Kawasaki acelera produção do robô-cavalo Corleo e planeja estreia comercial até 2035

O robô-cavalo Corleo, projeto quadrúpede da Kawasaki destinado a enfrentar terrenos acidentados, deixou de ser um conceito distante e entrou em rota de produção real, com o primeiro modelo funcional previsto para surgir em até quatro anos, demonstrações públicas programadas antes das vendas e lançamento comercial apontado para 2035.
- Origem do robô-cavalo Corleo e mudança de cronograma
- Safe Adventure Business Development Team lidera o robô-cavalo Corleo
- Arquitetura mecânica do robô-cavalo Corleo: quatro patas e controle por peso
- Propulsão a hidrogênio garante emissões reduzidas
- Tela de navegação e sistemas de apoio ao piloto
- Simulador de pilotagem chega em 2027 e antecipa a experiência com o robô-cavalo Corleo
- Metas públicas: presença na Expo 2030 e vendas em 2035
- Foco em terrenos acidentados amplia aplicações potenciais
- Próximos passos e expectativa para 2027
Origem do robô-cavalo Corleo e mudança de cronograma
Quando a Kawasaki apresentou o Corleo, a data de referência para sua chegada ao mercado era 2050. Esse horizonte projetava mais de duas décadas de pesquisa antes que qualquer consumidor pudesse montá-lo. A situação mudou após a exposição do protótipo na Expo 2025, em Osaka, onde o veículo chamou atenção por combinar propulsão a hidrogênio com locomoção de quatro cascos robóticos. O interesse gerado no evento motivou a companhia a rever prazos e acelerar etapas internas de engenharia. Assim, o intervalo originalmente superior a vinte anos foi reduzido para pouco mais de uma década, estabelecendo 2035 como ano-alvo para o início das vendas.
Safe Adventure Business Development Team lidera o robô-cavalo Corleo
Para viabilizar a nova agenda, a Kawasaki instituiu o Safe Adventure Business Development Team, uma operação dedicada exclusivamente ao programa. A equipe reúne especialistas em robótica, motorização e dinâmica veicular, concentrando recursos que antes se espalhavam por diversos departamentos. O objetivo central é entregar o primeiro Corleo funcional dentro de quatro anos, além de preparar exibições práticas que comprovem a robustez do sistema em ambientes externos antes da estreia comercial.
Esse grupo também coordena todas as ações relacionadas à visibilidade do projeto. Entre as tarefas já definidas está a preparação de unidades para a Expo 2030, em Riade, onde visitantes deverão ter acesso direto ao veículo. O cronograma inclui testes de carga, avaliação de estabilidade em encostas e ajustes finos de software, com a meta de apresentar um produto perto do nível final de mercado durante o evento na capital saudita.
Arquitetura mecânica do robô-cavalo Corleo: quatro patas e controle por peso
O projeto combina componentes tradicionais de motocicletas com soluções de robótica avançada. As pernas traseiras operam de forma independente e contam com sistemas de absorção de impactos para proteger o piloto em terrenos irregulares. A condução se baseia no deslocamento do peso do corpo, estratégia semelhante à montaria convencional, mas sem o uso de rédeas. Essa abordagem libera as mãos do usuário, facilitando o equilíbrio e a interação com sistemas de navegação ou dispositivos adicionais.
Para manter a estabilidade, o Corleo integra algoritmos de inteligência artificial capazes de analisar o solo em tempo real. As rotinas ajustam parâmetros de suspensão e distribuem o torque gerado pelo motor entre as quatro juntas motrizes, permitindo avanços em superfícies variadas, de encostas rochosas a travessias rasas de água. Essa configuração busca superar as limitações de veículos de duas rodas, oferecendo maior contato com o chão e menor risco de tombamento em ambientes extremos.
Propulsão a hidrogênio garante emissões reduzidas
No centro da motorização está um motor a hidrogênio de 150 cilindradas, responsável por gerar a eletricidade que aciona os atuadores das patas. O combustível fica armazenado em cilindros posicionados na parte traseira, solução que contribui para um centro de gravidade baixo. Além de operar com emissões reduzidas, o sistema tende a produzir menor ruído, característica útil em zonas ecologicamente sensíveis ou em missões que exijam discrição.
Os dados de consumo estimado, autonomia e tempo de reabastecimento ainda não foram divulgados pela Kawasaki. Entretanto, o uso de hidrogênio reforça a estratégia da empresa em alinhar o Corleo a iniciativas sustentáveis, capitalizando a experiência já acumulada em motocicletas movidas por combustíveis alternativos.
Na parte frontal, o veículo contará com uma tela de navegação equipada com GPS. O equipamento deve oferecer mapeamento de rotas e projeções de curso para evitar manobras bruscas que poderiam deslocar o centro de gravidade. As informações coletadas pelo sistema também alimentarão os algoritmos de estabilidade, contribuindo para correções automáticas de postura nas quatro patas e garantindo tração homogênea, mesmo quando um dos membros encontra superfície menos aderente.
Simulador de pilotagem chega em 2027 e antecipa a experiência com o robô-cavalo Corleo
Como etapa intermediária, a Kawasaki desenvolve um simulador que reproduzirá a pilotagem do robô-cavalo Corleo em ambiente virtual. Previsto para 2027, o sistema terá como base modelos 3D gerados a partir do processo de engenharia real. Dados de movimento, inclinação, tempo de resposta e vibração serão inseridos para replicar a sensação de condução o mais fielmente possível.
A companhia planeja integrar o simulador a jogos e e-sports, ampliando a exposição do conceito para além das feiras de tecnologia. Usuários poderão testar percursos montanhosos ou urbanos simulados, enquanto a fabricante coleta telemetria que poderá servir de feedback para ajustes de hardware e software do veículo físico.
Metas públicas: presença na Expo 2030 e vendas em 2035
Os marcos divulgados pela Kawasaki indicam três prazos centrais. O primeiro é a conclusão de um protótipo operacional em até quatro anos, com exibições restritas a engenheiros e parceiros selecionados. O segundo é a disponibilidade de unidades na Expo 2030, onde visitantes experimentarão trajetos controlados para demonstrar capacidade de carga, estabilidade e adaptação a solos variados. Por fim, a empresa projeta iniciar a comercialização do veículo em 2035, reduzindo em quinze anos o prazo originalmente anunciado.
Até o momento, não há informações oficiais sobre quantidade a produzir ou faixa de preço. Esses detalhes devem ser definidos à medida que os testes apontarem custos de fabricação, manutenção e infraestrutura de abastecimento de hidrogênio.
Foco em terrenos acidentados amplia aplicações potenciais
Desenvolvido para enfrentar montanhas, trilhas e áreas de difícil acesso, o Corleo pode interessar a segmentos que exigem transporte individual robusto. Busca-se oferecer manobrabilidade superior à de motocicletas tradicionais em encostas íngremes, graças à distribuição dinâmica de peso nas quatro patas. A independência das pernas traseiras, unida à IA embarcada, ajuda a contornar pedras soltas, desníveis abruptos ou passagens parcialmente alagadas.
Essas características sugerem utilidade em turismo de aventura, patrulhamento ambiental, monitoramento de parques e apoio a operações de resgate em locais onde veículos sobre rodas perdem eficiência. A Kawasaki, entretanto, limita-se a confirmar que o alvo primário é a mobilidade pessoal em terrenos difíceis, sem especificar mercados setoriais.
Próximos passos e expectativa para 2027
O avanço imediato mais tangível é a entrega do simulador em 2027, recurso que permitirá aos interessados conhecer virtualmente o comportamento do robô-cavalo antes do protótipo ganhar as ruas de teste.

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