Livro “Sustentar a Nota” revela bastidores de lendas do rock e desconstrói mitos da música

Livro “Sustentar a Nota” revela bastidores de lendas do rock e desconstrói mitos da música
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Sustentar a Nota, lançamento da Companhia das Letras com 336 páginas e preço de capa de R$ 109,90 (R$ 44,90 no formato digital), reúne perfis de artistas históricos elaborados pelo jornalista norte-americano David Remnick. O livro, traduzido por Isa Mara Lando e Mauro Land, propõe um olhar aprofundado sobre ídolos como Bob Dylan, Beatles, Rolling Stones, Leonard Cohen e Aretha Franklin, indo além das biografias tradicionais para investigar momentos de intimidade que humanizam estes nomes consagrados.

Índice

Por que “Sustentar a Nota” se destaca no universo das biografias musicais

A obra chama atenção desde a concepção: em vez de percorrer cronologicamente a carreira de cada músico, Remnick opta por textos curtos, porém densos, que combinam relato jornalístico, bastidores de entrevistas e reflexão sobre a influência cultural de cada personagem. Essa abordagem foge do formato enciclopédico e busca revelar facetas pouco visíveis de artistas que, apesar da fama mundial, ainda podem surpreender o leitor.

David Remnick e a tradição da The New Yorker em “Sustentar a Nota”

Editor-chefe da revista The New Yorker desde 1998, David Remnick acumula mais de duas décadas à frente de uma publicação reconhecida pelos artigos extensos e minuciosos. Essa escola se reflete em Sustentar a Nota: mesmo quando descreve eventos corriqueiros, o autor equilibra narrativa fluida e investigação detalhada. Aos 67 anos, Remnick carrega o prestígio de ter preservado a aura de excelência da revista centenária, condição que reforça a credibilidade do livro.

Perfis que vão do rock ao soul em “Sustentar a Nota”

O elenco escolhido combina poetas do rock, vozes históricas do soul e pioneiros do jazz e do blues. Entre os chamados “poetas” estão Leonard Cohen, Bruce Springsteen, Bob Dylan e Patti Smith. Já o grupo de expoentes da música negra inclui Aretha Franklin, Buddy Guy, Mavis Staples e Charlie Parker. Ídolos supremos do rock aparecem representados por Keith Richards e Paul McCartney, enquanto o tenor Luciano Pavarotti adiciona um contraponto erudito. A distribuição dos capítulos evita hierarquias rígidas e prioriza a singularidade de cada trajetória.

Leonard Cohen: o ponto de partida simbólico em “Sustentar a Nota”

Remnick abre a coletânea com Leonard Cohen, canadense conhecido tanto pela poesia quanto pela música. O texto é construído a partir de uma visita ao artista pouco antes de sua morte, em 2016. Mesmo debilitado, Cohen aparece consciente da finitude e disposto a conversar sobre assuntos que extrapolam o palco. O encontro fornece material para discutir não apenas sua obra, mas também a relação entre rotina doméstica, envelhecimento e criação artística.

Ao escolher Cohen como primeiro capítulo, o jornalista sinaliza o tom que dominará as demais seções: proximidade, reflexão e registro de detalhes que escapam ao leitor casual. A estratégia reforça a ideia de que, apesar do estatuto de lendas, esses músicos continuam sujeitos às mesmas dúvidas e limitações humanas.

Paul McCartney e Keith Richards sob lentes contrastantes

O capítulo dedicado a Paul McCartney mostra o ex-Beatle rodeado por políticos, artistas de Hollywood, esportistas e outras personalidades durante uma recepção organizada por sua esposa nos Estados Unidos. A cena ilustra a inversão curiosa que acompanha o artista desde os anos 1960: celebridades de diferentes áreas se tornam fãs confessos, evidenciando a magnitude da herança dos Beatles e a dificuldade de conviver com tamanha projeção.

No caso de Keith Richards, a narrativa adota tom distinto. Remnick demonstra menor empatia pelo guitarrista dos Rolling Stones e admite não apreciar a banda. O texto menciona que, na visão do autor, os Stones não lançam um disco tão relevante quanto seus clássicos há mais de três décadas. Esse distanciamento resulta em um perfil mais burocrático se comparado aos demais, o que, por contraste, destaca a complexidade de retratar figuras que não despertam simpatia imediata no repórter.

Amplitude de gêneros: blues, jazz e soul ganham espaço em “Sustentar a Nota”

A coletânea não se limita ao rock. Buddy Guy, um dos principais nomes do blues norte-americano, surge como representante do gênero. No jazz, Charlie Parker carrega o legado de improvisação e inovação que o consagrou. Já Aretha Franklin e Mavis Staples ilustram a força do soul e do gospel, reforçando a diversidade de estilos abordada por Remnick. A presença desses artistas amplia o alcance temático do livro, afastando-o da ideia de celebração exclusiva do rock branco anglo-saxão.

Luciano Pavarotti: um interlúdio operístico inesperado

Entre guitarras elétricas e baladas folk, o tenor Luciano Pavarotti surge como surpresa. O perfil descreve uma turnê em Cingapura, na qual o cantor enfrenta forte gripe. Ao registrar as dificuldades do artista para cumprir compromissos em meio a problemas de saúde, Remnick reforça o propósito de humanizar personagens frequentemente tratados como inalcançáveis. A escolha do tenor italiano mostra que a proposta do livro não se restringe a gêneros populares e sim a quaisquer figuras cuja influência transcenda fronteiras.

Patti Smith encerra o volume com entrevistas decisivas

O último capítulo é dedicado a Patti Smith. Conhecida por longas conversas reveladoras, a cantora contribuiu com material abundante para a The New Yorker. Remnick organiza perguntas e respostas de dois encontros para construir o retrato final da coletânea. A estratégia evidencia que alguns entrevistados oferecem espontaneamente reflexões que dispensam grande intervenção do autor, enquanto outros exigem observação mais detida.

O balanço crítico apresentado em “Sustentar a Nota”

Remnick não hesita em avaliar a relevância contemporânea dos artistas. Quando aponta que os Rolling Stones não entregam um álbum marcante há três décadas, estabelece um critério que poderia se aplicar também a Bob Dylan, Bruce Springsteen ou Aretha Franklin. Essa escolha, porém, expõe a subjetividade inevitável na relação entre jornalista e personagem, lembrando que perfis jornalísticos também refletem o olhar de quem os escreve.

Informações práticas sobre a edição brasileira de “Sustentar a Nota”

A edição nacional, publicada pela Companhia das Letras, chega ao mercado com capa que destaca o título em cores sóbrias e o nome de David Remnick como selo de qualidade. O livro soma dez capítulos, distribuídos em 336 páginas, e está disponível em formato físico e em e-book. O preço sugerido de R$ 109,90 pode variar em diferentes livrarias, enquanto o digital parte de R$ 44,90.

Para leitores interessados em jornalismo cultural, Sustentar a Nota se apresenta como leitura que reúne narrativa envolvente, pesquisa consistente e acesso privilegiado aos bastidores de algumas das maiores figuras da música do século XX e início do XXI.

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