MPF apura elo brasileiro com Jeffrey Epstein após liberação de 3 milhões de arquivos nos EUA

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O Ministério Público Federal (MPF) deu início a um procedimento sigiloso para examinar indícios de participação brasileira na rede do criminoso sexual Jeffrey Epstein. A investigação teve como gatilho a liberação, pela Justiça dos Estados Unidos, de cerca de 3 milhões de documentos referentes ao caso. Entre os elementos que chamaram a atenção dos procuradores está a menção a uma jovem residente na Grande Natal, citada em conversas que descrevem aliciamento e possível envio aos Estados Unidos para fins sexuais.
- Investigação do MPF sobre Jeffrey Epstein envolve brasileira de Natal
- Documentos dos EUA detalham pedidos de Jeffrey Epstein por fotos e viagem
- Estrutura da UNTC e seu papel no caso Jeffrey Epstein
- Linha do tempo dos processos contra Jeffrey Epstein nos Estados Unidos
- Jean-Luc Brunel e outras conexões citadas nos arquivos sobre Jeffrey Epstein
- Contexto brasileiro e amplitude da liberação de documentos
- Organização do aliciamento e perfil das supostas vítimas
- Sigilo e próximas etapas da apuração
Investigação do MPF sobre Jeffrey Epstein envolve brasileira de Natal
A apuração nasceu de uma denúncia formalizada na unidade do MPF no Rio Grande do Norte. Após análise preliminar, o material foi encaminhado à Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), com sede em Brasília. O órgão concentra procedimentos complexos relacionados a tráfico de pessoas em todo o país e, por isso, assumiu a linha de frente do dossiê que cita Jeffrey Epstein. Embora detalhes permaneçam sob sigilo para proteger possíveis vítimas, o foco está na verificação de que a jovem potiguar teria sido recrutada para viajar e se encontrar com o bilionário.
Documentos dos EUA detalham pedidos de Jeffrey Epstein por fotos e viagem
Parte dos arquivos liberados pelas autoridades norte-americanas contém diálogos de 2011. Nessas trocas, uma brasileira que já mantinha relação próxima com o empresário descreve a organização da emissão de passaporte, a escolha de voos e a necessidade de acompanhar a jovem de Natal, que não falava inglês e nunca havia saído do país. As mensagens relatam que Epstein solicitou imagens em traje de banho e lingerie antes de confirmar a passagem. O mesmo conjunto de documentos mostra o interesse do condenado em conhecer outras brasileiras, reforçando suspeitas de um padrão de aliciamento.
Estrutura da UNTC e seu papel no caso Jeffrey Epstein
Responsável por centralizar inquéritos de tráfico de pessoas e contrabando de migrantes, a UNTC atua em parceria com procuradorias regionais, polícias e órgãos de cooperação internacional. No caso Jeffrey Epstein, a unidade monitora cada referência a cidadãos brasileiros ou a fatos ocorridos em território nacional. O objetivo é identificar se houve crime transnacional, quem participou do recrutamento e se existem vítimas a serem amparadas. De acordo com o MPF, a sensibilidade do tema exige absoluto resguardo das identidades, o que também impede a divulgação de prazos ou estratégias de investigação.
Linha do tempo dos processos contra Jeffrey Epstein nos Estados Unidos
As primeiras denúncias formais contra Jeffrey Epstein surgiram em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, investigou abuso de menores. Entre 2002 e 2005, o empresário foi acusado de pagar para que meninas frequentassem suas propriedades e realizassem atos sexuais, período em que também as incentivava a recrutar novas vítimas. Em 2008, ele se declarou culpado de exploração de menores, cumprindo 13 meses de prisão após acordo considerado ilegal por um juiz distrital em 2019.
Ainda em julho de 2019, Epstein foi novamente detido, dessa vez sob acusação de liderar uma rede de exploração sexual. Promotores federais alegaram risco de fuga devido à fortuna estimada em centenas de milhões de dólares, ao uso de aeronaves particulares e a conexões internacionais. Em agosto do mesmo ano, ele foi encontrado morto na cela; a autópsia apontou suicídio. Dois dias antes, assinara testamento que listava bens avaliados em mais de 577 milhões de dólares. Embora as acusações contra ele tenham sido encerradas com a morte, promotores sinalizaram a intenção de responsabilizar eventuais cúmplices.
Jean-Luc Brunel e outras conexões citadas nos arquivos sobre Jeffrey Epstein
Os documentos que mencionam Natal também trazem o nome do agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, parceiro recorrente de Epstein. Brunel declarou ter estado na capital potiguar em 2010; posteriormente, ele foi preso na França por suspeita de estupro e assédio sexual envolvendo adolescentes de 15 a 18 anos, morrendo na cadeia em 2022. Nos registros recém-abertos, conversas sugerem que brasileiras eram apresentadas a Epstein não apenas como conhecidas, mas possivelmente como futuras funcionárias ou assistentes, além de haver relatos de ajuda financeira em troca dessas intermediações.
Contexto brasileiro e amplitude da liberação de documentos
A Justiça norte-americana disponibilizou cerca de 3 milhões de arquivos, volume que exige triagem minuciosa. O MPF monitora cada menção ao país, pois a lei brasileira prevê investigação de crimes cometidos no exterior que envolvam nacionais. Ao mesmo tempo, procuradores brasileiros mantêm interlocução com autoridades estrangeiras para obter cópias autenticadas dos trechos que citam o Brasil, passo indispensável para eventual ação penal no território nacional.
Organização do aliciamento e perfil das supostas vítimas
Nos registros de janeiro de 2011, a interlocutora brasileira informa a Epstein que a jovem de Natal é oriunda de família simples e sem experiência internacional, argumentando que voar juntas facilitaria o trajeto. A ausência de informações sobre idade ou consentimento agrava a suspeita de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual. Em outro trecho, o empresário recomenda que o encontro ocorra em Paris, reforçando o padrão multinacional das viagens bancadas por ele.
Sigilo e próximas etapas da apuração
Por ora, o MPF não divulgou se já identificou a jovem potiguar ou se colheu depoimentos de testemunhas. O órgão confirma apenas que o procedimento corre em caráter sigiloso, devido à necessidade de proteger possíveis vítimas e à complexidade típica de crimes transnacionais. Paralelamente, equipes da UNTC continuam a examinar os milhões de páginas divulgadas recentemente, em busca de novas referências a cidadãos brasileiros.

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