NASA estuda antecipar retorno da Crew-11 à ISS após preocupação médica inesperada

A NASA confirmou que está analisando a possibilidade de antecipar o retorno da Crew-11 da Estação Espacial Internacional (ISS) depois de identificar uma preocupação médica envolvendo um dos quatro astronautas da missão. O alerta, disparado na tarde de quarta-feira, 07, levou ao adiamento imediato de uma caminhada espacial prevista para o dia seguinte e abriu uma série de procedimentos de contingência que podem encurtar a estadia da tripulação em órbita.
Entenda por que o retorno da Crew-11 pode ser antecipado
O gatilho para a revisão do cronograma foi uma condição clínica que afetou um dos integrantes da missão, ainda não identificado publicamente. A agência norte-americana informou que o estado do tripulante é estável, mas optou por acionar protocolos de segurança que incluem a eventual conclusão antecipada da expedição. Segundo as regras de privacidade médica adotadas em voos tripulados, detalhes sobre diagnósticos ou tratamentos não são divulgados, mesmo quando a situação interfere em operações de alto impacto, como caminhadas espaciais ou o próprio retorno da nave à Terra.
A decisão de considerar um retorno antecipado segue um procedimento padrão descrito como “plano B”. Durante o treinamento pré-lançamento, todas as tripulações praticam cenários em que emergências médicas exigem evacuação rápida da estação. Assim, o processo agora em avaliação não configura um evento extraordinário, mas um caminho previsto para garantir o bem-estar dos ocupantes da ISS.
Linha do tempo do alerta que motivou o retorno da Crew-11
O cronograma revisto começou na tarde de 07 de janeiro, quando técnicos em solo receberam informações médicas que exigiram reavaliação das tarefas extraveiculares agendadas. A caminhada espacial, originalmente planejada para quinta-feira, 08, teria duração aproximada de seis horas e meia e seria conduzida pela comandante Zena Cardman e pelo piloto Michael Fincke. O adiamento foi comunicado algumas horas depois, acompanhado da nota de que uma atualização mais completa seria divulgada entre quinta, 08, e sexta-feira, 09, assim que a condição fosse monitorada por tempo suficiente para apoiar uma decisão definitiva.
O intervalo de 24 horas anunciado pela NASA reflete a necessidade de observação médica contínua e análise de dados operacionais. Durante esse período, controladores avaliam parâmetros de saúde, revisam relatórios técnicos e conferem a prontidão da nave de retorno. Esse processo também considera fatores externos, como janelas de reentrada favoráveis e condições de resgate nas zonas de pouso.
Quem integra a Crew-11 e como seria o retorno da Crew-11
A Crew-11 é composta por quatro membros de três agências espaciais diferentes: Zena Cardman e Michael Fincke, ambos da NASA; Kimiya Yui, especialista de missão enviado pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA); e Oleg Platonov, cosmonauta da Roscosmos. O grupo chegou ao laboratório orbital em 02 de agosto de 2025, dando início a uma permanência planejada de aproximadamente seis meses. Como a missão já se aproxima do fim desse período, uma volta antecipada alteraria apenas marginalmente o tempo total de permanência no espaço.
Em caso de aprovação, o retorno usaria a mesma cápsula que levou a Crew-11 à ISS. A nave permanece acoplada à estação como salva-vidas permanente, abastecida e pronta para decolagem de emergência. Antes de desacoplar, a tripulação realizaria checagens de pressurização, testes de sistemas de suporte à vida e verificação de integridade estrutural. O pouso ocorreria em área determinada pela agência, com equipes de recuperação posicionadas para operações médicas pós-vôo.
Impacto operacional do retorno da Crew-11 na ISS
A caminhada espacial suspensa faria parte de uma sequência de atividades voltadas a preparar canais de energia para a instalação de novos painéis solares iROSA, equipamentos que aumentam a oferta elétrica do laboratório orbital e são considerados peças-chave para a futura desorbitagem controlada da estação. Ao adiar essa extraveicular, a manutenção fica temporariamente em espera, e eventuais prazos de instalação podem precisar de replanejamento.
Além disso, a EVA cancelada traria um marco estatístico: Fincke igualaria o recorde de dez caminhadas espaciais realizadas por um astronauta da NASA. O feito terá de aguardar uma nova oportunidade, dependendo de quando outra expedição possa assumir a tarefa ou de quando o próprio Fincke volte a ter liberação médica para executá-la. A incerteza também se estende à EVA previamente marcada para 15 de janeiro, dedicada à troca de câmeras externas e à instalação de auxílios de navegação.
Mesmo com a eventual saída da Crew-11, a ISS seguirá habitada. Permanecem a bordo Christopher Williams, da NASA, e os cosmonautas Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikayev, que chegaram em novembro de 2025 a bordo de uma Soyuz. Essa rotação garante a continuidade de experimentos científicos, manutenções críticas e operações de vigilância da órbita.
Próximos passos e data de decisão sobre o retorno da Crew-11
Até o momento, não há definição sobre se o retorno será realmente antecipado nem qual data seria escolhida. Técnicos da NASA monitoram o quadro clínico do astronauta afetado e avaliam as condições de viagem da cápsula. Uma nova comunicação oficial está prevista para ser divulgada entre quinta-feira, 08, e sexta-feira, 09, quando a situação deverá estar suficientemente clara para permitir um anúncio sobre a permanência ou a partida da Crew-11.
Enquanto isso, todas as opções permanecem sobre a mesa, incluindo a retomada do calendário anterior caso o quadro médico se resolva sem restrições operacionais. Até que a próxima atualização seja publicada, os procedimentos de rotina a bordo da ISS continuam sob supervisão das equipes em solo e dos três tripulantes que ficariam remanescentes se a Crew-11 for autorizada a regressar.

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