Miss Piggy: a trajetória da diva dos Muppets que volta aos holofotes em novo especial do Disney+

|
Getting your Trinity Audio player ready... |
Quase cinco décadas após sua estreia, Miss Piggy reafirma o posto de fenômeno cultural: a porquinha estrela um especial recém-lançado no Disney+ e inspira um longa-metragem em desenvolvimento por Jennifer Lawrence, Emma Stone e Cole Escola. A permanência dessa diva de feltro entre os assuntos mais comentados de Hollywood comprova o alcance duradouro de sua imagem, construída cena a cena desde a primeira aparição no The Muppet Show.
- Miss Piggy: do estúdio de Jim Henson ao status de estrela internacional
- A origem do boneco: Bonnie Erickson e a busca por expressividade
- Frank Oz e a construção da personalidade de Miss Piggy
- Ascensão ao estrelato: filmes, capas de revista e best-sellers
- Interpretação contemporânea: Eric Jacobson assume o comando
- O retorno em “Os Muppets: Um Show Especial” e planos para o cinema
- Expectativas e próximos passos
Miss Piggy: do estúdio de Jim Henson ao status de estrela internacional
Criada dentro do universo de Jim Henson, Miss Piggy surgiu em março de 1975 como personagem secundária de um piloto televisivo que não chegou a vingar. O fracasso inicial não impediu que o boneco ganhasse espaço: quando The Muppet Show estreou, em setembro de 1976, a porquinha transformou-se rapidamente na figura mais comentada do programa. Em poucos anos, passaria de coadjuvante a celebridade requisitada, com inúmeros contratos de mídia, sessões de fotos e produtos licenciados que iam de calendários a livros.
A ascensão coincidiu com o crescimento da franquia Muppets. O filme “Os Muppets: O Filme”, de 1979, atingiu sucesso crítico e comercial, posicionando Kermit, Fozzie, Gonzo e companhia em um novo patamar de reconhecimento. Dentro desse grupo, porém, Piggy despontou como símbolo máximo de glamour, ironia e autoconfiança — elementos que se tornaram sua marca registrada junto ao público.
A origem do boneco: Bonnie Erickson e a busca por expressividade
A marionete que daria vida a Miss Piggy foi esculpida por Bonnie Erickson, integrante essencial da equipe de design de Henson. Erickson partiu de um bloco de espuma macia de 30 centímetros, recortado meticulosamente com tesouras de unha e polido em lixadeira de cinta, até alcançar curvas suaves e um rosto inconfundível. Além da silhueta, um detalhe revolucionou a estética dos Muppets: Piggy tornou-se a única personagem principal com olhos contendo íris e brilhos, recurso que adicionou profundidade ao olhar e facilitou a leitura de emoções na televisão.
A escolha de Erickson para criar a porquinha teve origem em lembranças de infância: ela costumava correr atrás de leitões na fazenda do tio, experiência que Jim Henson conhecia e julgou valiosa para o design do boneco. Originalmente batizada de Piggy Lee, em referência à cantora de jazz Peggy Lee, a personagem precisou trocar de nome após orientação jurídica, consolidando-se definitivamente como Miss Piggy.
Frank Oz e a construção da personalidade de Miss Piggy
Responsável pela manipulação inicial da marionete, Frank Oz imprimiu camadas de complexidade à diva suína. Ele criou uma biografia detalhada que incluía a ausência do pai — perdido em um acidente de trator — e um relacionamento difícil com a mãe. Tais elementos serviram de base para justificar comportamentos extremos: por trás da postura aristocrática, Piggy exibia insegurança profunda que se traduzia em ataques de ciúmes, explosões de caratê e um amor não correspondido pelo sapo Kermit.
A voz alternava entre um arrulho suave e um rosnado vigoroso, inspirado no registro dramático de Bette Davis em “A Malvada”. Esse contraste tornou-se ferramenta cômica memorável e ajudou a fixar bordões como o grito retumbante que antecedia um golpe fulminante. O primeiro “Hiii-yah!” ocorreu ainda nos ensaios: Oz, diante de um roteiro que pedia apenas um tapa, optou por uma coreografia de corpo inteiro, catapultando Kermit para fora de cena e selando o nascimento definitivo da personagem.
