Hospital da Criança de Brasília: como funciona o centro 100% SUS citado no BBB 26

Hospital da Criança de Brasília: como funciona o centro 100% SUS citado no BBB 26
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O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) voltou aos holofotes nacionais quando a participante Chaiany Andrade, do Big Brother Brasil 26, relembrou que a filha foi tratada na unidade após nascer com hidronefrose renal. O depoimento emocionou o público e suscitou dúvidas sobre o funcionamento, o financiamento e a recente crise que atingiu o hospital pediátrico mais referenciado da capital federal.

Índice

Hospital da Criança de Brasília: estrutura e missão

Inaugurado em 2011, o Hospital da Criança de Brasília foi concebido para oferecer atendimento especializado exclusivamente a pacientes de zero a 18 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição opera com modelo assistencial humanizado, incorporando brinquedoteca, espaços lúdicos e atividades musicais, como o piano na recepção que chamou a atenção de Chaiany. Embora tenha mobilizado doações na fase de construção do ambulatório, o hospital é público e integra a rede de saúde do Distrito Federal.

Linha do tempo: da inauguração em 2011 à crise financeira

Ao longo de mais de uma década de atuação, o HCB consolidou-se como referência em diversas especialidades pediátricas. Idealizado por Ilda Peliz, que então presidia a ONG Abrace, o projeto ganhou corpo graças a contribuições de pessoas físicas e empresas para erguer o bloco ambulatorial. Em 2025, contudo, a unidade enfrentou a primeira crise severa de sua história. Reportagens veiculadas em dezembro daquele ano revelaram a interrupção de repasses do Governo do Distrito Federal (GDF), o que obrigou o hospital a fechar leitos de UTI e suspender procedimentos.

Gestão e financiamento do Hospital da Criança de Brasília

O Hospital da Criança de Brasília é administrado pelo Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe) em regime de parceria com a Secretaria de Saúde do DF. O contrato de gestão prevê que o custeio integral da operação seja bancado com verbas públicas do GDF. Por isso, a ideia de que o hospital “vive de doações”, mencionada por Chaiany no reality show, confunde a fase histórica de arrecadação para a obra com a rotina atual de financiamento estatal. Na prática, eventuais doações e o trabalho de voluntários complementam ações de humanização, sem substituir a responsabilidade orçamentária do poder público.

Impacto da crise nos atendimentos pediátricos do DF

Quando os repasses atrasaram, o HCB respondeu suspendo internações e desativando temporariamente parte da terapia intensiva pediátrica. A repercussão foi imediata porque a instituição responde por 52% dos leitos de UTI infantis da rede pública do Distrito Federal. A limitação de vagas pressionou outros hospitais regionais e acendeu alerta no Ministério da Saúde, que enviou o Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS) para vistoriar a unidade. Ao mesmo tempo, a Secretaria de Saúde liberou duas parcelas emergenciais no total de R$ 10 milhões, valor classificado pela direção como insuficiente diante da dívida acumulada.

Relato de Chaiany Andrade e a trajetória de Lara

Dentro do BBB 26, Chaiany, de 25 anos, relatou que “aprendeu a ser mãe” acompanhando a filha Lara nas dependências do HCB. A menina, hoje com 10 anos, nasceu com hidronefrose renal — obstrução do fluxo de urina que provoca inchaço do rim — e passou por cirurgias logo nos primeiros meses de vida. Atualmente, vive bem com apenas um rim e realiza acompanhamento anual no hospital. O testemunho reforçou o papel da unidade tanto na assistência especializada quanto no acolhimento familiar, já que, segundo a participante, a estrutura lúdica e a qualidade do atendimento tornaram a experiência menos traumática.

Situação atual e próximos passos para o Hospital da Criança de Brasília

Após decisão judicial, o GDF foi obrigado a repassar R$ 69 milhões ao Hospital da Criança de Brasília. A Secretaria de Saúde informou ter quitado valores atrasados e pago a parcela de janeiro subsequente, permitindo que o hospital retomasse o funcionamento pleno dos leitos de UTI e dos serviços ambulatoriais. Com a normalização, a instituição voltou a operar em capacidade total, mantendo a meta de seguir como principal referência pediátrica 100% SUS da capital federal.

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