Ministério Público apoia prisão dos donos da academia após morte de aluna em aula de natação

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) manifestou-se favoravelmente à prisão dos donos da academia investigada pela morte de uma aluna depois de uma aula de natação na Zona Leste da capital. A posição do órgão veio após a Polícia Civil indiciar os três sócios do estabelecimento por homicídio com dolo eventual, pedir a custódia temporária deles e apontar indícios de que teriam atrapalhado a coleta de provas.
- Polícia descreve motivos para pedir a prisão dos donos da academia
- Ministério Público endossa a prisão dos donos da academia e reforça indícios de dolo eventual
- Depoimentos revelam rotinas de manutenção e apontam falhas na piscina
- Família, luto e expectativa por justiça: reações enquanto segue o pedido de prisão dos donos da academia
- Sócios são acusados de dificultar coleta de provas na investigação
- Defesa rejeita indiciamento e alega colaboração integral
- Próximos passos: decisão judicial sobre a prisão dos donos da academia
Polícia descreve motivos para pedir a prisão dos donos da academia
A investigação conduzida pela Polícia Civil ouviu individualmente os administradores do local: Cézar Terração e os irmãos Cesar e Celso Bertolo Cruz. Segundo o delegado Rodrigo Rezende, responsável pelo inquérito, a detenção temporária foi solicitada “para garantir o sucesso da investigação” e para que “os fatos estejam esclarecidos” antes da fase judicial. Para os investigadores, a presença dos suspeitos em liberdade poderia comprometer a integridade de depoimentos e de eventuais perícias complementares.
Rezende classifica o recolhimento dos sócios como um passo “muito importante” para que o inquérito “esteja perfeito”. A autoridade policial sustenta que a prisão pode evitar influência sobre testemunhas, extravio de documentos ou até mesmo alterações nos ambientes que ainda venham a ser analisados por peritos.
Ministério Público endossa a prisão dos donos da academia e reforça indícios de dolo eventual
O aval do MP-SP corrobora o pedido da polícia e enfatiza o entendimento de que, no caso, há risco concreto de prejuízo à apuração dos fatos. A promotoria acompanhou a conclusão policial de que houve dolo eventual: para os investigadores, mesmo cientes dos perigos associados ao manuseio inadequado de produtos químicos, os empresários teriam assumido o risco que culminou na morte da aluna.
Com o parecer favorável já enviado ao Poder Judiciário, a decisão sobre decretar ou não a custódia temporária está agora nas mãos da Justiça. Até a publicação das últimas informações, não havia despacho definitivo.
Depoimentos revelam rotinas de manutenção e apontam falhas na piscina
Durante os depoimentos, Celso Cruz declarou ser o responsável direto pela manutenção tanto do prédio quanto da piscina. Ele apresentou um certificado de um curso de quatro horas para comprovar qualificação na área, afirmando que conhecia os procedimentos necessários para manter a água em condições adequadas.
No entanto, Celso atribuiu a Severino José da Silva — funcionário contratado oficialmente como manobrista — o erro no manuseio de cloro em pó “nas proximidades da piscina”. Segundo o depoente, o funcionário teria cometido a falha que desencadeou o incidente fatal.
Ouvido pela polícia, Severino disse que, na prática, exercia múltiplas funções no estabelecimento, descrevendo-se como um “faz-tudo”. Ele relatou receber orientações de Celso pelo celular para realizar tarefas de manutenção na piscina, embora sua contratação não previsse esse tipo de responsabilidade técnica. A Polícia Civil concluiu que Severino foi “utilizado” e “manipulado” pelos sócios, posicionamento expresso pelo delegado Alexandre Bento. Por essa razão, o manobrista não foi indiciado.
Família, luto e expectativa por justiça: reações enquanto segue o pedido de prisão dos donos da academia
A vítima, Juliana Faustino Bassetto, era professora e participava de uma aula de natação quando ocorreu a exposição ao produto químico que resultou em sua morte. O episódio também deixou feridos, entre eles o genro da vítima, Vinícius, que segue em recuperação e, na quinta-feira (12), conseguiu ingerir água pela primeira vez desde o acidente.
Nívea Faustino Bassetto, mãe de Juliana, declarou viver um “pesadelo” com a perda da filha. Ela expressou que “gostaria da filha de volta” e apelou para que tragédias semelhantes não se repitam. As homenagens que a escola onde Juliana lecionava prestou à professora têm sido um alento para a família.
Sócios são acusados de dificultar coleta de provas na investigação
Conforme consta nos autos, a equipe de investigação enfrentou obstáculos impostos pelos empreendedores. A polícia relata que não recebeu acesso aos produtos químicos utilizados na piscina, nem obteve a relação completa dos alunos que frequentavam as aulas de natação no dia do acontecimento. Os agentes também destacam que os sócios não procuraram a delegacia para relatar o caso espontaneamente, mesmo com a unidade policial localizada “do outro lado da rua” da academia.
Esses fatores pesaram no entendimento de que os indiciados podem interferir no esclarecimento dos fatos. Na avaliação policial, a suposta tentativa de ocultar evidências reforça a necessidade da prisão temporária como medida cautelar.
Defesa rejeita indiciamento e alega colaboração integral
Os advogados que representam Cézar Terração, Cesar Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz negam qualquer obstrução. Em nota, sustentam que os três proprietários estão colaborando com todas as frentes de apuração. A defesa argumenta ainda ser “indignante” o indiciamento antes da conclusão oficial dos laudos periciais, os quais devem detalhar a causa exata da morte e eventuais responsabilidades técnicas.
De acordo com os representantes legais, os empresários forneceram documentos e informações sempre que solicitados, postura que, no entendimento deles, comprovaria a inexistência de risco à investigação.
Próximos passos: decisão judicial sobre a prisão dos donos da academia
Com a manifestação favorável do MP-SP já anexada ao processo, o Judiciário paulista analisará o conjunto de indícios apresentados e decidirá se acolhe ou não o pedido de custódia temporária. O resultado desse exame definirá se os três sócios responderão ao inquérito em liberdade ou sob detenção.
Enquanto o despacho não é proferido, familiares da vítima, frequentadores da academia e funcionários aguardam os rumos da investigação, cujo objetivo declarado é produzir um inquérito “perfeito” e “esclarecido”, nas palavras da autoridade policial.

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