Juros altos dificultam acesso ao crédito para 80% das indústrias, mostra pesquisa da CNI

Juros altos dificultam acesso ao crédito para 80% das indústrias, mostra pesquisa da CNI
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Juros altos continuam a representar o maior entrave para o financiamento de empresas industriais no Brasil. De acordo com a Sondagem Especial: Condições de Acesso ao Crédito em 2025, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), oito a cada dez indústrias relataram dificuldades para contratar crédito nos últimos meses, principalmente devido às taxas elevadas de financiamento.

Índice

Impacto imediato dos juros altos sobre o crédito industrial

A pesquisa indica que, entre as empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo—operações de até cinco anos—80% atribuíram a dificuldade de contratação aos juros elevados. A pressão se repete nas operações de longo prazo, com prazo superior a cinco anos, onde 71% dos entrevistados apontaram o mesmo obstáculo. Em termos práticos, a taxa básica de juros (Selic) de 15% ao ano eleva o custo final dos empréstimos, resultando em uma taxa real próxima de 10% e tornando qualquer projeto de investimento mais oneroso.

Para a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, o efeito combinado de uma política monetária restritiva sobrecarrega o caixa das empresas, reduzindo o espaço para iniciativas de expansão ou inovação. Ainda segundo o levantamento, o peso dos juros ganhou relevância superior a outros fatores tradicionais, como garantias exigidas ou adequação das linhas de crédito.

Juros altos e garantias: combinação que trava financiamento

Embora as taxas de juros liderem o ranking de obstáculos, a exigência de garantias reais aparece logo em seguida. No segmento de curto ou médio prazo, 32% das empresas sinalizaram problemas com a necessidade de apresentar imóveis, máquinas ou outros ativos como forma de garantia. Já a falta de linhas adequadas às características dos negócios foi mencionada por 17% dos participantes.

No âmbito de crédito de longo prazo, a hierarquia de fatores se repete: 31% citaram garantias e 17% destacaram a inexistência de produtos financeiros compatíveis com seus planos de investimento. Esses números revelam que, mesmo quando as empresas estão dispostas a se alavancar, o desenho das linhas de financiamento e as exigências de colateral se somam à taxa de juros, criando barreiras adicionais.

Queda na procura por crédito evidencia o efeito contínuo dos juros altos

O ambiente de custo elevado reflete diretamente na intenção de busca por financiamento. Entre as empresas consultadas, 54% não procuraram crédito de longo prazo nos seis meses anteriores ao levantamento. No intervalo mais curto, 49% não buscaram crédito de curto ou médio prazo. O movimento de retração é ainda mais claro quando se observa a efetiva contratação: apenas 26% conseguiram ou renovaram crédito de curto prazo, proporção que cai para 17% nas operações de longo prazo.

A sondagem sugere que o elevado custo do dinheiro desencoraja a demanda. Para muitos gestores, iniciar o processo de solicitação implica tempo e custo de compliance; diante de uma perspectiva de taxas pouco atraentes, a decisão tem sido suspender o pedido, reforçando o círculo de desaquecimento no mercado de crédito.

Dificuldade maior no crédito de longo prazo expõe vulnerabilidade das médias empresas

Quando o foco se desloca da procura à efetiva concessão, a incapacidade de obtenção de recursos aumenta, sobretudo no longo prazo. O levantamento mostra que quase um terço das indústrias que buscaram financiamento acima de cinco anos não teve sucesso. A análise por porte revela diferenças significativas:

Crédito de curto ou médio prazo

• Empresas médias: 26% não obtiveram crédito
• Pequenas: 21%
• Grandes: 16%

Crédito de longo prazo

• Empresas médias: 43% não obtiveram crédito
• Pequenas: 37%
• Grandes: 27%

Os dados indicam que a empresa de porte médio é a que enfrenta maior taxa de insucesso na obtenção de financiamentos longos. Esse grupo, geralmente sem a diversificação de receitas das corporações de grande porte e sem o tratamento diferenciado de linhas voltadas ao microempreendedor, fica mais exposto ao encarecimento do capital.

Sensação de deterioração das condições de crédito acompanha permanência dos juros altos

Além dos números de contratação e inadimplência, a sondagem mediu a percepção das empresas sobre a evolução das condições de crédito. No universo pesquisado, 35% avaliaram que o crédito de curto ou médio prazo piorou, enquanto 33% apresentaram a mesma avaliação para o longo prazo. A maioria, 47%, considerou que não houve mudança sensível, o que sinaliza persistência do ambiente restritivo. Apenas 14% identificaram melhora no curto prazo, e no longo prazo esse índice caiu para 12%.

Assim, ainda que alguns indicadores macroeconômicos possam sugerir espaço para flexibilização futura, a percepção do empresariado industrial continua alinhada à realidade de custos elevados e de prazos incertos para uma redução significativa da taxa básica.

Baixa adesão ao risco sacado destaca cautela diante dos juros altos

Uma das alternativas para aliviar o caixa imediato, o risco sacado—modalidade em que o fornecedor antecipa recebíveis junto a uma instituição financeira—também encontrou resistência. Apenas 13% das indústrias contrataram essa operação nos últimos 12 meses, enquanto 5% pretendiam contratar. Mais da metade, 54%, não contrataram nem demonstraram intenção, e 29% preferiram não responder.

Embora o risco sacado possibilite antecipar valores, sua remuneração também é influenciada pela taxa básica de juros, o que explica a pouca adesão em um cenário de Selic elevada. A preferência por não assumir novos custos de captação reforça a postura conservadora adotada pelas empresas.

Metodologia da sondagem da CNI e ABDE

O levantamento ouviu 1.789 empresas industriais entre 1º e 12 de agosto do ano passado. O universo foi composto por 713 companhias de pequeno porte, 637 de médio porte e 439 de grande porte. O objetivo da sondagem foi mapear as dificuldades enfrentadas pelo setor na contratação de crédito, identificar os principais obstáculos e avaliar a percepção sobre a evolução das condições de financiamento.

Com os resultados, a CNI e a ABDE pretendem subsidiar discussões sobre políticas de crédito voltadas ao segmento industrial, destacando a necessidade de ajustes que reduzam o custo financeiro e ampliem o acesso a linhas adequadas ao perfil de cada empresa.

O próximo passo aguarda-se na divulgação de futuras edições da sondagem, que deverão confrontar esses dados com eventuais mudanças na Selic e nas exigências de garantias praticadas pelo mercado.

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