MT-100: estrada precária impede mais de 50 alunos de iniciar ano letivo em Araguaiana

MT-100: estrada precária impede mais de 50 alunos de iniciar ano letivo em Araguaiana
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Mais de duas semanas após o início oficial do calendário escolar, pelo menos 50 estudantes de Araguaiana, município localizado a 573 quilômetros de Cuiabá, ainda não conseguiram chegar às salas de aula. O motivo central é a MT-100, rodovia estadual que, em estado de deterioração avançada, bloqueia o acesso das vans escolares às comunidades rurais. Sem passagem segura, o direito à educação fica suspenso para dezenas de crianças e adolescentes que dependem exclusivamente do transporte público fornecido pela prefeitura.

Índice

Situação da MT-100 transforma o acesso à educação em barreira física

A estrada que conecta propriedades rurais ao núcleo urbano de Araguaiana apresenta lama, buracos profundos e trechos onde veículos atolam com facilidade, sobretudo no período de chuvas. Em 13 de fevereiro, um caminhão que carregava 55 cabeças de gado tombou na rodovia, deixando três animais mortos e outros cinco feridos, caso que evidenciou a vulnerabilidade estrutural da via. Para os ônibus e vans do transporte escolar, o mesmo cenário resulta em atrasos permanentes ou na completa interrupção das rotas. Quando a chuva se intensifica, pontos específicos ficam intransitáveis, tornando inviável a chegada aos sítios onde residem as famílias dos estudantes.

Rotina exaustiva: crianças deixam o lar às 3h para tentar chegar ao colégio

Entre os afetados estão as irmãs Sophya Hemanuelly, de 10 anos, e Kemilly de Paula, de 14. Quando a van não é bloqueada pela estrada, ambas precisam levantar antes do nascer do sol. Segundo o pai, Aderisvaldo Santos de Araújo, o deslocamento inicia por volta das 3h da madrugada, totalizando quase quatro horas até a entrada da aula às 7h. O retorno é igualmente prolongado, fazendo com que as meninas permaneçam aproximadamente 12 horas fora de casa. Esse esforço, encarado como rotina normal por muitas famílias rurais, fica suspenso sempre que a MT-100 apresenta condições extremas, configurando ausências forçadas e comprometendo o rendimento escolar.

Rede municipal depende da MT-100: 224 alunos utilizam transporte escolar

Araguaiana possui uma escola municipal na zona urbana e duas extensões rurais. Entre os 224 estudantes que utilizam transporte escolar, quase 87% precisam percorrer a MT-100 em direção ao centro da cidade. O serviço é dividido em sete linhas, ajustadas para cobrir longas distâncias, algumas chegando a 100 quilômetros. Quando um trecho fica interditado, toda a logística de embarque e desembarque é afetada, atrasando não apenas os 50 alunos que ainda não iniciaram o ano letivo, mas impactando os demais que conseguem chegar, porém com frequência irregular.

Motoristas relatam riscos e perdas materiais em dias de chuva intensa

O trabalho dos condutores também exige adaptações severas. Warles Mendes Duarte, responsável por uma das rotas mais longas, desloca-se para uma fazenda próxima ao ponto final da linha no início da semana e só retorna para casa às sextas-feiras. Ele descreve jornadas que começam às 3h20 e, em condições favoráveis, encerram-se às 17h. Entretanto, quando a lama encobre os sensores do motor ou prende a roda da van, o trajeto se estende. Além da fadiga física, aparecem custos extras: combustível gasto em manobras de desatolamento, manutenção preventiva acelerada e risco de danos definitivos ao veículo.

Outro motorista, Eurias Rodrigues Alencar, afirma que, durante o período chuvoso, é comum não alcançar o destino final. Nessas ocasiões, famílias precisam caminhar longas distâncias na estrada escorregadia para encontrar os filhos, uma medida improvisada que expõe crianças a terrenos instáveis e reduz a margem de segurança prevista pela legislação de transporte escolar.

Consequências ampliadas: saúde, segurança pública e economia local

Os desafios não se restringem ao ensino. Moradores afirmam que ambulâncias evitam transitar pela via durante temporais, comprometendo atendimentos de urgência. Patrulhamento policial enfrenta o mesmo impedimento, favorecendo ocorrências de furto e violência patrimonial. O tombamento do caminhão de gado mencionado anteriormente resultou em prejuízo avaliado em R$ 150 mil, sinalizando que produtores rurais também enfrentam perdas diretas ligadas à precariedade da rodovia. Na esfera doméstica, pais relatam faltas ao trabalho para buscar os filhos quando a van não consegue cumprir o trajeto, ocasionando queda na renda familiar.

Medidas paliativas e busca de apoio estadual para a MT-100

A Prefeitura de Araguaiana afirma realizar, ao longo do ano, manutenções emergenciais em parceria com produtores locais. As ações incluem cascalhamento e patrolamento pontuais, mas tais intervenções são rapidamente neutralizadas pela ação das chuvas. O município declarou limitação orçamentária para custear melhorias definitivas e, por isso, mantém diálogo com o Governo de Mato Grosso e a Casa Civil, solicitando recursos destinados a elevação do leito da pista e instalação de material de drenagem.

No que diz respeito ao transporte escolar, a administração municipal garante atendimento até os pontos considerados seguros, estratégia que, na prática, deixa segmentos rurais sem cobertura. Enquanto o trâmite por verbas adicionais não se conclui, as famílias acumulam dias letivos perdidos e temem que atrasos comprometam o ano acadêmico.

Estradas alternativas e possibilidade de ajuste no calendário letivo

Professores e gestores da rede municipal discutem cenários para minimizar o déficit de conteúdo. Entre as soluções consideradas está a ampliação da carga horária nos dias em que os estudantes conseguirem chegar, redistribuindo disciplinas e atividades extracurriculares. Outra alternativa seria a reposição de aulas em sábados, caso a interdição à MT-100 se prolongue. Qualquer alteração, contudo, depende de pareceres pedagógicos e de transporte, além de aprovação da Secretaria Municipal de Educação.

Calendário escolar segue em alerta até conclusão de obras estruturais

Enquanto não ocorre intervenção robusta na rodovia, motoristas, alunos e gestores monitoram diariamente as condições climáticas. Chuvas moderadas já foram suficientes para interromper o tráfego em fevereiro, e a previsão indica continuidade do período úmido durante o primeiro trimestre. Assim, o início efetivo das aulas para o grupo de mais de 50 estudantes permanece condicionado à estabilização do tempo ou à realização emergencial de serviço de cascalhamento que garanta tração mínima aos veículos escolares.

O próximo ponto de atenção é o avanço das negociações entre a prefeitura e o governo estadual sobre a liberação de recursos. Caso a parceria seja formalizada nas próximas semanas, a expectativa é que obras de levantamento da pista reduzam atoleiros recorrentes e tornem possível a retomada plena do transporte antes do fim do semestre.

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