Ascensão ao estrelato: filmes, capas de revista e best-sellers
Com o êxito dos Muppets no cinema em 1979, o ano seguinte foi apelidado pela imprensa norte-americana de “O Ano da Piggy”. Publicações como Life e People estamparam a porca prima donna em matérias de capa repletas de trocadilhos, consolidando a imagem de ícone pop. Ainda em 1980, surgiu o primeiro calendário temático, trazendo ensaios fotográficos que a retratavam como femme fatale noir, motociclista destemida ou mademoiselle rendada inspirada na pintura rococó “O Balanço”, de Jean-Honoré Fragonard.
A força da marca resultou no livro “Miss Piggy’s Guide to Life”, lançado em 1981. O texto ficou a cargo de Henry Beard, cofundador da National Lampoon, e a edição nas mãos de Robert Gottlieb. A obra alcançou o topo das listas de best-sellers, provando a receptividade do público a qualquer produto que estampasse o focinho rosado da marionete. Na mesma época, Piggy estrelou um especial televisivo próprio e um álbum de exercícios aeróbicos, ampliando ainda mais o catálogo de produtos vinculados ao seu nome.
Interpretação contemporânea: Eric Jacobson assume o comando
Nas últimas décadas, cabe a Eric Jacobson manipular e dublar Miss Piggy. Além da diva suína, Jacobson empresta talento a figuras como Beto, Grover, Oscar — O Rabugento e o Urso Fozzie, demonstrando versatilidade no comando de múltiplas vozes instantaneamente reconhecíveis. Na avaliação do marionetista, Piggy ocupa patamar cultural singular, pois transcende a simples categoria “muppet” para tornar-se parte permanente do léxico pop.
O desafio de interpretar a porquinha envolve manter o equilíbrio construído por Jerry Juhl, roteirista histórico do The Muppet Show. Juhl defendia que a personagem não poderia ser completamente gentil nem exclusivamente rude: a graça residia na alternância entre autopromoção desmedida e vulnerabilidade quase comovente. Essa dualidade continua a orientar roteiros, entrevistas simuladas e participações especiais, garantindo frescor sem romper a coerência interna.
O retorno em “Os Muppets: Um Show Especial” e planos para o cinema
Disponível no Disney+, “Os Muppets: Um Show Especial” resgata o formato do programa original, com números musicais, caos de bastidores e aquela famosa canção tema. Sob direção de Alex Timbers, vencedor do Tony por musicais como “Moulin Rouge!” e “Here Lies Love”, a produção realça novamente Miss Piggy. A personagem surge em esquetes ambientadas no período da Regência, contracena com Sabrina Carpenter e interrompe apresentações de Kermit para proclamar que oferece ao público “aquilo que realmente deseja”.
A equipe de roteiristas, chefiada por Albertina Rizzo, construiu diálogos que combinam frases em francês básico, autoconfiança ilimitada e observações mordazes. Segundo Rizzo, uma leitura recente da autobiografia de Barbra Streisand serviu de inspiração para calibrar a voz de Piggy: era preciso mesclar autoestima elevada a uma pitada de delírio calculado, fórmula que sempre definiu a personagem desde seus primeiros golpes de caratê.
Paralelamente ao especial, o trio formado por Jennifer Lawrence, Emma Stone e Cole Escola desenvolve um longa-metragem dedicado à diva suína. O projeto mantém o legado da personagem em movimento e demonstra o interesse contínuo de diferentes gerações de artistas em dialogar com a iconografia dos Muppets.
Expectativas e próximos passos
A nova produção para o cinema ainda não tem data de estreia confirmada, mas o envolvimento de nomes de destaque já projeta grande visibilidade para a marca. Até lá, o especial no Disney+ oferece aos fãs a oportunidade de reencontrar Miss Piggy com a mesma combinação de elegância, ironia e imprevisibilidade que a levou do palco do The Muppet Show às capas das maiores revistas do mundo.

Conteúdo Relacionado