Musical dos 60 anos da TV Globo reúne 35 atores, 260 figurinos e revive clássicos da telinha em 120 minutos

O musical dos 60 anos da TV Globo estreia nesta sexta-feira, 20, no Teatro BTG Pactual Hall, em São Paulo, com a proposta de condensar seis décadas de novelas, programas de auditório, jornalismo e esportes em um espetáculo de 120 minutos repleto de canções marcantes, personagens históricos e recursos cênicos de grande porte.

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Musical dos 60 anos da TV Globo: quem está por trás do projeto

A concepção dramatúrgica e a direção estão a cargo de Gustavo Gasparini, responsável por alinhar fatos reais do universo televisivo aos códigos do teatro musical. Ao assumir a tarefa, o diretor recorre a dois “guias” no enredo: “Nossa Senhora das Oito” — apelido da novelista Janete Clair — e Dionísio, divindade grega associada às artes cênicas. Esses mentores fictícios surgem para conduzir o protagonista, um dramaturgo que se vê diante da missão de contar seis décadas de TV em tempo recorde.

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No elenco, 35 atores dividem-se em múltiplos papéis. Entre eles estão Eliane Giardini, que interpreta a “padroeira” das tramas bem amarradas, e Marcos Veras, que destaca o caráter emotivo da montagem. Segundo Veras, o espetáculo busca provocar simultaneamente riso, canto e lembranças afetivas no público.

Para sustentar a diversidade de personagens — de Emília, do Sítio do Picapau Amarelo, a Odete Roitman, vilã emblemática das telenovelas — o figurino torna-se peça-chave. São mais de 1 100 itens criados para compor 260 looks diferentes, número que evidencia a dimensão artesanal do projeto.

Cenário, figurinos e elenco dão vida a personagens icônicos

O palco recebe uma ambientação que remete aos pixels da tela de TV, recurso que reforça a sensação de zapping por épocas distintas. Telões exibem trechos de produções consagradas, enquanto o coro executa coreografias inspiradas na estética do teatro de revista, linguagem predominante nos primeiros anos da televisão brasileira.

Odorico Paraguaçu, Sinhozinho Malta, Carminha, Chacrinha e outras figuras reconhecíveis atravessam o palco, acionando a memória de diferentes gerações. A orquestra ao vivo sustenta cada entrada, conectando temas que se popularizaram ao longo de meses na programação diária da emissora. De acordo com Eliane Giardini, a força dessas músicas reside na exposição repetida: canções de abertura ou de momentos cruciais das novelas acabam incorporadas à rotina de quem as acompanha.

Nos bastidores, meses de preparação envolveram aulas de canto, ensaios coreográficos e processos de caracterização. O objetivo foi recriar expressões, posturas corporais e timbres de voz associados a personagens que fazem parte do imaginário popular desde 1965, ano em que a Globo iniciou suas transmissões.

Como o musical dos 60 anos da TV Globo organiza seis décadas em 120 minutos

A narrativa avança de forma cronológica, partindo do início da emissora e transitando por marcos dramáticos, esportivos e jornalísticos. Cada bloco temático agrupa eventos representativos de um período específico, evitando a sobreposição de informações e favorecendo a compreensão do espectador.

No primeiro ato, o espetáculo revisita a infância televisiva do país com a aparição de Emília e o clima de teatro de revista. Em seguida, repousa sobre o impacto cultural das novelas, exibindo recortes de tramas que dialogaram com questões da época. No segundo ato, o foco se volta para momentos históricos registrados pelo jornalismo e pelo esporte, mostrando como a emissora refletiu e, ao mesmo tempo, influenciou a sociedade brasileira.

Para tornar viável o recorte de 60 anos em um intervalo de duas horas, Gasparini recorre a transições rápidas, sustentadas por ganchos similares aos das novelas. A presença dos personagens “celestiais” — Janete Clair e Dionísio — fornece unidade à colcha de retalhos dramatúrgica e sublinha a interdependência entre televisão e teatro.

Referências a novelas, jornalismo e esporte costuram a narrativa

Dentre as novelas lembradas, o texto menciona títulos que exploram diferentes regiões e realidades, como “Pantanal” e “O Rei do Gado”. Essas tramas se tornaram conhecidas por retratar a cultura do campo e, no musical, representam o encontro de personagens do Nordeste com o cenário pantaneiro, exemplificando cruzamentos temáticos frequentes na dramaturgia da emissora.

O jornalismo aparece em blocos que evocam a cobertura de grandes acontecimentos nacionais e internacionais, reforçando a ideia de que a televisão acompanhou, minuto a minuto, os últimos 60 anos da história do país. No campo esportivo, vinhetas e bordões remetem a transmissões que mantiveram multidões diante da tela, complementando o mosaico televisivo que o musical pretende mostrar.

Personagens de programas de auditório — como Chacrinha e a apresentadora Xuxa — ganham números musicais que convidam a plateia a interagir. Segundo declaração de Gasparini, espera-se que o público cante, grite e se emocione durante essas passagens, comportamento típico dos anos em que tais atrações ocuparam faixas de alta audiência.

Agenda de apresentações e próximos destinos do musical dos 60 anos da TV Globo

A temporada paulistana inicia-se em 20 de outubro, no Teatro BTG Pactual Hall, espaço que receberá o espetáculo em sessões regulares. Após cumprir o período em São Paulo, a produção viaja ao Rio de Janeiro, onde ocupará o Teatro Riachuelo a partir de maio.

A estratégia itinerante permite que o musical atinja públicos distintos, reproduzindo, em escala teatral, a abrangência nacional da emissora que serve de tema. Os responsáveis indicam que a plateia deve esperar “uma novela inteira em uma sessão”, em referência ao volume de referências cruzadas dentro de cada apresentação.

Com esse calendário confirmado, o próximo marco para quem deseja assistir à montagem fora da capital paulista é a estreia carioca em maio, data que encerra o circuito inicial de comemoração pelos 60 anos da TV Globo.

Do telão às canções: a trilha sonora que marcou gerações

Elementos sonoros atuam como fio condutor da memória coletiva. Cada entrada musical remete a uma abertura, a um tema romântico ou a um jingle esportivo que permaneceu no ar durante meses — e, em muitos casos, anos. Segundo o elenco, não há número que o público não reconheça, prova do alcance prolongado dessas composições na rotina diária das famílias brasileiras.

Ao intercalar cenas românticas, passagens dramáticas e momentos de humor, a trilha cria variações de clima que refletem o ecletismo da programação da emissora ao longo do tempo. A orquestra, posicionada no palco, reforça o caráter ao vivo da montagem, alinhando-se à vibração instantânea que caracteriza tanto o teatro quanto a transmissão televisiva.

Assim, o musical encerra cada apresentação com uma sucessão de temas que se sobrepõem, conduzindo o público a um desfecho festivo e nostálgico, similar à sensação de folhear um álbum de fotografias sonoras de toda a história da TV Globo.

A próxima parada confirmada para o musical dos 60 anos da TV Globo é o Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, a partir de maio, mantendo viva a retrospectiva cênica das seis décadas de programação que moldaram a cultura televisiva brasileira.

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