Julgamento pela morte de Thiago Flausino: júri ouve mãe e sobrevivente em caso que expõe abordagem de PMs no Rio

Julgamento pela morte de Thiago Flausino: júri ouve mãe e sobrevivente em caso que expõe abordagem de PMs no Rio
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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro iniciou, na manhã de 10 de fevereiro, o júri popular que pretende definir a responsabilidade de dois policiais militares do Batalhão de Choque na morte de Thiago Flausino, estudante de 13 anos baleado com três disparos de fuzil em agosto de 2023, na Cidade de Deus, zona oeste da capital fluminense. O processo envolve ainda a tentativa de homicídio contra o jovem Marcus Vinícius, que conduzia a motocicleta onde Thiago estava na garupa, além de acusações de fraude processual contra os agentes.

Índice

Contexto da morte de Thiago Flausino e operação policial

O caso que culminou na morte de Thiago Flausino ocorreu durante uma ação da Polícia Militar conduzida em um veículo particular descaracterizado. De acordo com a investigação, não havia confronto ativo no momento em que os militares abriram fogo. Thiago, que sonhava ser jogador de futebol e treinava em duas escolinhas da comunidade, recebeu dois tiros nas pernas e um terceiro disparo enquanto se encontrava na garupa da motocicleta. Já Marcus Vinícius, piloto do veículo, foi alvejado na mão, sobreviveu e hoje figura como principal testemunha ocular.

O Ministério Público sustenta que a operação foi realizada em regime de tocaia, classificada como ilegal por ter utilizado arma de alta energia — o fuzil — sem prévio indício de ameaça. As apurações revelam, ainda, que os adolescentes não portavam armas, elemento crucial que reforçou a tese de homicídio doloso qualificado.

Detalhes da acusação e dos réus no julgamento da morte de Thiago Flausino

No banco dos réus estão os soldados Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, lotados no Batalhão de Choque da PM fluminense. Eles respondem por três crimes:

1. Homicídio qualificado – referente ao óbito de Thiago, atingido por disparos de fuzil de curta distância.
2. Tentativa de homicídio – relativa a Marcus Vinícius, que permaneceu vivo após ser socorrido.
3. Fraude processual – pela suposta inserção de uma arma na cena do crime e a alteração de versões para simular legítima defesa.

Segundo a promotoria, os réus teriam “plantado” o armamento para justificar o uso da força letal, além de ajustar depoimentos posteriores a fim de sustentar que o carro descaracterizado seria uma viatura regular. Ao todo, dez testemunhas foram arroladas: cinco pela acusação e cinco pela defesa.

Depoimentos emocionados reforçam perfil de Thiago e narrativa da acusação

Na sessão inaugural do júri, participaram por mais de seis horas o sobrevivente Marcus Vinícius, o pai dele, Wagner, e, em destaque, Priscila Menezes Gomes de Souza, mãe de Thiago. Durante seu depoimento, ela descreveu o filho como “educado, carinhoso, sorridente e feliz”, atributos corroborados por colegas de escola que aguardavam o veredicto na área externa do tribunal. Registros exibidos em plenário mostraram que Thiago mantinha frequência escolar acima de 91%, mesmo apresentando dificuldades em português e matemática.

Imagens de treinos de futebol, encontros familiares e premiações escolares foram apresentadas para ilustrar o cotidiano do jovem. Uma foto em especial exibiu o estudante conquistando o prêmio de “caderno mais organizado”, competição interna do colégio que reforça o zelo do menino pelos estudos, segundo a mãe.

Estratégia de defesa: contestação de imagens e alegação de legítima defesa

Os advogados dos policiais exibiram no tribunal fotografias extraídas do celular de Thiago, incluindo registros de armas, pessoas encapuzadas e supostos colegas armados. Priscila manifestou desconfiança sobre a autenticidade desses arquivos, alegando que o físico robusto presente em algumas imagens “não corresponde ao corpo do filho”. Ela também destacou uma foto em que uma mão tatuada segura um revólver, frisando que Thiago não possuía tatuagens.

A defesa baseia-se na tese de legítima defesa, argumentando que a presença de armamento justificaria a reação dos PMs. Contudo, o Ministério Público afirma que perícias descartaram confronto, e o próprio Marcus Vinícius declarou jamais ter visto Thiago armado. Esse embate sobre provas visuais e relatos oculares constitui ponto central para a decisão do conselho de sentença.

Próximos passos no julgamento da morte de Thiago Flausino

Concluída a fase de oitiva das testemunhas de acusação, o júri prosseguirá com as declarações das testemunhas de defesa, seguidas dos interrogatórios dos réus. Após essas etapas, ocorrerão as sustentações orais de promotoria e defesa, além dos eventuais debates previstos em lei. Não há horário estimado para que os sete jurados cheguem a um veredicto, mas a expectativa da família e de movimentos contra a violência policial é de que a sentença seja proclamada ainda nesta semana.

Do lado de fora do tribunal, amigos e parentes se revezam em vigília, empunhando cartazes que pedem justiça. Entre eles, duas colegas de 14 e 15 anos lembraram que Thiago era presença constante em comemorações de aniversário, “sempre o primeiro a confirmar” a participação. O pai do adolescente, Diogo Flausino, também marcou presença e afirmou confiar na condenação, reiterando que os réus “precisam pagar pelo que fizeram”.

A sessão permanece sob responsabilidade de magistrado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, instituição que conduz casos de grande repercussão na capital. Com o avanço das oitivas e a análise do material pericial, o júri popular definirá se Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria serão condenados pelos três crimes apontados ou se a versão de legítima defesa sustentada pelos policiais prevalecerá.

O desfecho deste processo, aguardado por familiares, comunidade da Cidade de Deus e organizações de direitos humanos, será anunciado tão logo o conselho de sentença finalize a votação e o juiz presidente do júri profira a decisão oficial.

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