Morte de Ali Larijani: Israel anuncia ataque que teria eliminado chefe de segurança do Irã e eleva tensão na região

Palavra-chave principal: morte de Ali Larijani

O Ministério da Defesa de Israel comunicou que operações aéreas noturnas resultaram na morte de Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN) do Irã. A informação foi divulgada pelo ministro Israel Katz, que elogiou pilotos e oficiais de inteligência envolvidos na ação e afirmou que a ofensiva integra uma “caçada” aos líderes iranianos considerados centrais para o aparato militar de Teerã. Até o momento, autoridades iranianas não confirmaram a morte, e veículos oficiais do país publicaram mensagens atribuídas a Larijani com data posterior ao ataque.

Índice

Quem era Ali Larijani e por que sua morte é significativa

Ali Larijani, nome influente na estrutura de poder iraniana, acumulou cargos estratégicos nas últimas duas décadas. Ex-presidente do Parlamento entre maio de 2008 e maio de 2020, permaneceu à frente da casa legislativa por 12 anos, período em que liderou a facção conservadora Principialistas de 2008 a 2012. Apesar dessa origem ideológica, passou a ser descrito pela imprensa local como um “conservador moderado” nos anos seguintes, atributo que o tornou figura de negociação entre alas políticas rivais dentro da República Islâmica.

Em agosto de 2025, Larijani recebeu dupla nomeação do presidente Masoud Pezeshkian: tornou-se secretário do CSSN e representante do então Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, no mesmo conselho. O CSSN opera como centro nevrálgico das políticas de segurança e defesa do Irã, o que confere importância adicional a quem ocupa sua secretaria. Antes disso, de 2005 a 2007, ele atuou como principal negociador do programa nuclear iraniano, encarando diretamente pressões internacionais sobre enriquecimento de urânio e inspeções.

Além das funções estatais, Larijani pertence a uma família com fortes laços no poder. Seu irmão, Sadegh Larijani, preside o Conselho de Discernimento, órgão que arbitra disputas legislativas entre o Parlamento e o Conselho dos Guardiães. Essa rede familiar eleva o impacto político de qualquer movimento envolvendo o ex-presidente do Parlamento.

Como Israel descreveu o ataque que resultou na morte de Ali Larijani

De acordo com Israel Katz, as Forças de Defesa de Israel (FDI) executaram bombardeios aéreos durante a noite de segunda para terça-feira. Ele afirmou ter sido informado de que a morte de Ali Larijani ocorreu no mesmo momento em que o alvo estava oculto em um esconderijo, acompanhado do filho. A ação, conforme relato do ministro, também eliminou Gholamreza Soleimani, classificado por Israel como principal oficial de segurança e comandante do grupo paramilitar Basij – força ligada aos Guardas da Revolução.

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Sem detalhar a localização exata ou os meios empregados, Katz creditou o sucesso da ofensiva aos pilotos da Força Aérea e aos oficiais de inteligência, alçando ambos ao centro da narrativa oficial israelense. O ministro acrescentou que tanto ele quanto o primeiro-ministro instruíram as FDI a prosseguir na perseguição a líderes do que chamam de “regime de terror e opressão” iraniano.

Durante o anúncio, Katz retomou declaração anterior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a “alta rotatividade” na liderança do Irã. Segundo o ministro, a operação israelense comprovaria que essa rotatividade “continua e está até aumentando” após a suposta eliminação de dois nomes proeminentes do establishment de Teerã.

Posicionamento do Irã e sinais contraditórios sobre a morte de Ali Larijani

Até o fechamento deste texto, Teerã não emitiu confirmação oficial. Pouco depois das declarações israelenses, as agências iranianas Tasnim e Mehr informaram que Larijani divulgaria mensagem própria “em breve”. Na sequência, contas de Telegram e X associadas ao secretário publicaram um texto manuscrito, sem data nem hora, elogiando os “guerreiros” da Marinha iraniana. A mídia estatal classificou a nota como datada desta terça-feira, o que, se verdadeiro, contradiria a versão israelense.

