Imagens divulgadas pela NASA detalham origem, trajetória e composição do cometa interestelar 3I/ATLAS

Imagens divulgadas pela NASA detalham origem, trajetória e composição do cometa interestelar 3I/ATLAS
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Lead — quem, o quê, quando, onde, como e porquê

O cometa 3I/ATLAS, terceiro objeto confirmado proveniente de fora do Sistema Solar, foi examinado por mais de duas dezenas de missões da NASA e de parceiros internacionais. As imagens e medições apresentadas após o fim de uma paralisação de 43 dias do governo dos Estados Unidos, em outubro de 2025, indicam que o visitante interestelar é um corpo natural, sem qualquer vestígio de tecnologia alienígena, e que não oferece perigo para a Terra ou para outros planetas enquanto cruza a região interna do Sistema Solar.

Índice

Descoberta e primeiros registros do objeto

O 3I/ATLAS foi identificado por telescópios terrestres como um corpo em órbita fortemente hiperbólica, característica que denuncia origem externa ao sistema solar. Sua velocidade de entrada, estimada em 209 000 quilômetros por hora, é alta demais para que tenha se formado nas vizinhanças do Sol. Logo após a detecção, observatórios ao redor do mundo passaram a acompanhar o brilho crescente do objeto à medida que ele se aproximava do periélio.

A posição do cometa, porém, dificultou a captura de dados iniciais. No momento da descoberta, ele estava do outro lado do Sol em relação ao nosso planeta, exigindo a participação de sondas distribuídas por vários pontos do espaço para compor um quadro confiável de sua aparência e de seu comportamento.

Paralisação governamental e a proliferação de boatos

Entre a confirmação da existência do cometa e a divulgação dos estudos consolidados, a agência espacial norte-americana enfrentou um bloqueio orçamentário que suspendeu comunicações públicas durante 43 dias. Esse intervalo sem atualizações oficiais deu margem a interpretações especulativas. Postagens em redes sociais, vídeos recortados de entrevistas e comentários de personalidades como um empresário do setor aeroespacial e celebridades de entretenimento sugeriram, sem evidência, que o 3I/ATLAS poderia ser uma espaçonave.

A ausência temporária de dados oficiais também foi citada em um rascunho de artigo de três pesquisadores, um deles conhecido por análises polêmicas de objetos interestelares anteriores. O documento, divulgado sem revisão por pares, conjecturava pistas tecnológicas no movimento do corpo celeste. A combinação de silêncio institucional e publicações preliminares multiplicou teorias até a convocação da coletiva de imprensa da NASA, agendada imediatamente após a retomada das atividades governamentais.

Coletiva de imprensa: confirmação da natureza cometária

Na apresentação à imprensa, a direção de missões científicas da agência deixou claro que todas as evidências convergem para a classificação do 3I/ATLAS como cometa. A conclusão está respaldada por espectros de composição, curvas de luz e modelos dinâmicos reunidos por instrumentos ópticos, ultravioleta, infravermelho e de partículas. Nenhum dos sensores — terrestres ou espaciais — identificou traço de fabricação ou de propulsão artificial.

Além de atestar a origem natural, a equipe enfatizou a relevância científica do objeto. Por ter se formado ao redor de outra estrela, o cometa pode armazenar materiais que antecedem ou diferem dos componentes típicos das vizinhanças solares, oferecendo um vislumbre de processos que ocorreram em sistemas planetários extremamente antigos.

Esforço coordenado: mais de 20 missões em campo

Para driblar as limitações do ângulo de observação a partir da Terra, a NASA organizou, em agosto de 2025, uma campanha simultânea envolvendo mais de vinte plataformas espalhadas pelo Sistema Solar. A Agência Espacial Europeia replicou a estratégia. O princípio foi comparar o trabalho a um jogo de beisebol visto de vários assentos: cada sonda forneceu um pedaço da cena, e, em conjunto, as imagens montaram um mosaico tridimensional do visitante.

Entre os participantes, destacaram-se:

Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), que registrou a coma a 145 milhões de quilômetros de distância a partir da órbita de Marte;

MAVEN, que detectou átomos de hidrogênio derivados da sublimação de gelo de água, permitindo calcular a taxa de liberação gasosa;

Telescópio Espacial Hubble, cuja câmera estimou o diâmetro do núcleo entre 427 metros e 5,6 quilômetros e revelou uma coma alongada em forma de pera;

Telescópio Espacial James Webb (JWST), que observou o objeto no infravermelho e apontou uma razão dióxido de carbono/água significativamente maior que a usual em cometas locais;

Psyche e Lucy, que, a partir de posições distintas, captaram a cauda em horários próximos, viabilizando reconstrução volumétrica da poeira;

SOHO e STEREO-A, especializados em heliosfera, que mesmo com sensores voltados ao Sol conseguiram identificar o brilho do cometa como mancha tênue.

