Laura Pausini relança “Io Canto 2” e celebra Madonna, Roberto Carlos e ícones da música italiana

Laura Pausini relança “Io Canto 2” e celebra Madonna, Roberto Carlos e ícones da música italiana
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Laura Pausini volta ao centro das atenções com “Io Canto 2”, projeto de releituras que retoma a fórmula vencedora de 2006, quando o primeiro “Io Canto” a levou a topos de parada em diversos países. A nova investida, não planejada inicialmente pela gravadora, reúne canções de diferentes décadas, integra vozes convidadas do Brasil e prepara terreno para uma turnê que chegará a São Paulo em fevereiro do ano que vem.

Índice

Laura Pausini retoma o conceito de “Io Canto” com nova perspectiva

O ponto de partida de “Io Canto 2” surgiu de maneira espontânea. Em dezembro de 2024, durante um ensaio, a cantora pediu à banda que executasse uma composição alheia ao seu repertório habitual. A experiência despertou um desejo imediato de repetir o modelo de homenagens que marcou o primeiro volume, lançado há quase duas décadas. Embora a gravadora aguardasse um álbum de inéditas apenas para 2027, a artista decidiu antecipar os planos e iniciou contatos com empresários já em janeiro do ano passado para viabilizar um novo ciclo de shows.

O momento de redescoberta dialoga diretamente com o período em que as restrições sanitárias limitaram a atividade de artistas ao redor do planeta. Nos relatos de Pausini, o confinamento acentuou a percepção de fragilidade da vida cotidiana e reforçou a urgência de reencontrar o público. Mais do que produzir material original, a cantora afirma sentir necessidade física de interpretar criações de outros compositores como forma de revitalizar suas próprias cordas vocais.

Processo criativo de Laura Pausini: do ensaio casual ao estúdio

A gravação de “Io Canto 2” foi antecedida por uma seleção extensa de referências. Ao todo, 98 demos foram registradas antes da escolha final do repertório. O critério de curadoria envolveu buscar equilíbrio entre baladas tradicionais e faixas mais próximas do rock, além de manter coerência temática com a ideia de exaltar autores italianos ou descendentes. O resultado abrange títulos que vão de 1963 a 2023, um recorte temporal muito mais amplo do que o observado no álbum de 2006.

Uma das decisões ilustrativas desse processo ocorreu com “Non Sono una Signora”. Inicialmente, Pausini pretendia outro registro de Loredana Bertè, mas a imersão completa na discografia da roqueira modificou a preferência. A flexibilidade na escolha das faixas reflete a disposição da intérprete em submeter cada canção a testes de tonalidade, adaptação de arranjos e adequação narrativa ao conjunto total do disco.

Repertório de “Io Canto 2”: homenagens que atravessam gerações

O alinhamento de faixas evidencia um desfile de personalidades da música italiana. Clássicos de Umberto Tozzi, Zucchero, Achille Lauro e Lucio Dalla coexistem com composições mais recentes, demonstrando a intenção de dialogar com públicos de idades variadas. Dentro dessa lista, chama atenção a inclusão de “La Isla Bonita”, sucesso global lançado por Madonna em 1986. A presença da canção mostra como o álbum, embora focado em criadores italianos, amplia fronteiras ao incorporar artistas estrangeiros que mantêm vínculo afetivo com a intérprete e com seu público internacional.

A diversidade cronológica ganha reforço com faixas como “Prisma”, de 2023, e “Senza Fine”, de 1963, revelando a coexistência de arranjos modernos com estruturas clássicas. Esse contraste sublinha tanto a versatilidade vocal de Pausini quanto a renovação constante da cena italiana, capaz de produzir temas com apelo popular ao longo de seis décadas.

Conexões internacionais: de Madonna a Roberto Carlos no universo de Laura Pausini

Além da releitura do hit de Madonna, “Io Canto 2” recorre a composições de Roberto Carlos e Erasmo Carlos para reforçar o caráter universal do projeto. “Detalhes”, lançada originalmente em 1971, ganhou versão em italiano em 1973 na voz de Ornella Vanoni; agora, retorna ao catálogo popular na interpretação de Pausini, consolidando a ponte entre dois dos mercados musicais de maior relevância cultural: Itália e Brasil.

A escolha por “La Isla Bonita” dialoga diretamente com a influência que Madonna exerceu sobre artistas europeus nos anos 1980. Ao trazer o single para um disco de matriz italiana, Pausini reafirma a permeabilidade de fronteiras musicais e reitera que a cultura pop global é construída a partir de trocas constantes entre diferentes cenários.

Colaborações brasileiras reforçam a relação de Laura Pausini com o país

O álbum inclui duas participações que aproximam ainda mais a cantora do público brasileiro. A primeira delas envolve “Quem de Nós Dois”, versão em português de “La Mia Storia tra le Dita”, popularizada por Ana Carolina em 1999. Para a releitura, Pausini convidou a própria Ana Carolina e também Ferrugem, adicionando novos timbres à balada romântica original de Gianluca Grignani.

Outra manifestação dessa parceria cultural aparece em “Já Sei Namorar”, dos Tribalistas, escrita por Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. O fato de Marisa Monte ter ascendência italiana justifica a inclusão dentro da linha editorial do projeto e amplia o diálogo transcultural entre os dois repertórios linguísticos.

Há ainda “O Céu Dentro de um Quarto”, tradução de “Il Cielo in una Stanza”, composta por Gino Paoli, amigo pessoal de Pausini. A versão em português foi mantida no disco para preservar a musicalidade percebida pela cantora durante testes de estúdio, reforçando a decisão de oferecer parte do conteúdo na língua que ela tanto escuta em suas passagens pelo Brasil.

Turnê mundial e presença de Laura Pausini no Brasil

Com o lançamento de “Io Canto 2” nas plataformas digitais sob o selo Warner Music, Laura Pausini já confirmou uma extensa agenda de apresentações. O roteiro incluirá a Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, no dia 27 de fevereiro do próximo ano, data que marca o retorno oficial da artista aos palcos brasileiros após a passagem da turnê anterior. A estrutura do show deverá combinar faixas do novo projeto com sucessos autorais, em linha com a preferência da cantora por performances ao vivo que unam nostalgia e atualidade.

Antes mesmo de iniciar a série de concertos, Pausini fará participação especial na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, na Itália, prevista para esta sexta-feira. A transmissão global reforça o alcance de sua carreira, que soma três décadas de visibilidade contínua, prêmios internacionais e gravações em múltiplos idiomas.

Em síntese, “Io Canto 2” reúne tradição italiana, homenagens a ídolos globais e colaborações que reafirmam a relação de Laura Pausini com o Brasil. A expectativa agora se concentra na apresentação marcada para 27 de fevereiro, quando o público brasileiro poderá conferir, ao vivo, a materialização dessa trajetória de reverência musical e intercâmbio cultural.

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