A menção à Marinha ocorreu no mesmo dia do funeral de militares mortos no naufrágio do navio de guerra IRIS Dena, afundado no início de março em consequência de um ataque americano, conforme autoridades iranianas. A coincidência temporal entre o funeral e a suposta comunicação de Larijani serve como argumento de veículos iranianos para questionar a narrativa de Tel Aviv.

O histórico recente de aparições públicas do secretário reforça a incerteza. Segundo registro em sua conta no X, a última presença documentada foi em 13 de março, durante a marcha do Dia de Quds em Teerã, quando acenou a apoiadores nas ruas. Um dia antes, havia publicado críticas diretas ao presidente americano, sustentando que “começar uma guerra é fácil, mas não pode ser vencida com alguns tuítes”.

Outras figuras atingidas e o foco israelense na liderança iraniana

A operação mencionada por Israel não teria se limitado a Larijani. Gholamreza Soleimani, apresentado como comandante do Basij, também foi apontado como morto. O Basij, conforme descrito por Katz, é um corpo paramilitar ligado ao governo iraniano. A eliminação simultânea de duas figuras destacadas sustenta a afirmação de Tel Aviv de que permanece ativa uma estratégia direcionada “à liderança” do país adversário.

Israel Katz reforçou essa linha ao afirmar que as Forças de Defesa continuarão “a caçada” a dirigentes que, segundo ele, compõem o “regime de terror”. Essa escolha de palavras indica intenção ostensiva de prolongar ações similares, algo potencialmente alinhado às declarações do presidente americano sobre mudanças frequentes na cúpula iraniana.

Embora não haja confirmação de Teerã, a indicação de múltiplas baixas cria um cenário de incerteza. Caso Gholamreza Soleimani seja de fato morto, a liderança do Basij precisará ser rapidamente redefinida, sob risco de desarticulação de parte dos mecanismos de segurança interna do Irã.

Mensagens recentes de Larijani e o contexto de escalada militar

Os últimos registros públicos de Ali Larijani ilustram um tom de enfrentamento. Em 12 de março, usou sua conta no X para ironizar Donald Trump, escrevendo que o Irã não desistiria “até que você se arrependa desse grave erro de cálculo”. Em postagem de 10 de março, afirmou que seu país não temia ameaças e alertou o presidente americano: “Cuidado para que você não seja eliminado”.

Tais manifestações ocorreram poucos dias após o naufrágio do IRIS Dena. A Marinha iraniana, citada na mensagem manuscrita pós-ataque, participou de cerimônias fúnebres nesta terça-feira, ressaltando a sobreposição de crises militares vivenciadas por Teerã. O mesmo período concentra, portanto, o ataque americano ao navio, a resposta verbal de Larijani, a marcha do Dia de Quds e, agora, o anúncio israelense sobre sua morte.

O cruzamento desses eventos sugere escalada retórica e operacional entre Irã, Israel e Estados Unidos, ainda que a análise das consequências dependa da confirmação factual dos óbitos. A ausência de pronunciamento oficial de Teerã mantém o quadro aberto, porém não elimina a possibilidade de medidas retaliatórias caso a morte seja ratificada.

Próximos passos esperados após a morte de Ali Larijani

Do lado israelense, o ministro da Defesa declarou de forma explícita que novas ações contra a cúpula iraniana estão nos planos imediatos. Em Teerã, eventual confirmação da morte de Ali Larijani exigirá do presidente Masoud Pezeshkian a escolha de novo secretário para o CSSN, cargo vital para a coordenação de defesa e política nuclear. Ao mesmo tempo, deverá ser observada a movimentação do Conselho de Discernimento, liderado por Sadegh Larijani, cujo posicionamento poderá influenciar respostas institucionais.

Entre as datas a acompanhar, destacam-se futuras declarações das agências Tasnim e Mehr, que anunciaram pronunciamentos de Larijani antes de o ataque ser divulgado, bem como atualizações oficiais das Forças de Defesa de Israel sobre operações subsequentes. O desenvolvimento dessas frentes definirá a extensão da crise e o grau de tensão regional nas próximas semanas.

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