IPCA de 4,26% é celebrado pela Fazenda e aponta para menor inflação de um mandato desde o Plano Real

IPCA de 4,26% marcou o encerramento de 2025 e foi recebido pelo Ministério da Fazenda como sinal concreto de estabilidade econômica, ao registrar a quinta menor taxa de inflação desde 1995, ano de implantação do Plano Real.
- IPCA de 4,26% confirma quinta menor taxa desde 1995
- Política econômica sustenta IPCA de 4,26% dentro da meta
- Mercado revê projeções ao longo do ano diante do IPCA de 4,26%
- Desemprego de 5,2% contrasta com IPCA de 4,26% e revela duplo avanço
- Alimentos desaceleram e ajudam a manter IPCA de 4,26%
- Comparativo anual reforça trajetória de queda
- Perspectivas para 2026: continuidade do quadro de estabilidade
IPCA de 4,26% confirma quinta menor taxa desde 1995
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo fechou 2025 em 4,26%. Com esse percentual, o governo alcançou resultado inferior ao teto de 4,5% estipulado pelo regime de metas vigente. Na série histórica do período pós-Plano Real, inaugurado em 1995, apenas quatro anos apresentaram inflação mais baixa, o que confere ao atual resultado a condição de quinta menor taxa em três décadas.
Quando confrontado com 2018, último ano em que o IPCA esteve abaixo do patamar de 4,26%, dois dados se destacam: em 2018 a inflação havia ficado menor, mas a taxa de desemprego estava em 11,6%. Agora, o nível de desocupação recuou para 5,2%, revelando uma combinação simultânea de preços mais contidos e mercado de trabalho mais aquecido.
Política econômica sustenta IPCA de 4,26% dentro da meta
Para chegar ao índice verificado, a equipe econômica conduziu uma política monetária considerada contracionista, mantendo a taxa básica de juros em 15% ao ano, maior nível desde 2006. Ao mesmo tempo, a Fazenda reforçou a necessidade de sinergia com a política fiscal para conter pressões sobre preços. O secretário de Políticas Econômicas apontou a coordenação desses dois vetores — fiscal e monetário — como fator decisivo para a trajetória de desaceleração da inflação ao longo de 2025.
Essa combinação de medidas respaldou a expectativa do Executivo de entregar, ao final do atual mandato presidencial, a menor inflação acumulada desde que a moeda foi criada, em 1994, efetivamente operacionalizada em 1995. A pasta da Fazenda sustenta que o ambiente de maior previsibilidade contribuiu não apenas para a queda de preços, mas também para a expansão real da renda e a redução da desigualdade observadas no período.
Mercado revê projeções ao longo do ano diante do IPCA de 4,26%
Ao longo do primeiro semestre de 2025, diversas estimativas divulgadas no Boletim Focus chegaram a projetar que a inflação terminaria o ano perto de 5,6%. Esse cenário menos favorável foi sendo revisto à medida que os dados mensais surpreendiam para baixo, levando as apostas do mercado a convergirem gradualmente para níveis mais moderados. O resultado final, portanto, ficou bem abaixo das expectativas iniciais dos analistas.
Dentro do governo, a avaliação é de que a credibilidade do regime de metas foi reforçada justamente por essa entrega abaixo do previsto. O secretário-executivo da Fazenda, que assumiu interinamente o ministério durante o recesso do titular, mencionou que o desfecho de 4,26% consolidou um ambiente de confiança, considerado essencial para dar continuidade às projeções otimistas para 2026.
Desemprego de 5,2% contrasta com IPCA de 4,26% e revela duplo avanço
A relação entre inflação baixa e mercado de trabalho costuma ser objeto de atenção porque, em muitos episódios, a contenção de preços ocorre à custa de maior desemprego. Em 2025, porém, a taxa de desocupação caiu para 5,2%, demonstrando que a política econômica não apenas conteve a inflação, mas também favoreceu a criação de vagas. Para efeito de comparação, quando a inflação tinha nível parecido em 2018, o desemprego mais que dobrava o percentual atual.
Essa conjuntura serviu de argumento para a Fazenda sustentar que o país atravessa um ciclo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) compatível com estabilidade de preços. A combinação ainda foi citada como determinante para a redução da pobreza e da extrema pobreza durante o ano, embora os números detalhados dessas variáveis não tenham sido disponibilizados junto ao anúncio do IPCA.
Alimentos desaceleram e ajudam a manter IPCA de 4,26%
Entre os componentes que mais influenciaram o índice geral, o comportamento dos alimentos teve papel central. O grupo “Alimentação e Bebidas” avançou 2,95% em 2025, menos da metade dos 7,69% de 2024. Isoladamente, os preços de itens alimentícios monitorados apresentaram aumento médio de 1,43%, o que contribuiu de forma significativa para a desaceleração do indicador global.
Com menor pressão na cesta básica, o custo de vida da população foi atenuado. O Ministério do Planejamento ressaltou que alimentos são parcela relevante do orçamento familiar, de modo que qualquer variação mais moderada nesse grupo se reflete diretamente no poder de compra. Na visão da pasta, a soma de inflação reduzida, salário mínimo com ganho real e maior nível de ocupação possibilitou “mais comida na mesa” ao longo do ano.
Comparativo anual reforça trajetória de queda
Em números absolutos, o IPCA de 2025 ficou 0,57 ponto percentual abaixo da taxa de 4,83% registrada em 2024. Ainda que a diferença pareça pequena, o recuo foi considerado expressivo dado o patamar de juros já elevado e a incerteza global que marcou parte do ano. Na perspectiva do governo, manter a inflação dentro do intervalo de tolerância em contexto adverso reforça a robustez das políticas públicas adotadas.
A Fazenda também frisou que o resultado de 2025 é parte de um processo mais amplo. Desde o início do mandato, a orientação tem sido perseguir meta central de 3% ao final do período presidencial. Ao atingir 4,26% no terceiro ano, a equipe econômica avalia que o cumprimento dessa trajetória se tornou mais palpável, sobretudo se fatores sazonais continuarem colaborando, como ocorreu com os alimentos.
Perspectivas para 2026: continuidade do quadro de estabilidade
Embora o foco do anúncio tenha sido o fechamento de 2025, integrantes do governo sinalizaram expectativa de que 2026 deverá repetir o padrão de inflação controlada, crescimento moderado do PIB e avanço na renda do trabalho. O secretário-executivo interino chegou a afirmar que, com a estabilidade devolvida à economia, o ano seguinte não deverá diferir do atual em termos de conquistas macroeconômicas.
Nos próximos meses, o calendário de política econômica permanece condicionado à manutenção da taxa básica de juros em patamar compatível com o centro da meta, avaliando-se gradualmente a possibilidade de cortes se o comportamento dos preços continuar favorável. Além disso, a Fazenda informa que seguirá monitorando especialmente o grupo de alimentos, apontado como componente crítico para o orçamento das famílias.
A próxima data relevante no cronograma oficial é a divulgação do Relatório de Inflação do trimestre inicial de 2026, documento que incorporará as projeções mais recentes do governo e do mercado para o novo ano.

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