Kleber Mendonça Filho rebate Wim Wenders em Berlim e afirma que cinema é política

Kleber Mendonça Filho rebate Wim Wenders em Berlim e afirma que cinema é política
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No centro de uma passagem relâmpago pela capital alemã, Kleber Mendonça Filho confrontou declarações de Wim Wenders sobre a relação entre cinema e política, enfatizou a importância da memória histórica brasileira e manteve o foco na campanha de O Agente Secreto, produção que disputa quatro categorias no Oscar do mês seguinte. A discussão, iniciada por comentários do cineasta alemão na abertura da Berlinale, passou a dominar conversas entre profissionais do audiovisual presentes em Berlim.

Índice

1. Kleber Mendonça Filho e o contexto da visita a Berlim

Kleber Mendonça Filho chegou a Berlim para compromissos profissionais que não incluem a programação oficial da Berlinale, mas seu nome logo entrou nas manchetes locais por causa da repercussão dos discursos que circulavam no festival. Convidado para uma homenagem na Embaixada do Brasil, ele aproveitou a ocasião para discutir a ligação intrínseca que enxerga entre a sétima arte e os debates sociais. Sua agenda na capital alemã vem sendo marcada por entrevistas, encontros institucionais e iniciativas de divulgação de O Agente Secreto.

A obra mais recente do diretor concorre a quatro estatuetas na próxima cerimônia da Academia, realidade que obriga a equipe a adotar uma rotina de divulgação contínua. Mesmo sem vínculo direto com o festival berlinense, a coincidência de datas fez com que sua presença fosse notada por profissionais que visitam a cidade justamente para acompanhar a mostra internacional.

2. O embate discursivo com Wim Wenders e a polêmica sobre política no cinema

O foco das atenções voltou-se a Kleber Mendonça Filho depois que Wim Wenders, presidente do júri da Berlinale, declarou que o cinema “era o oposto da política” ao responder a um repórter que o questionou sobre o alegado genocídio em Gaza. A observação do diretor alemão, conhecido por Asas do Desejo, veio acompanhada de menção ao fato de o principal patrocinador do festival ser o governo alemão, que não reconhece a atuação israelense como genocida.

Mendonça Filho estranhou o argumento e externou confusão diante da fala de Wenders. Para ele, falar de sociedade implica falar de política, uma lógica que considera indissociável da prática artística. Ele retomou a ideia usando uma metáfora de linguagem: do mesmo modo que consoantes estruturam palavras, a política estruturaria discursos cinematográficos. A resposta ecoou rapidamente entre outros colegas brasileiros presentes a Berlim.

3. Declarações do diretor pernambucano reforçam memória política brasileira

Conhecido por explorar questões sociais em suas narrativas, Kleber Mendonça Filho voltou a defender o ato de relembrar o passado recente do Brasil como posicionamento político. No evento na Embaixada do Brasil, apresentado pelo embaixador Rodrigo Baena, o cineasta celebrou a existência de uma representação diplomática que valoriza o cinema nacional, fazendo alusão ao período em que políticas públicas para o setor foram interrompidas durante o governo Jair Bolsonaro.

Naquele mandato, projetos de fomento e linhas de financiamento ao audiovisual foram reduzidos, e Mendonça Filho destacou que protestou internacionalmente contra tais medidas. Ao relembrar essa fase, afirmou que o país precisa discutir e compreender o que ocorreu, pois muitos assuntos, em suas palavras, permanecem “debaixo do tapete”. A menção encaixa-se na temática central de O Agente Secreto, que traz à tona memórias da ditadura militar brasileira.

4. Reação da comunidade cinematográfica brasileira à posição do júri da Berlinale

A fala de Wenders gerou repercussão imediata entre profissionais brasileiros presentes em Berlim. Karim Aïnouz, em competição pelo Urso de Ouro com Rosebush Pruning, e Eliza Capai, que exibe o documentário A Fabulosa Máquina do Tempo, discordaram publicamente do diretor alemão. Fernando Meirelles, por sua vez, assinou uma carta conjunta com outros 80 nomes do cinema — todos ligados ou já ligados à mostra alemã — pedindo um posicionamento oficial do festival em relação às ações de Israel em Gaza.

A missiva endereçada à direção da Berlinale não apenas refutou a declaração de Wenders, mas exigiu manifestação pública semelhante àquela já feita pela organização em episódios envolvendo o Irã e a Ucrânia. O debate reforçou a percepção de que, para muitos artistas do setor, separação estrita entre expressão cultural e discussão política torna-se impraticável.

5. Próximos passos de Kleber Mendonça Filho rumo ao Oscar

Com a temporada de prêmios entrando em reta final, Kleber Mendonça Filho e sua equipe mantêm agenda acelerada para fortalecer a visibilidade de O Agente Secreto antes da votação final da Academia. A expectativa é apresentar o longa a votantes e formadores de opinião em várias frentes, estratégia que inclui entrevistas, exibições exclusivas e a manutenção do debate sobre as temáticas políticas que a obra aborda.

Durante essa campanha, o diretor reafirma o entendimento de que cada aparição pública é oportunidade de defender a interseção entre cinema e consciência social. Ao lembrar que “se você fala de sociedade, você fala de política”, Mendonça Filho reforça um posicionamento que vem guiando suas produções e suas participações em festivais. A cerimônia do Oscar, marcada para o próximo mês, será o próximo grande palco onde essa convicção encontrará audiência global.

A agenda em Berlim encerrou-se com o reconhecimento oficial na Embaixada do Brasil, deixando claro que, para Mendonça Filho, o diálogo sobre cinema permanece inseparável de sua leitura crítica da realidade contemporânea. A repercussão das declarações de Wim Wenders continua a ecoar nos corredores da Berlinale, enquanto o diretor pernambucano dirige sua atenção à noite de entrega das estatuetas, data que concentrará as próximas expectativas do público interessado em O Agente Secreto.

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