Mercado de óculos inteligentes pode alcançar US$ 200 bilhões até 2040, estima HSBC

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O mercado de óculos inteligentes ganhou novo impulso depois de o HSBC atualizar suas projeções financeiras: o banco passou a estimar que a receita mundial do setor atingirá US$ 200 bilhões até 2040, montante superior a R$ 1 trilhão no câmbio atual. O otimismo repercutiu diretamente no desempenho das ações da EssilorLuxottica, controladora da Ray-Ban, indicando que investidores enxergam nesses dispositivos a próxima grande plataforma de computação pessoal.
- Por que o HSBC elevou a previsão para os óculos inteligentes
- EssilorLuxottica lidera o mercado de óculos inteligentes com 70 % de participação
- Tecnologia de linguagem e ergonomia aceleram adoção dos óculos inteligentes
- Concorrência, modelo vertical e massa crítica de mercado
- Lançamento internacional adiado expõe desafios de escala
- Perspectivas até 2040 para os óculos inteligentes
Por que o HSBC elevou a previsão para os óculos inteligentes
A revisão divulgada pela instituição financeira amplia de forma substancial as expectativas anteriores. Segundo o relatório, dois fatores sustentam a nova visão: avanços tecnológicos recentes e uma taxa de adoção maior do que a projetada nas primeiras análises. De acordo com o HSBC, a integração de grandes modelos de linguagem (LLMs) em hardware de uso diário eliminou barreiras que limitavam a utilidade dos acessórios. Agora, comandos por voz e respostas em tempo real ampliam a relevância dos óculos para navegação na internet, consumo de conteúdo e execução de tarefas cotidianas.
Outro ponto avaliado foi a mudança na percepção pública. Especialistas citados pelo banco observam que melhorias de ergonomia reduziram o peso das armações e tornaram o desenho mais próximo ao de óculos convencionais. Essa evolução, aliada à promessa de funcionalidades antes restritas aos smartphones, reforça a premissa de que o dispositivo poderá substituir gradualmente o celular em várias atividades nas próximas décadas.
EssilorLuxottica lidera o mercado de óculos inteligentes com 70 % de participação
No centro das atenções está a EssilorLuxottica, conglomerado franco-italiano que domina aproximadamente 70 % do mercado global de óculos inteligentes. A liderança foi consolidada a partir da parceria com a Meta, responsável pelo software dos modelos Ray-Ban equipados com recursos de inteligência artificial. A estratégia conjunta alia a expertise em design e distribuição da fabricante europeia à capacidade de desenvolvimento de plataformas digitais da empresa norte-americana.
O HSBC revisou para cima a expectativa de vendas da EssilorLuxottica. O cenário base subiu de 18 milhões para 35 milhões de unidades comercializadas em 2030. A projeção reforça a leitura de que a companhia possui a infraestrutura necessária para atender a uma demanda em rápido crescimento, abrangendo desde a concepção do produto até a oferta em pontos de venda físicos e online.
Tecnologia de linguagem e ergonomia aceleram adoção dos óculos inteligentes
A adoção mais ágil dos óculos está diretamente ligada ao amadurecimento de algoritmos de linguagem natural. Com os LLMs, o usuário pode acionar assistentes virtuais apenas por voz, sem recorrer a telas. Essa interação elimina a necessidade de retirar o smartphone do bolso para responder mensagens, pesquisar informações ou controlar dispositivos conectados.
Paralelamente, a indústria investe para reduzir peso, aumentar a autonomia de bateria e aprimorar lentes com projeção de imagens. Essas melhorias viabilizam períodos maiores de uso e evitam o desconforto associado a versões mais antigas de realidade aumentada. Segundo analistas do HSBC, a combinação de software avançado e design discreto sustenta o crescimento previsto até 2040.
Concorrência, modelo vertical e massa crítica de mercado
Apesar da posição dominante da EssilorLuxottica, o relatório do banco ressalta que a entrada de novos competidores será decisiva para que o ecossistema alcance massa crítica. Mais empresas significam investimentos adicionais em pesquisa e desenvolvimento, fator que tende a baratear componentes, diversificar estilos e ampliar o número de aplicativos compatíveis.
A própria EssilorLuxottica, entretanto, se beneficia de um modelo de negócio verticalizado. A companhia controla o ciclo completo do produto: design, fabricação de lentes, montagem de armações, logística e redes de varejo. Essa integração é vista como diferencial competitivo, porque reduz custos, acelera o lançamento de versões atualizadas e garante visibilidade direta sobre o comportamento do consumidor.
Lançamento internacional adiado expõe desafios de escala
Embora o potencial de receita seja bilionário, a cadeia produtiva ainda enfrenta limitações. A Meta confirmou o adiamento do lançamento internacional dos óculos Ray-Ban Meta Display, anteriormente programado para o início de 2026. A justificativa foi a demanda acima do previsto nos Estados Unidos, que esgotou a capacidade imediata de fornecimento.
No mercado norte-americano, listas de espera avançam ao longo do ano, impossibilitando a abertura de novas frentes de venda. A empresa afirmou, durante a CES 2026, que o foco no momento é normalizar as entregas já solicitadas. A medida evita prateleiras vazias em novos países, mas frustra consumidores de outras regiões que aguardavam o produto.
O episódio evidencia como a sincronia entre inovação digital, realizada majoritariamente no Vale do Silício, e a produção em fábricas europeias exige ajustes finos. Entre os principais gargalos estão a disponibilidade de componentes específicos, a capacidade de montagem e a logística global para abastecer lojas físicas e e-commerce.
Perspectivas até 2040 para os óculos inteligentes
O horizonte traçado pelo HSBC aponta para um período de expansão sustentada. Até 2040, o banco prevê que a receita global do segmento alcance US$ 200 bilhões, impulsionada por:
• Adoção de assistentes por voz viabilizada por modelos de linguagem cada vez mais precisos;
• Aprimoramento constante de baterias, que amplia o tempo de uso diário;
• Redução de custos de produção conforme a base de fornecedores se diversifica;
• Integração a ecossistemas de serviços on-line, aumentando o valor percebido pelo usuário.
Empresas como Apple acompanham a evolução do setor e avaliam a adaptação de seu portfólio caso a substituição dos smartphones ganhe força. Analistas mencionados no relatório acreditam que a concorrência contribuirá para acelerar inovações ao longo da próxima década.
Enquanto as estimativas de longo prazo se solidificam, o momento atual permanece marcado por ajustes na capacidade industrial. A Meta segue revisando sua estratégia para outros países em função do ritmo de produção. A próxima atualização oficial sobre o cronograma de expansão internacional dos óculos Ray-Ban Meta Display é aguardada para a etapa de avaliação de demanda programada para o final de 2026.

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