Mortes decorrentes de intervenção policial no RJ crescem 13% em 2025, revela relatório do ISP

Mortes decorrentes de intervenção policial no RJ crescem 13% em 2025, revela relatório do ISP
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O Rio de Janeiro registrou 797 mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, volume 13% superior às 703 ocorrências contabilizadas em 2024, de acordo com o balanço anual do Instituto de Segurança Pública (ISP). O mesmo documento detalha a evolução de outros indicadores de violência letal, crimes contra o patrimônio e apreensão de armamentos no período.

Índice

Dimensão do aumento das mortes decorrentes de intervenção policial

A principal variação do relatório concentra-se nas mortes provocadas em ações de agentes de segurança. O salto de 703 para 797 casos representa acréscimo de 94 vítimas em doze meses. A estatística confirma a inversão constatada entre 2023 e 2024, quando esse tipo de ocorrência havia se estabilizado. Segundo o ISP, esse indicador integra a categoria “letalidade violenta”, que também contempla homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte e latrocínio.

A análise geográfica mostra que a maior parte dos registros permanece concentrada na capital e na Região Metropolitana. Entre as operações de maior repercussão, o ano foi marcado pela atuação simultânea das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha, Zona Norte da cidade. Essa ação isolada resultou em 121 mortes, incluindo dois policiais militares e dois civis, e tornou-se a operação mais letal desde o início da série histórica local.

Operação no Alemão e na Penha ampliou as mortes decorrentes de intervenção policial

Realizada durante vários dias, a incursão nos dois complexos concentrou aproximadamente 15% de todas as mortes associadas a intervenções ao longo de 2025. De acordo com o levantamento do ISP, a dimensão territorial da área, a presença de grupos criminosos armados com fuzis e a configuração urbana de comunidades interligadas favoreceram confrontos prolongados. O resultado ampliou o debate sobre protocolos operacionais, emprego de veículos blindados e uso de helicópteros em regiões densamente povoadas.

Nesse contexto, a letalidade também atingiu moradores não envolvidos em crimes, classificados pelo ISP como vítimas civis. O balanço indica que dois civis foram mortos durante a operação, número inferior às baixas de suspeitos, mas significativo por ocorrer em ambiente residencial. O relatório não detalha faixa etária, porém destaca a necessidade de análise de balística para elucidar circunstâncias de cada óbito.

Baixas em intervenções atingem agentes de segurança e civis

Além das vítimas registradas entre suspeitos, 19 agentes perderam a vida em serviço em 2025: seis policiais civis e 13 policiais militares. O quantitativo supera o verificado em 2024, quando ocorreram uma morte na Polícia Civil e 11 na Polícia Militar. O comparativo demonstra aumento expressivo na corporação civil, multiplicando por seis o número de perdas. O ISP correlaciona essa elevação ao crescimento de operações de cumprimento de mandados em áreas dominadas por facções.

Nos casos envolvendo policiais militares, a tendência de alta foi menos acentuada, mas ainda assim sinaliza desafios para as equipes de patrulhamento ostensivo e especiais. As mortes de agentes integram o indicador “letalidade policial” em relatórios internos, servindo de parâmetro para revisar treinamento, equipamentos de proteção individual e protocolos de entrada em regiões de risco.

Violência letal geral: homicídios, latrocínios e estupros

Somando todos os crimes contra a vida mapeados, o estado registrou 3.881 óbitos em 2025, variação positiva de 2% frente aos 3.809 casos do ano anterior. Dentro desse conjunto, o latrocínio apresentou quedas sucessivas: foram 77 ocorrências, 22% a menos que as 99 anotadas em 2024. O número posiciona o roubo seguido de morte como o subgrupo de maior redução proporcional no período.

Ao se observar recortes mensais, dezembro de 2025 exibiu redução de 8,1% na letalidade violenta, totalizando 340 vítimas contra 370 em dezembro de 2024. Especificamente nos homicídios dolosos, a queda foi de 11,7%, resultando em 271 mortes e estabelecendo o menor patamar para o último mês do ano nos últimos três ciclos. Por outro lado, crimes de violência sexual apresentaram ligeira elevação: foram 5.867 estupros em 2025, aumento de 0,8% sobre os 5.819 casos do ano precedente.

Crimes contra o patrimônio e recorde de apreensão de fuzis

O relatório aponta tendência de retração nos principais roubos de bens: 25.239 veículos foram roubados em 2025, queda de 18,4% em relação a 2024. Roubos de rua somaram 56.937 ocorrências, recuo de 2,7%, enquanto o roubo de cargas fechou o ano com 3.114 registros, redução de 9,4%. O ISP atribui esses resultados à expansão de patrulhas orientadas por dados de inteligência e ao uso de câmeras de monitoramento viário.

Paralelamente, as polícias Civil e Militar apreenderam 920 fuzis, aumento de 25,7% que estabelece novo recorde desde o início da série em 2007. De acordo com o órgão de estatística, a intensificação de diligências em rodovias, pontos de entrada marítima e comunidades controladas pelo crime organizado contribuiu para retirar de circulação armamentos de alto calibre, muitos deles de fabricação estrangeira.

ISP associa resultados à integração e ao uso de inteligência

No documento, a direção do Instituto de Segurança Pública considera que a combinação de análise de dados com operações conjuntas potencializou a apreensão de fuzis e estimulou a redução dos crimes patrimoniais. A avaliação destaca a importância da troca de informações entre as polícias Civil e Militar, além do emprego de softwares de georreferenciamento para direcionar recursos a áreas com maior probabilidade de delito.

O governo estadual, por sua vez, relaciona o desempenho a investimentos em tecnologia, como drones e leitores automáticos de placas, e reforça a necessidade de colaboração de entes federativos para o controle de fronteiras, já que o Rio de Janeiro não possui fábricas de armamento pesado. A administração defende ainda ajustes na legislação para endurecer a penalização do tráfico de armas de guerra.

Todos os dados citados constam do relatório mais recente divulgado pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, responsável por compilar, validar e publicar estatísticas criminais oficiais do estado.

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