Justiça do Rio revoga prisão de turista argentina investigada por injúria racial em bar de Ipanema

Justiça do Rio revoga prisão de turista argentina investigada por injúria racial em bar de Ipanema
Getting your Trinity Audio player ready...

A Justiça do Rio de Janeiro revogou, no fim da tarde de sexta-feira (6), a prisão preventiva da advogada e influencer argentina Agostina Paez, investigada por injúria racial contra quatro funcionários de um bar em Ipanema. A decisão foi proferida em primeira instância, e a turista deixou a delegacia ainda na noite do mesmo dia, poucas horas depois de ter sido detida em Vargem Pequena.

Índice

Dinâmica da injúria racial registrada no bar de Ipanema

O episódio que motivou o processo ocorreu em 14 de janeiro, quando, segundo relato de uma das vítimas à Polícia Civil, uma discussão sobre o pagamento da conta do estabelecimento resultou em ofensas de cunho racial. De acordo com o depoimento, Agostina Paez teria apontado o dedo para um dos trabalhadores, utilizado o termo “mono” — palavra que significa “macaco” em espanhol — e, em seguida, imitado gestos e sons do animal. A conduta teria sido direcionada a quatro profissionais que atuavam no local naquela noite.

As circunstâncias foram documentadas pela própria vítima, que gravou o momento em vídeo. Além desse registro direto, as câmeras de segurança internas do bar capturaram imagens complementares. Esses materiais foram analisados pelos investigadores e, conforme informado pela Polícia Civil, confirmaram a sequência de xingamentos apontada pelos empregados.

Desde o comparecimento da vítima à delegacia, agentes ouviram testemunhas, avaliaram as gravações e reuniram outros elementos probatórios. Todas as etapas, segundo a corporação, permitiram “esclarecer completamente a dinâmica dos fatos”, termo utilizado pelos policiais que conduziram o inquérito.

Medidas iniciais da Justiça diante da injúria racial

Antes da decretação da prisão preventiva, o Judiciário adotou providências cautelares a pedido do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Entre elas, a proibição de que a denunciada deixasse o país, a retenção do passaporte e a determinação de uso de tornozeleira eletrônica. Essas medidas tinham o objetivo de garantir a presença da investigada durante o curso processual e impedir eventual fuga.

Posteriormente, o Ministério Público solicitou a prisão preventiva, argumentando risco de evasão. A solicitação foi analisada pela 37ª Vara Criminal da capital, que expediu o mandado de detenção. O documento foi cumprido na manhã de 6 de fevereiro. A turista estava instalada em um apartamento de temporada em Vargem Pequena, bairro na Zona Oeste carioca, onde foi localizada pela polícia.

Prisão preventiva e fatores que motivaram a revogação

A prisão ocorreu por volta das primeiras horas da manhã. Agostina Paez foi conduzida para a unidade policial responsável pelo caso e passou o dia custodiada. No fim da tarde, o juízo de primeira instância revogou a decisão anterior, determinando a soltura imediata.

Como o processo tramita sob segredo de Justiça, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro limitou-se a informar que a ordem de prisão foi anulada. Não foram divulgados, portanto, os fundamentos que levaram à mudança de entendimento nem o conteúdo da nova decisão. Ainda assim, a revogação manteve o restante das cautelares impostas anteriormente, entre elas a retenção do passaporte e o monitoramento eletrônico.

Horas antes de ser presa, a argentina havia publicado em rede social que usava a tornozeleira eletrônica e se encontrava “à disposição” das autoridades. Na postagem, afirmou estar “desesperada” e com “medo” após ser avisada do mandado por “perigo de fuga”.

Entenda quem é a turista argentina acusada de injúria racial

Agostina Paez é identificada nos autos como advogada e influenciadora digital. Embora suas redes sociais tenham sido buscadas por veículos de comunicação, detalhes sobre a carreira jurídica ou sobre o número de seguidores não aparecem nos documentos judiciais divulgados até o momento. O fato de atuar como criadora de conteúdo, contudo, foi mencionado no inquérito e reforçou a necessidade de localização rápida, já que a rotina de viagens ligada à atividade poderia facilitar eventual saída do país.

A condição de turista também foi observada pela Justiça. A argentina permaneceu no Brasil após o episódio em Ipanema, hospedando-se em diferentes endereços. O último foi o apartamento alugado onde se deu a detenção. A alternância de domicilío e a ausência de laços definitivos em território nacional foram listadas pelo Ministério Público como fatores de risco à instrução criminal.

Previsão legal: pena para o crime de injúria racial

O delito imputado à turista está descrito no artigo 2º-A, caput, da Lei 7.716/1989, que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos. A configuração depende da ofensa à dignidade ou ao decoro da vítima, motivada por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. No presente caso, a Polícia Civil e o Ministério Público sustentam que as expressões utilizadas ultrapassaram o mero conflito de consumo, atingindo a honra dos funcionários pela referência depreciativa à cor da pele.

De acordo com a legislação, a pena pode ser aumentada em determinadas hipóteses, mas esse tema não foi abordado na decisão que revogou a prisão nem nos pedidos do Ministério Público divulgados. No momento, o processo prossegue com a tipificação simples prevista no caput do dispositivo.

Próximos passos processuais no caso de injúria racial

Com a liberdade provisória mantida e as cautelares em vigor, o próximo procedimento esperado é o prosseguimento da instrução criminal. Nesse estágio, devem ser marcadas audiências para oitiva de vítimas, testemunhas e da própria denunciada. Eventuais perícias em mídia eletrônica, caso ainda restem pendências técnicas, também podem ser juntadas aos autos.

Não há, até o momento, data pública para a primeira audiência. A defesa de Agostina Paez deve ser intimada das novas movimentações e poderá apresentar pedidos complementares ou requerer a revogação das demais restrições de deslocamento. Já o Ministério Público acompanha o cumprimento das medidas e a manutenção dos equipamentos de vigilância, como a tornozeleira eletrônica.

O processo continua sob sigilo, condição que impede a divulgação de despachos e petições. Assim, informações somente serão conhecidas por meio de notas oficiais do Tribunal de Justiça, do Ministério Público ou da Polícia Civil.

A revogação da prisão preventiva encerrou o dia que começou com a detenção da turista, mas não finalizou o trâmite judicial. A expectativa recai agora sobre a marcação das audiências e sobre a avaliação, pelo magistrado responsável, do conjunto de provas já anexado, etapa decisiva para estabelecer se o caso irá a julgamento ou se haverá outra solução processual prevista em lei.

zairasilva

Olá! Eu sou a Zaira Silva — apaixonada por marketing digital, criação de conteúdo e tudo que envolve compartilhar conhecimento de forma simples e acessível. Gosto de transformar temas complexos em conteúdos claros, úteis e bem organizados. Se você também acredita no poder da informação bem feita, estamos no mesmo caminho. ✨📚No tempo livre, Zaira gosta de viajar e fotografar paisagens urbanas e naturais, combinando sua curiosidade tecnológica com um olhar artístico. Acompanhe suas publicações para se manter atualizado com insights práticos e interessantes sobre o mundo da tecnologia.

Conteúdo Relacionado

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Go up

Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você está satisfeito com ele. OK