Move Brasil injeta quase R$ 2 bilhões em crédito para renovar frotas em apenas um mês

Move Brasil injeta quase R$ 2 bilhões em crédito para renovar frotas em apenas um mês
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Move Brasil registrou a liberação de aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos logo no primeiro mês de operação, segundo anúncio feito pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante evento em Guarulhos, na Grande São Paulo. O aporte, destinado especificamente à renovação da frota de caminhões, marca a fase inicial de um programa que dispõe de um teto total de R$ 10 bilhões e não possui data limite definida para encerramento.

Índice

Move Brasil: objetivos e alcance financeiro

Lançado com foco na substituição de veículos antigos e na retomada das vendas de caminhões, o Move Brasil combina recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Dentro do volume global de R$ 10 bilhões, R$ 1 bilhão foi reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados, enquanto o valor restante está disponível para empresas transportadoras. Até o momento, quase 20 % do orçamento total já foi comprometido graças às 1.152 operações realizadas apenas no mês de estreia, cada uma com tíquete médio de R$ 1,1 milhão.

O programa nasceu em resposta direta à retração de 9,2 % nas vendas de caminhões registrada em 2025. O recuo foi ainda mais agressivo no segmento de modelos pesados destinados a longas distâncias, que encolheu 20,5 % na comparação com 2024. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta, ainda, uma queda de 34,67 % logo em janeiro de 2024, refletindo o momento de desaquecimento que antecedeu a criação do mecanismo de crédito atual.

Perfil dos beneficiários e impactos na operação das transportadoras

Entre os usuários iniciais do Move Brasil está a empresa de transportes de Orlando Boaventura, localizada em Santa Isabel, na Região Metropolitana de São Paulo. O negócio familiar, com duas décadas de atuação e 30 funcionários, adquiriu seu 29.º caminhão por meio do novo financiamento. Segundo Boaventura, a escolha por um veículo moderno gera economia de até R$ 200 em combustível numa viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro, vantagem que reforça a competitividade da empresa e abre espaço para a contratação de mais cinco trabalhadores ainda este ano.

A amplitude geográfica do programa também se destaca: o eixo Renovação da Frota alcançou beneficiários distribuídos em 532 municípios já no primeiro mês, indicando capilaridade nacional. A iniciativa atende caminhões fabricados a partir de 2012, desde que cumpram os critérios ambientais definidos pelo BNDES, condição que incentiva a retirada de veículos obsoletos e mais poluentes das estradas.

Queda nas vendas e influência da taxa de juros: o cenário que impulsionou o Move Brasil

Durante o anúncio, Geraldo Alckmin atribuiu a queda nas vendas de caminhões, em grande parte, ao patamar elevado das taxas de juros praticadas no país. De acordo com o ministro, a compra de bens de capital, como veículos comerciais, depende essencialmente de crédito. Com financiamentos chegando a 22 % ou 23 % ao ano, a demanda foi reprimida, apesar do volume recorde na safra agrícola (alta de 17,9 %) e de exportações que alcançaram US$ 349 bilhões, gerando uma corrente de comércio de US$ 629 bilhões.

A expectativa de que o Banco Central inicie um ciclo de redução da taxa Selic pode aliviar parte da pressão sobre o setor. No entanto, representantes da indústria avaliam que o Move Brasil antecipa o alívio, oferecendo condições de 13 % a 14 % ao ano. Christopher Polgorski, CEO da Scania, salientou que cada emprego mantido na linha de produção e nas vendas diretas sustenta outros seis empregos indiretos, sublinhando o efeito multiplicador do programa.

Envolvimento de indústria, sindicatos e governo no Move Brasil

A implantação do mecanismo de crédito resultou de uma mobilização tripartite que envolveu fabricantes, sindicatos e governo federal. Wellington Damasceno, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mencionou o esforço conjunto para formatar uma proposta capaz de proteger empregos e, simultaneamente, avançar na diminuição das emissões de carbono. Ao priorizar caminhões tecnologicamente mais atualizados, o programa contribui para a transição rumo a modelos logísticos mais sustentáveis.

Do lado industrial, concessionárias, montadoras e fornecedores de peças defendem a manutenção do crédito direcionado até que a curva de vendas retorne a patamares consistentes. O vice-presidente Alckmin afirmou que não há, no momento, discussão sobre ampliar o teto de R$ 10 bilhões. Ele esclareceu que o prazo de vigência dependerá do ritmo de contratação: as operações podem se estender por dois, quatro ou seis meses, cessando assim que os recursos forem esgotados.

Condições de crédito, garantias e critérios ambientais

O desenho financeiro do Move Brasil prevê limite de financiamento de até R$ 50 milhões por usuário, prazo máximo de cinco anos e carência que pode chegar a seis meses. Um diferencial é a cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que assegura até 80 % do valor financiado, elemento considerado crucial para instituições financeiras reduzirem risco e, consequentemente, ofertarem juros mais competitivos.

Para acessar as melhores condições, empresas e autônomos devem comprovar a entrega de caminhões mais antigos para desmonte, integrando o aspecto ambiental ao econômico. Por exigir fabricação a partir de 2012, a linha de crédito favorece motores com padrões de emissões mais restritivos, alinhados às metas de redução de carbono defendidas por sindicatos e corroboradas pelo governo.

Próximos passos e horizonte para o Move Brasil

Com quase R$ 2 bilhões já contratados, resta um saldo de cerca de R$ 8 bilhões a ser distribuído. A continuidade do programa dependerá da velocidade com que novas propostas forem aprovadas. Caso o ritmo atual se mantenha, a dotação pode se esgotar em poucos meses, levando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços a reavaliar possíveis ajustes.

Até lá, a cadeia automotiva acompanha de perto os resultados. Montadoras buscam estabilizar linhas de produção, concessionárias aguardam incremento no fluxo de vendas, e transportadores planejam renovação de frotas em condições que fortalecem a logística nacional. O desfecho desse processo será decisivo não apenas para o mercado de caminhões, mas também para manter o fluxo de mercadorias que sustentam o recorde de safra e o atual patamar de exportações brasileiras.

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