Intervenção dos EUA na Venezuela alarma analistas e deixa América Latina vulnerável

Intervenção dos EUA na Venezuela alarma analistas e deixa América Latina vulnerável
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intervenção dos EUA na Venezuela, que resultou na entrada de tropas norte-americanas e no rapto do presidente Nicolás Maduro, foi classificada por especialistas em relações internacionais como uma afronta direta ao princípio da autodeterminação dos povos e um perigo imediato para toda a América Latina.

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Intervenção dos EUA na Venezuela: o que aconteceu

Segundo os relatos compilados por analistas, forças militares dos Estados Unidos cruzaram o território venezuelano e removeram Maduro do poder, transferindo-o para local não revelado. A ação, autorizada pelo presidente norte-americano Donald Trump, ignorou mecanismos multilaterais de diálogo e surpreendeu a região pela velocidade com que se concretizou.

Para Williams Gonçalves, professor titular aposentado de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o ato já rompe o alicerce jurídico que sustenta a convivência entre nações soberanas. Da perspectiva acadêmica, a operação não teve respaldo de resolução do Conselho de Segurança da ONU nem pedido formal de ajuda por parte de grupos venezuelanos com legitimidade reconhecida.

Violação da soberania nacional e da Carta da ONU

Especialistas lembram que a Carta das Nações Unidas proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo em autodefesa ou com autorização do próprio Conselho de Segurança. Nenhuma dessas condições esteve presente na iniciativa norte-americana, o que, de acordo com Gonçalves, configura “ataque a um país soberano”.

No entendimento de Antonio Jorge Ramalho da Rocha, professor da Universidade de Brasília, a conduta do governo Trump evidencia descompromisso com o direito internacional. Ele observa que a estratégia privilegia ganhos imediatos, favorece interesses corporativos e reforça a imagem de que a força militar, e não as normas, orienta as decisões da Casa Branca.

Risco ampliado: América Latina diante da intervenção dos EUA

O precedente estabelecido na Venezuela amplia, na avaliação dos analistas, a margem para ações semelhantes em qualquer parte do subcontinente. Gonçalves sustenta que “todos os Estados da nossa região estão à mercê do humor do presidente dos Estados Unidos” desde o momento em que a soberania venezuelana foi quebrada. Isso colocaria, teoricamente, Brasil, Colômbia, Peru e demais vizinhos em posição de vulnerabilidade estratégica.

Ramalho acrescenta que a investida cria incentivo à polarização interna dos países latino-americanos. Ao explorar divisões políticas, Washington poderia encontrar terreno fértil para repetir a fórmula e derrubar outros governos que não coincidam com seus interesses de curto prazo. Em sua análise, essa perspectiva torna o ambiente regional “muito mais imprevisível, muito mais perigoso”.

Posicionamentos regionais e divisão política

A reação de governos e grupos políticos ao ataque também chama a atenção. O presidente argentino Javier Milei manifestou apoio explícito à intervenção, atitude considerada “inadmissível” por Gonçalves. Para ele, a adesão de Buenos Aires contradiz a tradição histórica argentina de defesa da autonomia nacional.

Dentro do Brasil, facções partidárias igualmente favoráveis à ação norte-americana foram vistas pelos especialistas como sinal de alienação quanto às consequências potenciais para o território brasileiro. Rocha enfatiza que a mesma lógica que levou tropas dos EUA a Caracas poderia, sem entraves, se voltar contra qualquer capital latino-americana, caso a conjuntura interna ou interesses corporativos o justifiquem.

Cenários militares e impacto geopolítico da intervenção dos EUA

A curto prazo, o professor da UnB prevê deslocamentos de tropas nas fronteiras. A Colômbia já mobilizou efetivos, enquanto o Brasil, que compartilha extensa linha territorial com a Venezuela, tende a reforçar a presença militar em Roraima e Amazonas. Em caso de ocupação prolongada da Venezuela por forças estrangeiras, Rocha receia um cenário comparável ao da Guerra do Vietnã, com prolongado desgaste humano, econômico e diplomático.

Mesmo entre críticos do governo Maduro, há consenso de que a mudança de poder por imposição externa não resolve tensões internas venezuelanas. Ao contrário, pode intensificar rivalidades, estimular ações armadas de resistência e provocar deslocamentos populacionais para países vizinhos, ampliando a pressão sobre sistemas de saúde, segurança e assistência social na região.

Retórica imperialista e dimensão histórica

Gonçalves classifica o discurso de Trump como retomada de “retórica típica do imperialismo e colonialismo do século XIX”. Essa abordagem, afirma ele, fere conquistas diplomáticas que buscaram institucionalizar o respeito mútuo entre nações, princípio basilar da Organização dos Estados Americanos e de sucessivas declarações latino-americanas de não intervenção.

Para os especialistas, a complacência de certos atores regionais ecoa experiências passadas em que ingerências externas resultaram em décadas de instabilidade, exemplos que vão da América Central nas décadas de 1980 ao Oriente Médio no início do século XXI. A advertência é que, sem reação firme, o ciclo se repita em solo sul-americano.

Próximos passos no Conselho de Segurança da ONU

Enquanto se multiplicam pedidos por uma condenação clara, a expectativa recai agora sobre a reunião do Conselho de Segurança da ONU marcada para segunda-feira. O encontro foi convocado após solicitação de membros latino-americanos, que pretendem discutir medidas diplomáticas capazes de conter a escalada e restaurar a legalidade internacional na Venezuela.

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