclusive estudos de proteção radiológica e de integração com aterrissadores automatizados. Em seguida, virá a construção de protótipos terrestres, teste de arranque a frio e ensaios de vibração simulando o lançamento em foguete.
Uma vez qualificado, o reator será encapsulado em módulo vedado e acoplado a um veículo de pouso. O lançamento deve ocorrer antes de 2030, possivelmente em sincronia com uma missão Artemis de carga. Após a descida controlada, o sistema será desdobrado por braços robóticos, posicionando radiadores e antenas de transmissão. O primeiro ciclo de operação deverá demonstrar capacidade de alimentar instalações de suporte, abrindo caminho para expansão em unidades adicionais.
Conexão com missões futuras e reflexos na exploração de Marte
A consolidação de uma usina nuclear na superfície lunar representa mais do que um feito tecnológico; ela servirá como laboratório avançado para projetos interplanetários. Experiências obtidas ali poderão ser replicadas em ambientes ainda mais desafiadores, como as planícies geladas de Marte, onde tempestades de poeira cobrem o céu por semanas. A NASA vê o aprendizado operacional com fissão fora da Terra como pré-requisito para missões humanas de longa permanência no planeta vermelho.
Com o memorando em vigor, a próxima data a acompanhar é a conclusão do desenho de sistema, etapa prevista para ocorrer nos próximos dois anos e que definirá especificações finais de potência e massa do reator.

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