NASA lista seis asteroides potencialmente perigosos que vão cruzar a órbita da Terra em 2026

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O ano de 2026 já tem lugar reservado na agenda dos astrônomos: seis asteroides potencialmente perigosos passarão pela vizinhança orbital do planeta em intervalos que vão de fevereiro a agosto. Todas as informações vêm do Center for Near-Earth Object Studies (CNEOS), o braço da NASA responsável pelo rastreio e pela catalogação de objetos próximos à Terra. Embora cada aproximação ocorra em distância considerada segura, o tamanho dos corpos celestes — de centenas de metros a mais de um quilômetro de diâmetro — justifica o acompanhamento atento, tanto em termos de defesa planetária quanto de pesquisa científica.
- Por que a NASA classifica certos corpos como asteroides potencialmente perigosos?
- Asteroide 152637 (1997 NC1): gigante de 1,6 km é destaque entre os asteroides potencialmente perigosos
- 2026 BX4: Carnaval marcado pela passagem de um raro Atira entre os asteroides potencialmente perigosos
- Agosto intenso: dupla aproximação de asteroides potencialmente perigosos 2019 NY2 e 173561 (2000 YV137)
- 523808 (2007 ML24): velocidade e discrição em outro asteroide potencialmente perigoso
- 162882 (2001 FD58): Dia dos Namorados internacional recebe um quilômetro de rocha potencialmente perigosa
- O que esperar após o ciclo de asteroides potencialmente perigosos de 2026?
Por que a NASA classifica certos corpos como asteroides potencialmente perigosos?
A designação “Potencialmente Perigoso” (PHA, na sigla em inglês) não significa que uma colisão seja iminente, mas sim que o objeto reúne dois critérios técnicos: excede aproximadamente 140 metros de diâmetro e sua órbita o traz a menos de 0,05 unidades astronômicas do planeta. Em 2026, o CNEOS calcula milhares de encontros com pequenos detritos espaciais, porém apenas um punhado atinge os parâmetros de PHA. Os seis selecionados a seguir combinam grande porte, relevância estatística e rara oportunidade de observação — cada um oferecendo dados preciosos sobre composição, velocidade e trajetória.
Asteroide 152637 (1997 NC1): gigante de 1,6 km é destaque entre os asteroides potencialmente perigosos
Quem: o asteroide 152637, catalogado como 1997 NC1, é a maior rocha da lista de 2026, com até 1,6 quilômetro de diâmetro.
Quando: 27 de junho de 2026.
Onde: a passagem ocorrerá a 6,7 distâncias lunares, o equivalente a cerca de 2,5 milhões de quilômetros.
Como: o CNEOS atribui raridade 3 à aproximação, indicando que um objeto desse tamanho só costuma aparecer tão perto uma vez a cada década.
Por que importa: com dimensões que lembram “uma montanha voadora”, o 1997 NC1 supera em quase quatro vezes a altura do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Mesmo sem risco de impacto, seu estudo auxilia na calibração dos modelos de órbita de grandes PHAs.
Quem: o 2026 BX4 mede até 390 metros, comparável a um navio de cruzeiro de grande porte.
Quando: 16 de fevereiro de 2026, coincidentemente na segunda-feira de Carnaval.
Onde: o periastro acontece a 7,7 distâncias lunares.
Como: pertencente à rara classe Atira, passa todo o tempo dentro da órbita terrestre e costuma ficar ofuscado pelo brilho solar, tornando sua detecção complexa.
Por que importa: a janela para observação é estreita e única; depois de fevereiro, só haverá outra aproximação comparável em 2066, quatro décadas mais tarde. Monitorar um Atira contribui para entender objetos que, pela posição interna, representam desafios adicionais de vigilância.
Agosto intenso: dupla aproximação de asteroides potencialmente perigosos 2019 NY2 e 173561 (2000 YV137)
O oitavo mês do calendário promete atividade redobrada nos telescópios.
Asteroide 2019 NY2
Quem: rocha de até 340 metros, próximo ao tamanho de um estádio de futebol.
Quando: 10 de agosto de 2026.
Onde: 6,5 distâncias lunares — a menor marca de proximidade relativa deste grupo.
Por que importa: combinação de porte consistente e curta distância eleva o 2019 NY2 ao topo das tabelas de observação do segundo semestre.
Asteroide 173561 (2000 YV137)
Quem: corpo de até 1,3 quilômetro, um dos maiores do ano.
Quando: 9 de agosto de 2026, apenas 24 horas antes do 2019 NY2.
Onde: 13 distâncias lunares.
Como: trata-se de um retorno histórico; a última passagem semelhante ocorreu em 1972, quando o programa Apollo ainda realizava missões tripuladas à Lua.
Por que importa: o intervalo de mais de meio século faz deste reencontro oportunidade singular para refinar dados orbitais e comparar observações ao longo das décadas.
523808 (2007 ML24): velocidade e discrição em outro asteroide potencialmente perigoso
Quem: o 523808, registrado em 2007, pode alcançar 800 metros, quase igualando a altura do arranha-céu Burj Khalifa, em Dubai.
Quando: 4 de julho de 2026, apenas uma semana após a passagem do maior corpo da lista.
Onde: 9 distâncias lunares separam o 2007 ML24 da superfície terrestre.
Como: classificado como Aten, ele passa boa parte do ano entre a Terra e o Sol, dificultando a observação direta. Viaja a 16,76 quilômetros por segundo, o que ultrapassa 60 mil km/h.
Por que importa: a conjugação de órbita interna e alta velocidade oferece dados valiosos para modelos de risco dinâmico, já que corpos semelhantes podem surgir praticamente sem aviso prévio.
162882 (2001 FD58): Dia dos Namorados internacional recebe um quilômetro de rocha potencialmente perigosa
Quem: o 162882, ou 2001 FD58, soma até 1 quilômetro de diâmetro.
Quando: 14 de fevereiro de 2026, data conhecida como Valentine’s Day.
Onde: 16,9 distâncias lunares, a maior margem entre os seis casos.
Como: é um dos poucos objetos em que pesquisadores já detectaram o Efeito Yarkovsky — minúscula força causada pela luz solar que, ao longo de séculos, altera sutilmente a trajetória orbital.
Por que importa: entender essa perturbação ajuda a prever com maior precisão o caminho futuro de corpos volumosos, aprimorando estratégias de defesa planetária.
O que esperar após o ciclo de asteroides potencialmente perigosos de 2026?
Os seis asteroides potencialmente perigosos descritos concentram eventos pontuais que, somados, oferecem um panorama completo da diversidade de órbitas, dimensões e velocidades dos objetos próximos à Terra. Acompanhá-los em tempo real permitirá ao CNEOS ajustar tabelas de efemérides, testar sistemas de alerta e validar modelos que estimam a influência de forças sutis como o Efeito Yarkovsky. Cientistas também aproveitarão cada passagem para melhorar estimativas de massa, rotação e composição espectral, parâmetros essenciais para qualquer plano futuro de mitigação.
O último encontro da série ocorre em 10 de agosto, com o 2019 NY2. Depois dele, a NASA continuará o monitoramento de rotina, acrescentando novas entradas à base de dados e revisando trajetórias sempre que observações adicionais surgirem. Até lá, a comunidade astronômica mantém o foco nas efemérides acima, calibrando instrumentos e preparando campanhas de observação específicas para cada instante de máxima aproximação.

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