Tamanho, velocidade e composição química

A análise conjunta dos dados desses instrumentos permitiu definir parâmetros fundamentais. A velocidade confirmada de 209 000 km/h atesta trajetória hiperbólica, e o núcleo relativamente compacto — possivelmente com menos de seis quilômetros de extensão — se comporta como outros cometas ao se aquecer, liberando jatos de gás e poeira.

Contudo, duas particularidades chamam atenção. Primeiro, a abundância de dióxido de carbono excede a proporção normalmente medida em cometas originados na Nuvem de Oort ou no Cinturão de Kuiper. Segundo, a proporção de níquel em relação ao ferro no gás expelido mostra-se mais elevada que a média solar. Esses indicadores reforçam a hipótese de que o corpo se formou em ambiente químico distinto do que prevalece no Sistema Solar atual.

Orbita segura e ausência de risco para a Terra

Cálculos de mecânica celeste demonstram que o ponto de maior aproximação do 3I/ATLAS à Terra ocorrerá em 19 de dezembro, a cerca de 270 milhões de quilômetros — quase o dobro da distância média entre o Sol e Marte. Projeções também informam que, mesmo ao cruzar a órbita de Júpiter em 2026, a diferença espacial será grande o suficiente para descartar perturbações gravitacionais relevantes. Dessa forma, nenhum planeta conhecido encontra-se em rota de colisão ou influência direta do visitante.

Indícios sobre a origem em um sistema estelar antigo

A energia orbital do 3I/ATLAS sugere que ele viaja pelo espaço interestelar há um período que ultrapassa a idade estimada do Sol. Tal conclusão decorre da combinação entre velocidade, direção e ausência de laços gravitacionais recentes. Se o corpo vem de um sistema planetário extinto ou profundamente alterado, sua composição pode carregar registros fósseis de processos químicos que não ocorrem mais na vizinhança solar.

Do ponto de vista científico, a amostra fornece uma oportunidade sem precedentes. Elementos voláteis congelados no interior do núcleo podem preservar proporções isotópicas primordiais, enquanto a poeira mineral pode evidenciar condições de temperatura e pressão distintas das encontradas nos discos protoplanetários jovens observados atualmente.

Peculiaridades observadas e questões em aberto

Os cientistas destacam ainda comportamentos incomuns relacionados à poeira emitida. Em vez de ser imediatamente empurrada para longe do Sol, parte do material moveu-se, num primeiro momento, em direção ao hemisfério iluminado, antes de ser redirecionada pela pressão de radiação. O processo durou mais que o normalmente registrado em cometas conhecidos e indica granulometria atípica — possivelmente grãos maiores ou com propriedades ópticas diferenciadas.

Outro ponto aberto é a exata composição dos metais presentes na coma. A razão elevada de níquel em comparação ao ferro não é comum em corpos oriundos das regiões externas do Sistema Solar e pode refletir condições metalúrgicas específicas do disco de origem. Medições complementares, sobretudo em ultravioleta e em infravermelho térmico, estão sendo processadas para refinar essa relação e, assim, comparar o cometa a meteoritos interestelares já catalogados.

A NASA informou que continuará integrando leituras novas à base consolidada, pois o 3I/ATLAS permanecerá observável por diversos meses. À medida que se afaste do Sol, a taxa de sublimação diminuirá, possibilitando estimativas mais precisas da massa total do núcleo e da densidade da superfície.

Próximas etapas da investigação

Os grupos responsáveis pelos instrumentos principais devem publicar artigos revisados por pares ao longo dos próximos anos, detalhando modelos dinâmicos refinados, curvas fotométricas completas e análises isotópicas de gases. Embora a velocidade do objeto inviabilize missões robóticas de encontro direto, os dados já obtidos formam a mais extensa coleção sobre um corpo interestelar até o momento, superando o volume reunido para os dois visitantes anteriores — ‘Oumuamua e 2I/Borisov.

Com base nesse conjunto de informações, astrônomos planejam comparar 3I/ATLAS a arquivos de detecção de micrometeoróides e a levantamentos de telescópios de campo amplo, em busca de outros objetos com assinaturas parecidas. O objetivo é testar se corpos com alto teor de dióxido de carbono e proporção elevada de níquel podem constituir uma população distinta de cometas expulsos em fases precoces de sistemas planetários antigos.

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