Mercado corta projeção de inflação para 3,95% em 2026 e reforça expectativa de alívio nos juros

Mercado corta projeção de inflação para 3,95% em 2026 e reforça expectativa de alívio nos juros
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Inflação projetada pelo mercado financeiro para 2026 voltou a ceder e agora é estimada em 3,95%, percentual que permanece dentro da faixa de tolerância definida para a política de preços no Brasil, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central.

Índice

Mercado ajusta projeção de inflação e mantém tendência de queda

O Boletim Focus — pesquisa semanal que consolida as expectativas de mais de cem instituições financeiras — registrou a sexta redução consecutiva na estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026. A projeção recuou de 3,97% para 3,95%, marcando nova acomodação depois de semanas de revisões para baixo. Para 2027, o mercado manteve a perspectiva de 3,8%. Já para 2028 e 2029, o número permanece em 3,5% em ambos os períodos, sinalizando expectativa de estabilidade nos patamares médios de preços a médio prazo.

A revisão em trajetória descendente reforça a leitura de que as condições monetárias restritivas vigentes — notadamente uma Selic de dois dígitos — estão ancorando as expectativas de preços. O comportamento apontado no relatório é relevante porque as projeções do Focus servem de insumo-chave para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) ao calibrar a taxa básica de juros.

Metas de inflação e intervalo de tolerância do CMN

O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou meta central de 3% para o IPCA em 2026, com banda de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%. A estimativa de 3,95% divulgada hoje permanece, portanto, dentro do intervalo de tolerância, embora ainda posicione o índice acima do objetivo central. Manter a projeção dentro da banda é fundamental para que o Banco Central, presidido atualmente por Roberto Campos Neto, conduza a política monetária sem acionar mecanismos mais drásticos de contenção da demanda.

O cumprimento da meta é avaliado formalmente pelo BC a cada ano. Caso o resultado efetivo ultrapasse a margem, a autoridade monetária precisa encaminhar relatório explicativo ao Ministério da Fazenda, descrevendo os fatores que impediram o alcance do alvo e apontando o plano de correção.

Impacto da Taxa Selic na dinâmica da inflação

Para controlar o ritmo de alta dos preços, o Banco Central utiliza principalmente a Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano. O patamar não sofre alterações há cinco reuniões consecutivas do Copom, refletindo prudência diante das incertezas econômicas internas e externas. A taxa é a mais elevada desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.

Apesar da estabilidade recente, o comunicado divulgado após o último encontro do colegiado indicou intenção de iniciar um ciclo de flexibilização a partir de março, desde que o comportamento da inflação confirme a atual tendência de desaceleração. Analistas consultados pelo Focus projetam cortes graduais, levando a Selic para 12,25% ao ano até dezembro de 2026. As previsões continuam a apontar declínio adicional para 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029.

Juros mais altos encarecem o crédito, contêm o consumo e aumentam o incentivo à poupança, reduzindo pressões de demanda sobre os preços. Por outro lado, taxas elevadas também podem restringir a atividade econômica, afetando investimentos e emprego. À medida que a trajetória da inflação se mostra contida, a flexibilização monetária tende a ganhar espaço, favorecendo condições financeiras mais suaves.

Previsões para PIB, câmbio e seus elos com a inflação

Além de acompanhar os preços, o Focus monitora variáveis que influenciam diretamente o ambiente macroeconômico. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permanece em 1,8%. Para 2027, a expectativa é idêntica, enquanto 2028 e 2029 apresentam previsão de crescimento de 2% em cada ano. Esses percentuais sucedem um resultado de 3,4% no PIB de 2024 e uma expansão tida como estabilidade (0,1%) no terceiro trimestre de 2025, puxada pelas elevações na indústria e na agropecuária.

No câmbio, o mercado estima o dólar a R$ 5,50 no encerramento de 2026 e repete a mesma cotação para 2027. A taxa de câmbio influencia diversos componentes inflacionários, entre eles combustíveis, bens industrializados com parcela importada e insumos agrícolas cotados em moeda estrangeira. Um real mais fraco tende a pressionar preços internos, ao passo que uma moeda doméstica valorizada costuma atenuar repasses.

Indicadores recentes que embasam a revisão da inflação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou variação de 0,33% no IPCA de janeiro de 2026, mesmo percentual de dezembro de 2025. A estabilidade no ritmo mensal reflete, principalmente, altas de energia elétrica e gasolina, itens de peso significativo na cesta de consumo. No acumulado de 12 meses até dezembro de 2025, a inflação ficou em 4,44%, resultado que encerrou o ano dentro do intervalo de tolerância e forneceu sinal positivo às expectativas para 2026.

Esse desempenho, somado à manutenção das ancoragens das expectativas de médio e longo prazo, explica a sequência de ajustes efetuados pelos analistas. Vale ressaltar que, embora a meta anual seja perseguida pelo BC, é o comportamento prospectivo que orienta as decisões do Copom. Se as projeções apontarem convergência ao alvo, a autoridade monetária entende que a postura contratada dos juros está adequada.

Calendário das próximas decisões econômicas e expectativas do mercado

O próximo encontro do Copom está agendado para março de 2026. Caso os indicadores de preços mantenham a trajetória observada no início do ano, o colegiado sinalizou disposição para iniciar a redução da Selic. Além disso, o IBGE divulgará o resultado consolidado do PIB de 2025 em 3 de março, dado que servirá de termômetro para avaliar a resiliência da atividade econômica diante do ambiente de juros elevados.

No front externo, a cotação do dólar seguirá acompanhando as negociações de política monetária nos Estados Unidos, uma vez que as decisões do Federal Reserve influenciam o fluxo de capitais globais e, por consequência, o câmbio doméstico. Pressões cambiais podem alterar a trajetória da inflação prevista, motivando ajustes adicionais nas expectativas futuras.

Até o próximo comunicado do Banco Central, o mercado estará atento a possíveis revisões no Boletim Focus, aos números do IPCA de fevereiro e aos desdobramentos fiscais que possam afetar a credibilidade das contas públicas. Cada atualização relevante desses indicadores tem potencial para redefinir, ainda que pontualmente, o cenário projetado para inflação, juros, crescimento e câmbio nos próximos anos.

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